A pessoa nasce ou torna-se homossexual?

      Esta é uma pergunta  que, apesar de toda evolução da humanidade, ainda intriga a sociedade.  As pessoas se dividem em suas opiniões quando são indagadas sobre o que faz uma pessoa  ser homossexual.  Cientistas, geneticistas, psicólogos, psiquiatras,  pastores, padres e tantos outros ícones que representam uma parcela significativa do pensamento humano sobre a homossexualidade, jamais chegaram a um consenso sobre as causas que contribuem para que um determinado indivíduo seja homossexual.

   Assim, lança-se a pergunta que a todos continua intrigando: A homossexualidade é algo inato nos indivíduos? Uma pessoa nasce homossexual ou se torna homossexual?

     Para o pesquisador e escritor  belgo Jacques Balthazar,  a homossexualidade é  definida no estágio pré-natal. Em sua obra intitulada Biologia e homossexualidade, o pesquisador, que é também especialista na área  da endocrinologia, a parte da medicina que trabalha com glândulas de secreção, afirma que  fatores hormonais e talvez genéticos estão na origem da orientação sexual do indivíduo que seria definida no estágio embrionário.

embrião     Para os que defendem a teoria de que a pessoa nasce gay o principal  argumento utilizado é que encontram concentração mais alta de homossexualidade em determinadas famílias e os que demonstram maior prevalência de homossexualidade em irmãos gêmeos homossexuais univitelinos, criados por famílias diferentes sem nenhum contato pessoal. Em outras palavras, é fato comprovado que gay’s gêmeos e univitelinos ( que compartilharam uma mesma placenta e que portanto são idênticos) possuem o mesmo gene. E assim, nestes casos jamais foi encontrado um casal de gêmeos univitelinos em que um seja heterossexual e o outro homossexual. pelo contrário, ambos desenvolvem sempre a mesma orientação sexual. ( Exceto raras excessões?)

     Todavia, embora  esta teoria seja defendida por muitos, ainda não foi comprovado que exista um gene ou cromossomo especificamente homossexual, nem tão pouco heterossexual. Então se  é durante o estágio embrionário, o que ocorre  com estes genes para que uma pessoa seja homossexual?

     Para o biólogo americano  Bruce Bagemihl,  ocorre uma espécie de falha na distribuição hormonal durante o período embrionário. Sabemos que o sexo do indivíduo será determinado pelo cromossomo do pai que é X ou Y, entretanto durante as 4 ou 8 semanas após a fecundação, a mãe também libera um hormônio sexual no embrião.

     Ainda segundo o biólogo  Bruce Bagemihl, este hormônio pode ser o fator determinante para a futura orientação sexual do embrião. E a falha genética, de acordo com o biólogo, estaria justamente no caso do hormônio liberado pela  mãe não coincidir com o sexo do embrião.Se o embrião masculino, por exemplo, receber um hormônio feminino, as chances do indivíduo sentir atração por homens será grande.

    Mas como toda teoria, esta também abre uma lacuna, pois se se trata de uma falha genética, a tendência da própria seleção natural, que existe na reprodução humana, para sanar certas anomalias ou falhas, seria que, a homossexualidade com o passar do tempo, deixaria de existir, uma vez que homossexuais não se reproduzem, e não poderiam portanto repassar suas falhas genéticas para as futuras gerações. Entenda-se aqui, reprodução entre si e não um homossexual junto com um heterossexual. Então, se se trata de uma falha genética, a seleção natural tem falhado em eliminar homossexuais no estágio embrionário desde tempos imemoriais, e isto abre um paradoxo, pois segundo os próprios cientistas, a seleção natural na reprodução humana é infalível quando se trata de embriões geneticamente falhados, salvo raríssimas excessões.

     Existe também a teoria de que a homossexualidade não é inata e sim apreendida. Em outras palavras, a pessoa não nasce homossexual, mas torna-se um. Para os que defendem esta teoria, a educação e a influência cultural e ambiental seriam os principais fatores que contribuem para a formação da orientação sexual de um determinado indivíduo.

     Para o psicanalista Freud, por exemplo, a orientação sexual do indivíduo é forjada durante os primeiros anos da infância, onde a menina vê na mãe um exemplo a ser seguido e imitado, da mesma forma que o menino vê no pai o mesmo modelo de conduta e exemplo. O que ocorre, segundo esta teoria, é que os papeis são invertidos; o menino passa a ver na mãe o exemplo a ser seguido, e a menina vê no pai aquilo que ela mesma quer ser. Esta assimilação/adoração pelo genitor faz com que a criança desenvolva atração física e emotiva pelo mesmo sexo, uma vez que que o objeto de exemplo e adoração da criança é do sexo oposto. Assim a criança passa a se identificar com a orientação sexual  de seus próprios pais.( complexo de édipo)

proibido-no-ira-gays_thumb1    Mas se Freud tem razão, por que irmãos, que recebem a mesma educação, vivem no mesmo ambiente cultural, e que portanto são influenciados pelos mesmos fatores, nem todos se tornam homossexuais?

    A resposta, ainda segundo a teoria de Freud, estaria no modo como os pais deliberariam seu afeto para com os filhos; um pai ausente, pouco afetivo com um de seus filhos, por exemplo, dificilmente irá fazer com que este tente imitá-lo. Este filho, portanto, sentindo-se renegado pelo pai, busca na mãe afeto, conforto e abrigo. E é justamente este amor de fixação, que causa o desvio da inversão sexual, uma vez que a criança não só ama a mãe, mas subconscientemente quer ser a própria mãe e assimila a suas características.

   Esta teoria, bem mais do que a teoria geneticista, levanta inúmeras controvérsias,  pois existem indivíduos que foram criados e educados apenas por mulheres, sem jamais terem a figura do pai, e no entanto não são homossexuais. Ainda existem casos de homossexuais terem educado e criado crianças, e no entanto estas mesmas crianças não são homossexuais.

    Se por um lado a genética ainda não pode comprovar que a homossexualidade é definida no estágio embrionário, a teoria freudiana de que a homossexualidade é um desvio psíquico,  torna-se a teoria mais aceita por grande parte da humanidade justamente por que envereda por aquilo que o homem tem de mais assombroso: o psíquico.

     Por fim, existe a teoria menos aceita, mas ainda assim polêmica, a de que a homossexualidade seria causada por uma influência /possessão demoníaca.

     Esta corrente teórica, é defendida em grande parte por líderes religiosos, que de forma unânime, afirmam que a homossexualidade é algo abominável e pecaminoso aos olhos de Deus. De fato todas as igrejas cristãs, católica e evangélicas ( protestantes) encaram a homossexualidade como uma opção do indivíduo em cometer um ato pecaminoso. ” Por causa disso, os entregou Deus às paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro,contrário a natureza;  semelhantemente,os homens também deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Romanos 1:26-27). “Com homem não te deitarás como se fosse mulher; é abominação” ( Levítico 18:22).

   Mas se é uma opção em pecar, ou seja, se o indivíduo escolhe praticar a homossexualidade e portanto ele opta em ser homossexual, por que os próprios homossexuais são os primeiros a afirmar que não desejariam ser o que são? E uma vez que todos homossexuais demonstram a tendência em ser homossexual na infância, uma criança de 4 anos, por exemplo, que ainda não sabe distinguir muito bem o certo do errado, teria condições de escolher sua própria identidade sexual?

     Para responder tais perguntas, a teoria da influência/possessão demoníaca, segundo o Pastor Silas Malafaia, um dos líderes da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Brasil, a criança sofre uma influência demoníaca, e isto ocorre justamente em um lar desprotegido das bençãos de Deus. E esta  criança sem ter um acompanhamento teológico, é convidada ao pecado. Então o pensamento homossexual é plantado nesta criança, e que com o passar do tempo irá desenvolver ações ou comportamentos homossexuais até que evolua para um hábito e por fim irá forjar o caráter e a personalidade do indivíduo, tornando-o , portanto em um homossexual.

mordem     Mas se isso for verdade, por que a ” cura” ou a libertação dos homossexuais é algo tão irrealizável? Embora exista muitos testemunhos de pessoas que se dizem libertos da homossexualidade, existe contudo, a controvérsia de que estes homossexuais na verdade deixaram apenas de praticar a homossexualidade, mas que ainda sentem atração por pessoas do mesmo sexo, e por isso ou optam viver uma vida celibatária ou dissimulada em uma heterossexualidade aparente. De fato, muitos ex-ex- gay’s são unânimes em afirmar que jamais deixaram de sentir atração pelo mesmo sexo, mas que apenas tentavam controlar essa pulsação e fingir que estavam “curados” libertos.

  Todavia, existem , aqueles que desafiam  esta controvérsia, ao declararem que sentem repulsa pelo seu passado de homossexualidade, e que uma vez libertos, sentem atração por pessoas do sexo oposto. Tanto que muitos hoje em dia são casados e têm filhos.  Manoel Ricardo Reis da Luz, (33), natural da Bahia, afirma que  descobriu ser gay quando tinha 8 anos de idade, pois se sentia diferente em relação aos demais meninos. Com o advento da adolescência, teve suas primeiras experiências sexuais com pessoas do mesmo sexo, e desde então assumiu sua homossexualidade. Aos 33 anos de idade , sentia-se arrependido de seus atos e comportamento, e procurou uma igreja. Converteu-se e, segundo ele, libertou-se da homossexualidade ( veja mais sobre isto).

   O fato, é que a discussão sobre as causas que levam uma pessoa ser homossexual continuará em constante debate, até que estas  ou outras teorias possam comprovar suas teses, pois como vimos nenhuma delas é dona da verdade absoluta, e por isso mesmo não devemos ter conceitos pré-concebidos a respeito da homossexualidade, pois isso não nos levará a verdade plena, mas sim ao preconceito.

por Lohanna Pausini Postado em Policial