A juventude maranhense como uma força motora para o desenvolvimento do Estado do Maranhão

     jovens-trabalhadoresExistem no Maranhão cerca de 2 milhões de jovens com idade entre 18 a 29 anos de idade. Desse total, cerca de 47% sobrevive com menos de meio salário mínimo e 23,9 % não estuda e nem trabalha, o que demonstra o quanto a juventude está alheia a sua capacidade produtiva para o desenvolvimento do Estado. Os dados são da Secretaria da Juventude do Estado do Maranhão, apresentados durante o evento de lançamento do Plano de Ação da SEEJUV ocorrido no dia 20 de fevereiro. Durante o evento houve espaço para uma tribuna livre onde os jovens da plenária puderam contribuir com suas sugestões de implantação de políticas públicas nas áreas da educação, emprego e geração de renda, saúde, inclusão social dentre outras.

     Mas, se 30% da população Maranhense é composta de jovens e que buscam melhorias em sua qualidade de vida, é preciso que exista não só uma estratégia que atenda a todos os eixos reivindicados, mas também gerar, a partir disso, melhorias no próprio desenvolvimento do Estado. De fato, se a proposta do Governo Flavio Dino é aumentar o IDH do Estado do Maranhão, a juventude não pode permanecer alheia à sua capacidade produtiva em desenvolver o Estado. E se uma das médias em que o Maranhão menos cresceu nos últimos dez anos, de acordo com o IBGE, foi na geração de renda, então é preciso que esses jovens sejam incentivados ao empoderamento econômico, quer seja por meio de capacitações e cursos profissionalizantes ou mesmo de projetos específicos que possam assegurar aos mesmos que possam trabalhar, estudar e se qualificarem ao mesmo tempo.

     Jovens-no-Mercado-de-Trabalho-IBRAPPÉ nesse contexto que o IBRAPP já elaborou diversos projetos voltados para a inserção de jovens no mercado de trabalho. Exemplo disso são os projetos Projovem Trabalhador- Juventude Cidadã e o Projeto Jovem Cidadão, que por meio de ações promovem oportunidades de trabalho, emprego e renda para jovens em situação de vulnerabilidade que estejam fora do mercado de trabalho por meio de qualificação sócio-educativo-profissional.  A pertinência da implantação de tais projetos, de acordo com o IBRAPP, pode justamente auxiliar a SEEJUV a utilizar a população dos jovens como uma força motora para um desenvolvimento mais amplo do Maranhão, uma vez que os referidos projetos estão alicerçados em três eixos: inclusão social, educação e geração de renda.

A extrema pobreza no Maranhão pode ser solucionada

     Bem-vindo-ao-MaranhaoMuitas pessoas no Maranhão ainda vivem abaixo da linha da pobreza, e esse quadro muito tem contribuído para colocar o IDH  do Maranhão como um dos piores de todo o país. De acordo com o Governo Federal pessoas que vivem com rendimentos abaixo de R$ 70,00 vivem em extrema pobreza, uma vez que não possuem as condições mínimas de sobrevivência. São pessoas que, vivendo em tais condições, se sentem excluídas da sociedade porque não possuem acesso aos serviços mais básicos tais como moradia digna, geração de renda, saúde, alimentação e educação.

     Um exemplo disso é o caso de Nilton Pereira, morador do bairro da Ilhinha em São Luís-MA. Natural da cidade de Bacabal, no interior do Estado, Nilton, juntamente com a família,  já migrou por diversas cidades do Maranhão em busca de melhores condições de vida. Analfabeto e sem profissionalização, Nilton apreendeu a desenvolver a arte de produzir pequenas peças de gesso que servem como cofres a fim de comercializar e com isso gerar renda. O pequeno empreendimento, contudo, não é o suficiente para modificar a realidade de Nilton e sua família que vivem embaixo da ponte do São Francisco em um casebre totalmente improvisado e sem infraestrutura alguma como luz elétrica, água encanada e potável, esgoto, coleta de lixo e etc.

     Em entrevista a nossa equipe, Nilton conta-nos que em meio a todas essas diversidades resolveu junto com os irmãos montar essa pequena produção de artesanato para não poderem mendigar  pelas ruas de São Luís. Todavia, talvez por não está inserido em um cenário compatível a essa comercialização e nem tão pouco possuir capital de giro, materiais necessários e equipamentos adequados, Nilton e os irmãos não conseguem lucrar com o pequeno empreendimento, pois não só conseguem vender o suficiente, como também melhorar a produção e cativar uma boa clientela.

     Mas, o que aqui se percebe, mesmo diante de todas essas adversidades é o espírito empreendedor de Nilton e seus irmãos. É a esperança de mudar de vida e tentar achar uma saída para sair da extrema pobreza em que vivem. É a inconformidade de se sentirem excluídos da sociedade e serem conscientes que possuem direito ao acesso às políticas públicas oferecidas a todo e qualquer cidadão brasileiro.

     São, portanto, pessoas como Nilton que necessitam de uma ajuda mais que substancial por parte de projetos na área da Inclusão Produtiva, pois seguindo a linha do objetivo do projeto, Comunidades Produtivas, elaborado pelo IBRAPP, Nilton poderá ter acesso à alfabetização, capacitação como artesão a fim de melhorar a sua produção, assessoramento a fim de melhorar a sua comercialização bem como ver-se lançado na cadeia produtiva do próprio Estado do Maranhão, uma vez que poderá ter seu pequeno empreendimento formalizado.

     Trata-se sem dúvida de um projeto que pode mudar a realidade de muitas pessoas no Maranhão que, como Nilton, vivem em extrema pobreza mas, que ainda assim tentam desenvolver alguma atividade empreendedora. O citado projeto foi elaborado exclusivamente para a realidade do Maranhão e dialoga com a perspectiva do governo atual em alavancar o IDH do Estado. Por conta disso, se faz necessário uma análise da pertinência de sua implantação no Maranhão.

Porque o Maranhão precisa de um projeto de Inclusão Produtiva

JP23383_124422_AA mensuração do índice de desenvolvimento humano é feito de acordo com o PNUD( Programa das Nações Unidas para levantamento de dados sobre o IDH)  por meio de 3 médias : qualidade de vida ( saúde), renda e educação. Nesse contexto o Maranhão ainda é um dos estados brasileiros com o menor índice de desenvolvimento humano, pois dos 150 municípios mais pobres do Brasil, 30 se encontram no Maranhão. E para tentar reverter esse quadro o governo de Flavio Dino, criou o comitê Mais IDH formado pelas Secretarias Estaduais de Desenvolvimento Social, Saúde, Desenvolvimento Urbano das Cidades, Educação e Agricultura, além da CAEMA. No dia 26 de janeiro, o Governador reunido com prefeitos e representantes sindicalistas lançou o plano de ação para alavancar o IDHM (índice de desenvolvimento humanos municipal)  dos 30 municípios mais pobres do Estado.

     Durante o evento foi lançado propostas e planos de ações na área da saúde, educação, desenvolvimento social, agricultura familiar e articulação com as prefeituras.  Todavia, se para mensurar-se o IDH de um determinado Estado ou município deve-se levar em conta os quesitos; saúde, renda e educação, é preciso forcar-se naquele que menos tem crescido nos últimos anos caso se queira alavancá-lo. E de acordo com as estatísticas do IBGE, a geração de renda no Maranhão, por exemplo, foi o quesito que menos cresceu nos últimos dez anos, e isso sem dúvida tem contribuído para colocar o IDH  do Estado como os dos piores do Brasil.

     Diante disso é preciso levar-se em conta que o Maranhão precisa justamente melhorar sua geração de renda. E como se faz tal mudança? Segundo o IBRAPP, a alternativa poderia ser a implantação de projetos na área da inclusão produtiva, como o projeto Comunidades Produtivas – Empreendendo Sonhos. Na prática o projeto visa promover a emancipação econômica de pessoas empreendimentos familiares, individuais, coletivos. Possibilitando a assessoria direta aos empreendedores melhorando sua produção e comercialização. Além de promover cursos de alfabetização e capacitação técnica dentro das cadeias produtivas. Integrando-os às cadeias e ao fortalecimento da atuação em rede.        Contudo, se a implantação de um projeto dessa envergadura se faz necessário para potencializar as riquezas naturais do Maranhão uma vez que, ainda de acordo com o IBRAPP, o projeto pode abrangerá as cadeias produtivas na área do artesanato, piscicultura, hortigranjeiro, alimentação,  agricultura e etc, é preciso que a gestão pública estadual invista e acredite em tais projetos, pois embora por si só, não possa reverter o quadro em que o Maranhão se encontra no quesito desenvolvimento humano, pode ainda assim contribuir de forma significativa para que a geração de renda volte a crescer no Estado.