O cerne da luta do movimento gay pesa sobre dois grandes pilares; a luta contra a homofobia e contra o preconceito. Destes dois pólos, um tanto quanto diversificados, todas as demais lutas do movimento gay procuram suas diretrizes e engajamentos para defenderem seus direitos civis e humanos.

Mas sendo gay ou não, todos nós precisamos saber fazer a distinção entre o que é homofobia e o que é preconceito, uma vez que pode até ser tolerável que eu seja preconceituoso, mas homofóbico não.

Isto por que, homofobia, que é a caracterização da aversão à homossexualidade, é considerada um crime. Tanto que muitos Estados, como o Maranhão, já institucionalizaram o combate a homofobia através de projetos de lei.

Essa medida tem levantado muitos questionamentos, sobretudo naquilo que tange à liberdade de expressão, que garante a todo e qualquer cidadão brasileiro, manifestar-se de acordo com aquilo que ele julga certo e correto. Assim, por exemplo, um homem tem todo o dinheiro de não gostar da prática da homossexualidade ou mesmo de conviver com um gay. Ele pode até gritar para os quatro cantos do mundo essa sua posição e comportamento preconceituoso, e não será punido por causa disso, pois a Constituição Federal lhe dá esse direito. Mas o que ele não pode é ter uma atitude homofóbica como, por exemplo, agredindo um gay de forma verbal, moral ou física.

O x da questão reside exatamente em saber que emitir uma opinião pode ser caracterizada como preconceituosa ou não, e a pessoa é livre para ter preconceitos e opiniões, embora essa não seja uma atitude muito louvável, pois a própria palavra preconceito emite um conceito previamente formulado antes de se conhecer as coisas de fato.

Vivemos em um país democrático e de liberdade de expressão e exatamente por isso que o preconceito é tolerável e até respeitado enquanto opinião. Mas a homofobia que, não só é aversão criminosa à homossexualidade, mas também fruto de uma concepção de que ser homossexual é uma aberração que deve ser combatida, esta sim precisa ser vigiada, coibida e punida, pois muitos crimes de homofobia não se limitam apenas à agressão física, moral ou verbal, mas também a homicídios, como foi o caso do assassinato de Sabrina Drummond, travesti assassinada na Avenida Guajajáras em fevereiro, vítima de um serial killer homofóbico, e que confessou que já havia matado mais três travestis pelo simples fato de serem homossexuais.

Portanto, é tolerável ter preconceito contra homossexuais, desde que este se limite a uma mera opinião e comportamento. Mas quando a coisa parte para uma atitude e ação, caracterizando-se em homofobia, será certamente punida. Os direitos humanos e civis também garantem que ninguém deva sofrer qualquer tipo de agressão por causa de sua religião, opinião, liberdade de expressão e sexo.

Dizer não a homofobia, é provar acima de tudo que, se é um cidadão de bem, e uma pessoa evoluída socialmente, uma vez que ser homofóbico é o mesmo que ser criminoso perante a sociedade.