Cleópatra, uma mulher inigualável


Quem nunca ouviu falar em Cleópatra, a rainha do Egito que conseguiu quebrantar o poderio de Roma aliando-se a César e depois a Marco Antônio, generais romanos que mandavam e desmandavam naquela época. Mas para isso Cleópatra teve que enfrentar muitos desafios, e um deles foi lutar contra seus próprios irmãos Ptolomeu XIII e Arsinoe para manter-se no trono. Depois disso procurou seduzir o grande ditador do mundo romano, Julio César para manter a independia do seu país, quando Roma devorava todas as nações em sua sede de conquistas.

Era uma mulher de uma beleza extrema, e, além disso, sabia como ninguém cativar e seduzir através de sua perspicácia e inteligência. Falava fluentemente sete línguas, era versada em ciência, filosofia e política, por isso como nenhuma outra ptolomaica (dinastia que governou o Egito) soube salvaguardar o Egito das contendas e disputas que a corrida imperialista de Roma disseminava pelo mundo, tornando-o o país mais rico de toda a terra na época.

Mas Cleópatra era também uma mulher ambiciosa, e por isso após a morte de Julio César, voltou a aliaçar-se com Roma na pessoa de Marco Antônio, alimentando ao lado deste general seu sonho de construir um império governado por Roma e pelo Egito. Mas sua aposta foi errada, pois Otávio, rival de Marco Antônio na disputa pelo poder de Roma, saiu vitorioso, e com isso destruiu o sonho da rainha egípcia, que orgulhosa até o âmago de sua alma, preferiu suicidar-se ao entrar em Roma como cativa.

Mas embora seu reinado tenha sido curto e conturbado, Cleópatra deixou para sempre nos anais da história, a prova de que uma mulher pode tão bem ou melhor do que um homem governar. Audaciosa entrou em um território machista, demonstrando que não era apenas bela, mas também sábia. A própria Roma, que então desprezava suas mulheres como sexo frágil, passou a respeitá-las e até temê-las, pois a exemplo de Cleópatra muitas romanas, como por exemplo, Lívia e Agrippina, mulheres de imperadores, levantaram sua voz, saindo da sombra em que viviam.

Hoje, o exemplo de Cleópatra, pioneira em imiscuir-se no mundo político dos homens, é seguido por muitas outras, provando que rainha do Egito não estava errada em afirmar que as mulheres podem ser bem mais do que mães e donas de casa.

Salve Cleópatra por ter lançado essa idéia, pois o mundo não pode e não deve desprezar os talentos femininos por que o homem sem a mulher não é nada.

Por que escrevo?

A função social de um ecsritor é escrever para àqueles que não sabem expressar por meio de palavras suas emoções e sentimentos. Mas também penso que, como escritor compartilho  minhas próprias emoções e sentimentos com outras pessoas, e que através das minhas personagens posso viver outras vidas e viajar a um mundo e universo diversos em cumplicidade com meus leitores.

Sim, escrevo por que as palavras e histórias fervem em minha cabeça e o ato de criar personagens me é prazeroso. E não sei se escrevo por que leio muito, ou se leio por que escrevo muito. Quando me sento diante do computador mergulho na atmosfera do romance que então estou escrevendo, e quasi me sentindo uma testemunha ocular do fatos que descrevo e narro, conto meus episódios e histórias.

Essa brincadeira de “criador” faz-me sentir um super homem. Mas os filósosfos e teólogos não afirmam que em toda criatura existe sempre um pouco do seu criador? Sendo assim, tenho um pouco de Razec, seth, Ninrode e Lohanna em mim. E acreditando que muitos dos meus leitores se identificarão sempre com esses meus personagens e casos, é que continuo a escrever também um pedaço de suas próprias vidas.

As travestis em perigo ou o perigo das travestis?

Sabe-se que a prostituição é considerada uma das profissões mais antigas do mundo, e que por causa disso mesmo, existem muitos relatos de sua atuação em quase todas as civilizações, desde a mais primitiva até a mais evoluída. Mas, embora a prostituição tenha começado entre as mulheres das classes mais desfavorecidas, o homem, quer pelos mesmos motivos ou não, começou a se prostituir abrindo com isso um novo leque de opções para aqueles que buscam comprar sexo e prazer.

Tem sido assim desde o início da humanidade, onde pessoas preocupadas com a moral e os bons costumes sempre criticaram a prática da prostituição. Mas, enquanto o mundo preocupava-se com a prostituição dos homens e das mulheres, uma nova classe de prostitutas surgiu: As travestis. Hoje é comum vê-las à noite nas esquinas, ruas, praças e avenidas das grandes cidades procurando venderem sexo e prazer.

Para entendermos esse fenômeno social é preciso tirar as vendas do preconceito dos olhos e analisar quem de fato são as travestis. Para responder a essa pergunta é preciso seguir por muitas trilhas, perseguir códigos e fixar-se em corpos metamorfoseados. “Cassandra”, travesti que vem atuando nesse ramo há cinco anos, afirma que ser travesti implica lutar contra a natureza em busca da feminilização. “Tem que colocar silicone, tomar hormônio e, sobretudo, desafiar a sociedade.”

De fato, o uso de hormônios é fundamental para a construção da travestilidade, pois essa substância misturada ao sangue instaura um desemquilíbrio no organismo transformando um corpo masculino em um feminino. “O problema dos hormônios é que eles levam no mínimo cinco semanas para agir, e por causa disso mesmo, muitos travestis optam colocar silicone”, declara “Lallato” que é conhecida como veterana entre as travestis que fazem programa no retorno da COHAB.

Mas independente do método, o que todos os travestis buscam é uma perfeita feminilização, ainda que sob altos riscos como é o caso das cirurgias clandestinas de próteses de silicone. Segundo “Mauraya”, muitas de suas amigas e companheiras de esquina já faleceram vítimas do uso indiscriminado de silicone e de hormônio. “Sou consciente do risco que corro, mas a vida que levo me obriga a perseguir um ideal de beleza, pois como em todo lugar, existe uma grande competição e disputa tanto pelos clientes como pelo território e uma travesti bonita, extremamente feminina é altamente valorizada”, enfatiza.

Mas o que leva os travestis a se prostituirem? O mercado de trabalho é acessível a eles? Será que é comum ver um travesti médico, advogado, ou recepcionista que seja? Essas perguntas são pertinentes porque nos convida a uma profunda reflexão; o preconceito não apenas nos fecha, mas também nos marginaliza.

“Bianca Ferraz”, travesti que atua na Avenida São Luis Rei de França, diz que está no ramo da prostituição porque não tem outra escolha. “Vivo sozinha, tenho que pagar aluguel, água, luz e minha alimentação básica. Fui jogada pra fora de casa desde que assumi minha homossexualidade. Se tivesse um emprego decente, eu largaria essa vida”, declara. Quando interpelada sobre se o ramo da prostituição é lucrativo, “Bianca” afirma que a questão é muita relativa porque depende do cliente. “Se for o varejão, ele pechincha até o preço cair para vinte e cinco reais, o penoso sai com agente e no fim diz que não tem dinheiro ou simplesmente que não vai pagar, e por ultimo o fino que na maioria é uma maricona que apesar de pagar o preço estipulado exige que agente faça coisas absurdas”, explica.

Há, contudo, que se ressaltar que muitos travestis exatamente por estarem na prostituição estão à mercê da criminalidade onde a todo o momento muitos são assassinados por coisas banais como assalto ou “disputa de território”. Além disso, quando procuram ajuda policial são veementemente escorraçadas como se não tivessem valor algum.

Diante disso, muitos travestis, como “Laura Katryn” conhecida no pistão da Avenida São Luís Rei de França como top, por ter conseguido um corpo escultural e feminilíssimo, por exemplo, não vêem outra escolha senão ingressarem também no mundo da criminalidade. “Quando um cliente, diz que não vai me pagar, eu que saio sempre armada com um estilete, faca ou mesmo revólver, não só o obrigo a pagar como lhe roubo todo o dinheiro e outros pertences.

Além disso, tenho que enfrentar delinqüentes que na calada da noite tentam me agredir com acusações de ser uma disseminadora da AIDS. Mas para isso eu preciso estar brisada”, afirma fazendo referência também ao uso das drogas. Isso prova que não só é um erro estigmatizar uma determinada classe ou prática como também, pode acarretar outros males, e que sem dúvida a melhor forma de erradicá-la é procurarcompreendê-la e, sobretudo, enxergá-la além da ótica do preconceito.