Descaso com um ser humano

Ismael de Jesus Fonte Serra ( 38), ex-integrante da banda Astral da cidade de São Bento, encontra-se hospitalizado no Socorrão I, vítima de Psoríase  uma doença degenerativa da pele. O estado de saúde do músico é grave, por que segundo os médicos, a infecção está generalizada. A psoríase, é caracterizada pela presença de lesões avermelhadas, bem delimitadas, descamativas,em qualquer parte do corpo e pode  apresentar períodos de melhora e piora ao longo da sua evolução. A psoríase pode levar a uma piora na qualidade de vida dos pacientes, devido ao preconceito das pessoas que os cercam, embora a doença não seja contagiosa. A doença está correlacionada a depressão grave, e Ismael vinha lutando contra uma forte depressão.

O músico, sem ter conhecimento ainda da doença, foi rapidamente negligenciado por seus familiares, o que só contribuiu para que a doença evoluísse. Segundo Joyce Lopes Pinheiro, amiga de Ismael, todos suspeitavam que ele estava muito doente , pois definhava a cada dia. ” Muitas vezes Ismael tinha fortes dores, e fraqueza, diarreia ao ponto de não poder levantar-se da cama. E quando agente perguntava para os irmãos dele sobre o seu  estado de saúde, apenas diziam que estava cada vez pior, mas que mesmo assim ninguém se prontificava em levar o mesmo para um hospital”, afirma.

Ainda segundo outra amiga de Ismael, Carla Lopes Pinheiro, em certa ocasião em que a mesma foi visitar o amigo, ele chegou a pedir para ela que a mesma o internasse, pois não aguentava mais as dores que o acometiam, e por que estava muito fraco para sair da cama, não podia contar em ir sozinho ao hospital . Nessa mesma ocasião, foi que a amiga constatou que nos ferimentos da pele de Ismael existiam larvas e vermes.

” Fiquei chocada, quando eu vi aquelas larvas e vermes, saindo das feridas de Ismael. Pensei que fossem superficiais, mas logo vi que os vermes, circulavam por todo o corpo dele, abrindo feridas, despencando como frutos maduros, do rosto, dos pés”,  diz.

As amigas então sensibilizadas chamaram os irmãos e pediram ajuda para que o levassem ao hospital. Mas os irmãos, insensíveis, não se prontificaram em ajudá-las,e foi preciso que as amigas de Ismael chamassem a polícia para que entrassem na casa e o levassem até o hospital Djalma Marques ( Socorrão I).

A pele pútrida de Ismael causa um odor insuportável, e o vermes e larvas continuam corroendo-o e si multiplicando, e a doença se agrava cada vez mais. Desde a noite de sábado, dia 24 de novembro, Ismael espera uma intervenção cirúrgica no hospital Socorrão II, para a retirada dos vermes e larvas, bem como fazer uma completa raspagem de seus ferimentos.

Embora a cirurgia possa ser bem sucedida, os médicos , já alertaram que abrirão um inquérito no Ministério Público, contra a família de Ismael por maus tratos, pois os mesmos afirmam que a doença embora não tenha cura é tratável, e pode ser perfeitamente controlada, e que deixar uma pessoa definhar e apodrecer ao ponto de nascer vermes e larvas na carne não só é um ato de insensibilidade, mas também de desumanidade, e pode ser constituída como um crime.

Terminei a faculdade de jornalismo e agora?

Essa é uma pergunta, extremamente pertinente para todos os universitários que estão na iminência da formatura ou para os profissionais recém-formados. E a resposta mais lógica seria; agora é hora de procurar um emprego na área de formação para a qual tanto se estudou e se dedicou.

Mas é justamente aí, que começa os grandes desafios para este novato que se pretende lançar no mercado de trabalho. O mercado exige competência, experiência, dinâmica, profissionalismo e eficiência. Requisitos que toda boa universidade ou faculdade pode forjar em um profissional, exceto a experiência, que deve ser alcançada justamente através de um bom estágio.

Todavia,o mercado de trabalho, para  muitas profissões, está ficando cada vez mais defasado, como, por exemplo, o jornalismo que a cada tempo que passa torna-se mais e mais um circuito fechado de profissionais ciosos e ociosos de suas labutas.

No Maranhão , por exemplo, o foca, como é chamado um jornalista iniciante, para que este ingresse no mercado de trabalho, ele precisa passar pela peneira do patronato, onde uma vaga é concedida através de favores um tanto suspeitas e desonestas que vão desde transas ou indicações que perpassaram pelo famoso teste do sofá.

Assim, se um estudante de jornalismo for exemplar,  certamente terá bons requisitos para ser um bom profissional. Mas isso no Maranhão, não é válido a não ser, que esse estudante tenha uma cara bonitinha e se deixe seduzir por um patrono ou por quem o indique para uma determinada vaga.

Outra forma, de ingressar no mercado é através da famosa ” panelinha”, onde o foca precisa ter alguma âncora para poder firmar-se, e poder através deste, penetrar neste círculo onde os currículos chovem, e a seleção é feita através do requisito “amigo de amigo entra” independente das qualificações profissionais.

Concurso público para jornalistas no Maranhão? Onde e quando?

Então o que resta ao foca para que ele possa ingressar no mercado de trabalho no Maranhão? Se prostituir? É uma alternativa. Fazer parte da panelinha? É também uma alternativa, e diga-se de passagem, um pouco mais honrosa do que a primeira.

Contudo, não quero aqui dizer, que todas as empresas de comunicação no Maranhão, seguem esta linha de seleção para o preenchimento de uma vaga. Existem algumas, embora poucas, que ainda fazem uso do tradicional anúncio e da competição entre currículos, e por fim da entrevista de emprego, para o preenchimento de uma vaga. Mas estas por serem poucas, não conseguem suprir a demanda de jornalistas desempregados que perambulam pelo Maranhão, ou daqueles que saíram da faculdade e anseiam por trabalhar.

A matéria até pode soar como um desabafo. E por que não o seria? Eu me deparei com esta triste realidade da profissão que eu escolhi seguir. Mas não quero desiludir quem está cursando jornalismo ou pretende cursar aqui no Maranhão. Mas se existe uma coisa que eu aprendi estudando jornalismo, foi que o jornalismo serve como uma ferramenta de informação. Portanto, desvendar como anda o mercado de trabalho para o jornalista maranhense, não é acidez de palavras de quem já passou ou vem passando por isso, e sim ser jornalista.