Transexualiadade é motivo de chacota para certos radialistas do Maranhão

Fico simplesmente perplexa ao me dá conta que, apesar de todo o debate público envolvendo a questão da identidade de gênero, orientação sexual bem como o reconhecimento da transexualidade por parte do poder público como um fato social a ser respeitado, muitos profissionais da imprensa ainda abordem o tema com tamanha falta de respeito. Tais profissionais se esquecem que um dos papeis da imprensa, além de informa é justamente normatizar a população, pois quando um determinado acontecimento ou fato é narrado e divulgado pela imprensa, deve-se atentar a ênfase que existe em afirmar que um determinado fato é punível, é vergonhoso, é reprovável ou elogiável e notável.

Diante disso jornalistas e profissionais da comunicação de modo geral precisam se atentar quanto a ética profissional e não desmerecer a quem quer que seja por questões referentes a identidade de gênero ou mesmo orientação sexual. Muito pelo contrário, embora saibamos que o ser humano por ser um ator social e como tal possa se deixar imbuir de preconceitos muitas das vezes estabelecidos e perpassados por correntes culturais, ainda assim quando um jornalista ou radialista faz uso de um veículo de comunicação e se reporta ao público para falar sobre uma pessoa transexual, ele, embora, tenha suas opiniões particulares sobre o assunto, não deve jamais se esquecer do seu papel ali enquanto comunicador e jornalista, isentando-se, portando de seus preconceitos.

Foi verdadeiramente lamentável ouvir a forma como os radialistas Leandro Miranda, Jeisael Marx e Clodoaldo Correia trataram do assunto durante o Programa Ponto Continuando da Mais FM, envolvendo uma transexual que “teria causado uma grande sensação” em Pinheiro neste carnaval ao ter sido flagrada aos beijos com empresários, políticos, blogueiros e até autoridades policiais. Apesar de entender que isso possa virar pauta de notícia apenas porque se trata de um caso diferenciado justamente porque trata-se de uma transexual, não é compreensível, contudo, que façam chacota da pessoa transexual ou insinuações levianas que só ajudam a deturpar a imagem preconceituosa que muitas pessoas ainda tem da pessoa transexual. Acredito que mesmo no jornalismo opinativo tem limites a serem respeitados por um profissional ético e que reforçar o preconceito ou mesmo o machismo em um veículo de comunicação é algo que precisa ser repudiado no jornalismo.

Teste do sofá ainda é aplicado para recrutamento de jornalistas em São Luís

Na última semana a TV Metropolitana anunciou abertura de um processo seletivo para jornalistas atuarem nas funções de repórter, produtores, editores e etc em São Luís. O anúncio rapidamente viralizou pelas redes sociais e grupos de whatsapp onde pessoas ávidas por uma vaga de emprego começaram a corresponder ao anúncio, enviando seus currículos profissionais para concorrem às vagas ofertadas.  Os responsáveis por esse processo de recrutamento ainda de acordo com o anúncio eram o jornalista Henrique Paz e o radialista Samir Ewerton. Eu como as demais pessoas que estão em busca de uma vaga de emprego no mercado de trabalho tão escasso para jornalistas, apostei e enviei meu currículo e que para minha decepção, consternação, e perplexidade me foi respondido da seguinte forma como então passo a mostra nos prints de uma conversa via whatsapp:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O homem que aparece nessas conversas é o radialista Samir Ewerton que de forma despudorada foi imediatamente insinuando que para que a vaga fosse minha eu deveria ter relações sexuais com ele, enfatizando que tinha uma fantasia em ter relações sexuais com uma transex. Embora eu tentasse levar o assunto para o âmbito profissional no que concerne o processo seletivo de jornalistas anunciado para a TV Metropolitana, Samir insistia na conversa de teor sexual, fazendo as mais absurdas perguntas até que deixou bem claro que a vaga poderia ser minha se eu me submetesse às suas fantasias sexuais em ser sodomizado por uma transex.

Logo após este incidente entrei em contato com o Henrique Paz, o responsável que estava à frente desse  processo de recrutamento e ele afirmou  primeiro que não conhecia  o Samir, mas após algumas perguntas e ver o print das conversas teve que assumir que o conhecia e que Samir tinha a intenção de colocar no ar na TV Metropolitana um programa e que ia precisa de profissionais da comunicação e que por conta disso tinha colocado o e-mail dele no anuncio.

O fato é que ainda que o Samir não faça parte da TV Metropolitana, ele usou desse estratagema de um processo seletivo de profissionais para trabalharem na Emissora, para fazer um assédio sexual à minha pessoa. Sinto-me indignada com essa situação não só por que trata-se de uma prática recorrente no mercado de trabalho para jornalistas, pois não é a primeira vez que sofro esse tipo de assédio quando busca  uma oportunidade de emprego como jornalista, mas também percebo claramente a existência de um preconceito latente contra a participação de pessoas transexuais no mercado de trabalho e o Samir sabedor desse fato, usou sem duvida desse artificio para impor sobre mim a alternativa de ter que transar com ele para poder conseguir a vaga.

Levanto esta denuncia porque repito, não é a primeira vez que sou vítima dessa prática ao tentar uma vaga em algumas emissoras de Rádio e TV, e ressalto que embora eu seja uma transexual isso não diminui em nada minha capacidade profissional, e por isso mesmo não admito ser desrespeitada dentro do meu profissionalismo. Acredito que a ética profissional deva existir como a regra básica de respeito entre empregado e empregador, chefe e subordinado e que assédios sexuais no ambiente de trabalho devem ser sempre denunciados.