O cristianismo como todos sabem é uma religião oriunda do judaísmo, que dentre todas as religiões da antiguidade, lançou a ideia do monoteísmo, a crença em um único deus. Mas o mistério reside justamente no nome desse deus único, já que todas as civilizações eram politeístas e costumavam menosprezar o culto religioso uma das outras, com mútuas acusações que existiam deuses falsos. Todavia, são os próprios judeus que afirmam que o Deus do Cristianismo não é o mesmo Deus do Judaísmo, pois são categóricos quando dizem que os cristãos adoram o Filho (Jesus) e não o Deus (o Pai), pois não aceitam Jesus como o Messias. Mas então de onde surgiu a ideia da existência de um único Deus, criador dos céus e da terra e qual é o seu nome?

O povo hebreu foi um povo que migrou dos caldeus em Ur, na antiga Mesopotâmia onde era comum a adoração de diversos deuses. De acordo com, a Bíblia o Deus Desconhecido e, no entanto, o único verdadeiro entre todos os que eram adorados naquela terra, teria se revelado a Abraão. Este Deus então teria ordenado a Abraão que deixasse sua terra natal, sua parentela e seguisse em uma missão de fundar uma nova nação, um novo povo e que teriam que adorar a este Deus a partir de então, porque apenas ele era o verdadeiro Deus.

O mistério começa justamente aqui, porque o texto bíblico não cita qual era o nome deste Deus e nem tão pouco que este Deus tenha revelado seu próprio nome a Abraão. A revelação de seu nome só ocorreu anos depois quando então surge a figura de Moisés como patriarca do povo hebreu. Este Deus então afirma para Moisés: “Eu Sou o que Sou”.  “EU SOU me enviou a vós outros” (ÊXODO 2:14).

Este tem sido um dos grandes mistérios e incongruências encontradas na tradução dos textos bíblicos já que o termo EU SOU O QUE SOU seria o significado do nome sagrado deste Deus e não propriamente a transliteração de seu nome, pois assim como o nome Pedro significa a Pedra e Emanuel, Deus Salva, ou Yeshua, Deus ( mas que deus?) salva; cada um deste nomes possuem forma própria de escrita e pronuncia. Então porque o nome do Deus dos hebreus não está escrito em sua forma própria e sim seu significado? De acordo com os teóricos da Septuaginta, os textos que compõem o Velho Testamento foram escritos no hebraico arcaico ou paleolítico, a língua que então era falada na época de Moisés junto ao povo hebreu.

Com o decorrer dos séculos antes de Cristo, o povo hebreu sofreu diversas dominações de outros povos como os egípcios, os assírios e babilônios, e estas dominações acabaram por influenciar a cultura e costumes e idioma do povo hebreu, tanto que passaram a falar também aramaico, a língua comum dos povos que habitavam na região da Mesopotâmia.

Esta influência foi tão forte que a própria língua hebraica começou a cair em desuso  e por conta disso foi forçoso que os textos antigos fossem traduzidos para uma língua que então estava em ascensão como a língua universal de todos os povos, assim como o inglês tem se firmado nos dias atuais como a língua da diplomacia entre todas as nações. Foi nessa época que os reis da dinastia ptolomaica que então dominavam o Egito, solicitaram que os hebreus traduzissem seus textos sagrados para o grego e que esses textos iriam ser guardados na famosa biblioteca de Alexandria para estudo e apreciação de todos os povos.

Todavia, segundo os teóricos da chamada Septuaginta, os hebreus tomando como sagrado o nome de seu Deus, resolveram ocultá-lo, pois deviam obedecer a um de seus mandamentos que dizia que não deveriam tomar o Nome de seu Deus em vão. Mas de que forma este nome foi oculto nas escrituras? A forma encontrada foi uma decodificação do Nome por meio de um tetagrama na língua grega, YHWH. A língua grega, assim como a língua latina faz uso de vogais que auxiliam na pronuncia das palavras, já a língua hebraica paleolítica não, embora algumas letras do alfabeto hebraico arcaico tenham som vocálico. O que os hebreus antigos então fizeram foi retirar essas letras ou sinais vocálicos, deixando uma palavra impronunciável quando traduzida.

Mas, diante disso outro problema surgiria séculos depois de Cristo quando o advento do Cristianismo quando então estes mesmos textos foram traduzidos para o latim. Os pais da Igreja Católica não virão com bons olhos que o tetagrama se repetisse continuamente em toda a extensão do Velho e do Novo Testamento já que o nome desse Deus se repete nas Escrituras mais de 7 mil vezes. Então a forma encontrada foi a substituição do tetagrama pela palavra SENHOR. A igreja então que crescia cada vez mais em poder temporal e espiritual diante das nações proibiu que fossem feitas outras traduções dessas escrituras senão para o latim, fato que veio a mudar somente com o advento da Reforma protestante, quando então surgiu a tradução para o alemão e logo depois para todas as línguas.

Assim o nome verdadeiro desse Deus caiu no esquecimento do povo cristão, embora exista a controversa que na própria oração do Pai Nosso, percebemos a máxima da declaração que “santificado seja o teu NOME”. Qual Nome?

É importante lembrar que a ocultação do nome desse Deus foi feita pelos hebreus que estavam ciosos do uso do nome de seu Deus para não o dividir com as demais nações, pois acreditavam piamente que este Deus os teria escolhido dentre todas as nações como a nação santa para abençoar toda a Terra. Estes hebreus também tinham a forte crença que este Deus os protegia e lhes cumula de favores e bençãos. Compartilhando o nome deste Deus, nome este que tem poder, as demais nações não irão profaná-lo e nosso Deus não mais nos escutará? Caso as demais nações saibam o nome do nosso Deus, que é o único Deus verdadeiro, eles também não serão abençoados e ganharão os favores do nosso Deus? Não foi fazendo nome do uso deste nome sagrado que Moises abriu o Mar Vermelho enquanto fugíamos do Egito, atirou pragas no Egito para nos libertar da escravidão, fez chover alimento do céu enquanto éramos nômades no deserto, fez brotar água em pleno deserto para saciar nossa sede? Não foi fazendo uso deste nome poderoso que nossos juízes, heróis e reis tem lutado contra nossos inimigos e temos obtido sempre vitória? Não é por causa do nosso Deus que apesar de todas as perseguições que temos sofrido ao longo dos anos, ainda assim temos prevalecido?

Estas são sem dúvidas, assertivas que se aplicam perfeitamente ao povo judeu que são então descendentes do povo hebreu, pois o nome hebreu caiu em desuso após a dispersão das 10 tribos de Israel durante a dominação dos assírios, restando apenas a tribo de Judá e Benjamin e que ao serem também conquistados pelos babilônios passaram a se chamar Judeus fazendo menção ao reino de Judá, já que o povo hebreu teria se dividido em dois reinos independentes (o reino de Israel e o reino de Judá).

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Nos dias atuais os judeus chamam o seu Deus de O ETERNO, O ALTÍSSIMO, O SENHOR, pois afirmam que não podem pronunciar o nome deste Deus porque é sagrado demais e devem obedecer a um dos dez mandamentos que diz que “Não tomarás o nome do teu Deus em vão”. Todavia, este nome está escrito na Torá (texto sagrado do judaísmo). Mas, assim como aconteceu nas escrituras do Cristianismo, este Nome, também foi alterado ou retirado e em seu lugar colocado títulos como os já citados. Mas, a pergunta é? Os judeus, assim como os cristão também perderam a pronúncia do nome correto deste Deus? E como podemos de fato adorar a um Deus se nem mesmo sabemos o seu nome.

Alguns cristãos de denominações evangélicas sentenciam que o nome não importa, desde que a pessoa tenha sinceridade em adorar ao Deus verdadeiro e siga seus mandamentos e instruções que estão na Bíblia, ou que simplesmente clamem por Jesus Cristo, que é a personificação deste mesmo Deus, quando então esteve na terra ao se revelar como o Filho de Deus ( qual Deus?).

Ora, o próprio nome Jesus não é uma tradução autentica daquele que então se proclamou o Messias dos Judeus e que foi crucificado por conta disso. O nome dele era YESHUA que significa Deus é salvação (pontua-se que coloquei Deus no lugar do nome deste Deus, pois a tradução correta seria (……. ???? o nome deste Deus….  é salvação). Pois o nome Jesus não é a tradução do nome YESHUA, pois nomes próprios não podem ser traduzidos justamente para não incorrer em erros e sim serem transliterados para que não se corrompa seu significado como então aconteceu com o nome Jesus, que é uma tradução do nome latino IESUS.

Então será mesmo que quando me dirigir em oração a este Deus e não invocar seu verdadeiro nome, estarei de fato me dirigindo a ele? Quando te chamam por outro nome que não seja o seu, você responde? As orações dos cristãos e dos judeus que, embora com sinceridade e devoção se dirigem a este Deus, elas são ouvidas por merecimento ou por misericórdia? Os profetas do passado tais como Isaías, Jeremias, Daniel e os próprios patriarcas Abraão, Isaque, Jacó e Moisés não invocam a este Deus pelo seu nome? O próprio Jesus no Novo Testamento como se dirigia a este Deus?

É fato que todas as civilizações antigas, todas elas tiveram suas experiências religiosas politeístas. Mas todas sabiam citar o nome de seus deuses e também sabiam o nome dos deuses que muitas das vezes não professavam. Mas, apenas o hebreus mantiveram-se monoteístas e apenas eles mantiveram o nome de seu Deus em segredo, pois em todas as vezes que foram confrontados em sua liberdade de culto religioso pelas demais nações, eles, os hebreus, afirmam que  “ não existe outro deus senão o  nosso”,  “ ao deus verdadeiro” ou o “Senhor dos Exércitos”. Mas, nunca jamais revelavam o seu verdadeiro nome diante de seus inimigos. Por conta disso o próprio povo judeu acostumou-se a invocar o seu Deus não pelo nome, mas pelos seus títulos, fato que acabou também contribuindo para as gerações posteriores não buscassem ou questionassem qual é o verdadeiro nome deste Deus.

Contudo, os judeus ortodoxos, garantem saber este nome e sua verdadeira pronuncia e são categóricos quando dizem que esse é um de seus tesouros assim como o era a Arca da Aliança e o grande Templo deles que então foi destruído pelos romanos e que hoje foi convertido no Muro das Lamentações. Talvez seja por conta disso que acusam os cristãos ao dizer que os judeus e os cristãos não cultuam o mesmo Deus.

Existem várias pesquisas e inúmeras tentativas já foram feitas para tentar se traduzir o mistério do tetagrama YHWH e muitas composições foram feitas para o nome deste Deus do Cristianismo e Judaísmo; Javé, Ieovah, Jeová, Yaho e etc, mas nenhuma destas atende a real pronuncia do nome porque seguem ou se baseiam pela pronuncia massorética do hebraico e não do hebraico paleolítico, pois foi nesta forma do hebreu arcaico que o nome deste Deus foi escrito. O desafio para o Cristianismo, portanto, é encontrar o nome verdadeiro de seu Deus e fazer jus a oração “Santificado seja o teu nome”. Talvez possamos entender porque existe tanto sofrimento no mundo e muitas das vezes este Deus parece se manter indiferente até mesmo quando muitos morrem tentando defender sua fé neste Deus. Os judeus ao sofrerem o Holocausto perpetrado pelos nazistas, sem dúvida clamaram ao seu Deus. Os cristãos quando torturados pelo Império Romano, também clamaram a este Deus. Os protestantes quando queimados vivos pela Igreja Católica, também o fizeram. Mas clamaram chamando-o como? Se este Deus não quisesse ser chamado pelo seu verdadeiro nome ele não o teria revelado a Moisés e declaro que assim seria chamado de geração em geração. Embora não saibamos o seu nome, existe de fato um Deus vivo, Onipotente, Onisciente e Onipresente e que tem salvado todo aquele tem sabe invocá-lo corretamente, mas também salva por misericórdia ainda que o indivíduo sequer saiba o seu Nome.