Exclusiva entrevista com o Pastor que trouxe para São Luís a polêmica Igreja Evangélica para homossexuais

A Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE), uma igreja evangélica que tem por objetivo a inclusão daqueles que se sentem excluídos do seio da cristandade, entre os quais se pode citar os homossexuais, chega em São Luis. Eu, Cézar Júnior, entrevistei Flavio Jorge de Almeida (28), líder da igreja aqui em São Luis, e é ele quem nos conta um pouco dos principais fundamentos desta polêmica igreja.

Cézar Júnior: Como surgiu a idéia de criar uma igreja que apóia e não condena a homossexualidade?

Flávio Jorge: A CCNE é uma igreja inclusiva e que tem por objetivo, incluir todo e qualquer indivíduo que queira adorar ao Senhor Jesus Cristo, independente de qualquer condição. Infelizmente o que a maioria das igrejas evangélicas fazem é querer curar ou exorcizar a homossexualidade, como se esta fosse uma doença ou pecado. Nós aceitamos o indivíduo homossexual, por que acreditamos que é esta a vontade de Deus. Ser homossexual não é uma escolha. Então como eu posso querer obrigar um homossexual a deixar de ser homossexual. Além disso, o fato dele ser homossexual não pode e nem deve impedi-lo de adorar ao Senhor.

CJ: Mas existem passagens bíblicas onde existe condenação à homossexualidade. A CCNE tem uma doutrina específica?

FJ: Pregamos o mesmo evangelho que as demais igrejas evangélicas pregam. O que nos diferencia é que não procuramos condenar pessoa alguma. Essas passagens bíblicas, onde existe uma suposta condenação à homossexualidade, foram traduzidas de forma errada, por que não foram levados em consideração todo o contexto social e histórico da época em que foram escritas.

CJ: Então você está afirmando que a homossexualidade não é um pecado?

FJ: Sim. Deus nos deu o livre arbítrio, e tudo que depende de uma escolha, para o bem e para o mal, isso sim pode vir a ser pecado. No caso da homossexualidade é algo inerente ao sujeito. Ele não escolhe ser homossexual. E se ele não pôde escolher então não pode ser julgado por isso.

CJ: Quantos anos já tem a CCNE e como ocorre sua implantação no país?

FJ: Nossa matriz em São Paulo já tem seis anos, e a idéia é criar células em todo o país para que no futuro possam virar igrejas. É justamente este o trabalho que estamos realizando aqui em São Luis, onde já conseguimos alguns adpetos e fieis, que descontentes com a postura de exclusão das demais igrejas, estão nos procurando. São pessoas com fome de adorarão a Deus e que se vêm impedidas de fazerem isso.

CJ: Mas quando vocês usam o termo inclusiva, está se referindo apenas aos gay’s?

FJ: Não, não somos uma igreja exclusiva para homossexuais, ainda que a grande maioria dos fiéis seja homossexual. Nossa igreja está aberta para todos aqueles que se sentem excluídos de uma forma ou de outra.

CJ: Como está sendo a reação do público aqui em São Luis com a implantação da CCNE?

JF: A reação da maioria das pessoas é de surpresa, afinal somos ensinados de que a homossexualidade é um pecado mortal diante de Deus e um erro diante dos homens. Mas muitos estão se propondo a conhecer de maneira profunda o evangelho inclusivo.

CJ: Você próprio afirma que a maioria dos fieis que procuram a igreja são homossexuais. Você é homossexual?

FJ: Sim eu sou, e encontrei na CCNE uma igreja que ao invés de condenar-me por isso, me acolhe e me estimula a ser um verdadeiro cristão e não mais me sinto envergonhado diante de Deus.É claro que quando dizemos que aceitamos a homossexualidade, isto não quer dizer que aceitamos a luxúria, a licenciosidade, a promiscuidade e a perversão sexual.

CJ: A CCNE vai realizar casamentos entre homossexuais?

JF: As igrejas que já estão atuando em Fortaleza, Natal e São Paulo já fazem isso e aqui não será diferente. Se aceitamos que a homossexualidade não é um pecado, então por que não permitir que duas pessoas do mesmo sexo, que realmente se amam, possam se unir.

CJ: Quem são os mais veementes opositores da CCNE; os evangélicos ou os católicos?

FJ: Os evangélicos sem dúvida, por que acham que estamos deturpando o Evangelho que eles pregam, quando na verdade estamos apenas lutando para salvar tantas vidas, tantos gay’s que andam perdidos, sem rumo, achando que Deus as condena e abomina. Nosso exemplo maior é o próprio Jesus, que invalidou paradigmas religiosos que oprimiam vidas, e ele foi perseguido justamente por isso. Ele amou ao invés de odiar. Ele abraçou ao invés de abominar e tocou ao invés de enojar.

CJ: Mas o que dizer dos muitos casos de ex-gay’s,  que ingressaram em uma igreja e foram libertos da homossexualidade?

FJ: Olha o que existe e acontece, é que muito apenas deixam de viver, praticar a sua homossexualidade. Mas isto não significa que deixam de ser homossexuais, pois seus desejos e sentimentos continuam inalterados. É da nossa natureza. Nascemos homossexuais, fomos criados assim e se Deus abominasse ele não nos teria feito assim.Assim como nascemos com a cor dos nossos olhos e não podemos mudar isso, ninguém também pode fazer alguém deixar de ser gay. Eu já vi muitos testemunhos de gay’s que  tentaram de todas as formas serem libertos e curados da homossexualidade e de outros que supostamente foram curados pelos rituais de certas igrejas, e afirmo; todos sãos ex ex-gay’s. “ Por ventura pode um etíope mudar a sua pele, ou um leopardo mudar as suas manchas?” Je 13;23

CJ: A CCNE está engajada com o movimento gay daqui de São Luis?

FJ: Não, por que a nossa proposta não é política, embora nós já fomos procurados pelo grupo Gayvota para também sermos ativistas dos direitos dos homossexuais. É claro que se formos procurados apenas para pregar o Evangelho Inclusivo, estaremos aqui de portas abertas.

CJ: Aos interessados como fazer para congregar-se a CCNE aqui em São Luis?

FJ: Nossa célula fica na Rua João Manoel Cunha n° 02 Cohab, onde temos cultos, palestras, sermões e debates todos os domingos às 18h: 30. Aproveitando o ensejo convido a todos para nos visitarem e conhecerem o nosso evangelho de inclusão e amor ao próximo. Estamos sempre dispostos pelos telefones: 8873 9626, 8803 3755, 81895740, e também pelo e-mail: ccne.sl@hotmail.com, e   pelo orkut saoluiz@ccne.org.br.

2 comentários em “Exclusiva entrevista com o Pastor que trouxe para São Luís a polêmica Igreja Evangélica para homossexuais

  1. Parabéns pelo blog, gostei bastante!! Ótima essa reportagem, tenho 17 e assumi minha sexualidade aos meus pais semana passada, foi tenso com minha mãe, ela me mandou ir p/ igreja e ao psicólogo, pois se isso não fosse coisa do demônio era transtorno de personalidade” (Ri muito disso).. Enfim, com meu pai foi uma maravilha ele me deu suporte e apoio, mas me mandou não sair dando publicidade disso, pois a sociedade ainda é muito preconceituosa.. E agora sabendo dessa célula da CCNE, posso até fazer uma das vontade de mamãe, a de ir na igreja.. =DDD

    • Sem comentários , da vontade de vomitar, sem respaldo bíblico na qual DEUS Condena essa prática contra a procriação.

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