Se a homossexualidade não é doença, porque a transexualidade ainda é?

 

A proibição para que psicólogos possam tratar homossexuais que desejem tentar deixar a prática da homossexualidade casou uma grande polêmica na sociedade brasileira a tal “cura gay”. Enquanto muitos psicólogos se apoiam na cláusula em que o indivíduo tem o direito de fazer suas próprias escolhas, inclusive em querer deixar de ser homossexual, por outro lado existe àqueles que afirmam que a proibição se faz necessária já que a homossexualidade deixou de ser encarada como uma doença pela Organização Mundial de Saúde.

O que muitos neste contexto se esquecem é que, para que um certo distúrbio ou moléstia, disfunção e etc, seja caracterizada como patologia ela precisa obedecer a certos critérios apontados pela própria OMS e que precisam obedecer aos critérios de anormalidade, desordem, patologia, perturbação, desequilíbrio e etc. Por fim quando esses critérios são encontrados deve-se procurar o tratamento específico para o estágio da cura ou reversão para o quadro sadio e de perfeito equilibro físico e mental. E essa cura e tratamento é sempre baseado no próprio fator que causa a referida moléstia; um vírus, uma bactéria, um trauma, uma infecção e etc.

No caso da homossexualidade o que se percebe é que não só não existem nenhum desses fatores causadores de uma possível patologia ou transtorno, como também os próprios tratamentos levantados e pesquisados por especialistas em psicologia e psiquiatria demonstraram serem falhos, quer na metodologia da indução ou como dedução, bem como por meio de exames clínicos jamais foram encontrados estes fatores X. Exatamente por conta disso que a homossexualidade saiu do CID (Código Internacional de Doenças).

Outro ponto a ser considerado é o depoimento prestado por supostos ex-gays. Quase em toda a totalidade dos casos esses ex-homossexuais afirmam uma conversão religiosa, uma libertação espiritual, o que leva o debate para outra área fora da ciência.

É importante destaca ainda que, embora a homossexualidade deixou de ser classificada como doença, a transexualidade ainda é vista como uma disforia de gênero, um transtorno mental de acordo com o CID 10 F-64 (trata-se de um desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto. Este desejo se acompanha em geral de um sentimento de mal estar ou de inadaptação por referência a seu próprio sexo anatômico e do desejo de submeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento hormonal a fim de tornar seu corpo tão conforme quanto possível ao sexo desejado).É por isso que em muitos países, existem como no Irã e na Tailândia, existem amplos investimentos por parte do poder público para que as cirurgias de redesignação sexual sejam realizadas com o objetivo único de tratar essas pessoas “transtornadas”.

O curioso neste caso da transexualidade é que a medicina ao diagnosticar que uma pessoa sofre de uma determinada doença, ela lança seus esforços para extirpá-la do organismo do indivíduo. Por conta disso toda pessoa transexual, ao contrário de um homossexual, necessita sim de apoio psicológico e em casos mais extremos até de um psiquiatra para que todas as medidas cabíveis e legais sejam tomadas para que a pessoa em questão se readeque ao seu próprio corpo quer seja por meio um tratamento hormonal ou intervenção cirúrgica, ou mesmo que a transexualidade em questão seja de fato diagnosticada.

A seriedade do assunto é bem mais complexa, do que muitos pretendem ao relativizar as questões ligadas a transexualidade e que em hipótese alguma pode ser confundida com homossexualidade. Notem que pessoas transexuais precisam de psicólogos para apoiá-las em suas decisões ou não de transformações, e enquanto homossexuais apenas possuem uma orientação sexual diversa, transexuais possuem uma identidade de gênero conflitante e conflitos necessitam ser solucionados.