Desde o advento do Cristianismo que a Igreja Cristã passou a cobrar de seus fieis donativos e dízimos, isso não é nenhuma novidade. A própria Igreja Católica enriqueceu seus cofres assim. Todavia, àqueles eram tempos em que o homem vivia na ignorância, pois precisava da própria Igreja para entender as Escrituras Sagradas e tentar obter salvação de sues pecados. O Protestantismo veio justamente com o objetivo de reformar essa Igreja que havia caído em corrupção, mas o movimento acabou gerando uma separação dos dogmas da Igreja Católica, surgindo assim uma nova Igreja.  Mas a pergunta é? Essa corrupção dentro das Igrejas protestantes, deixou realmente de existir?

A Igreja Protestante, hoje denominada Evangélica, não é um movimento unificado haja vista cada Igreja dentre as muitas existentes dentro do movimento protestante, possuírem seus próprios dogmas e doutrinas religiosas. Mas, quando se trata de doutrinas e dogmas é questão de fé e nesse ponto não há o que se discutir, porque a Fé é uma experiência religiosa extremamente particular. Mas, quando se trata da obrigatoriedade das ofertas e dízimos o assunto se torna mais preocupante, porque é por meio disso que muitas Igrejas ditas evangélicas estão angariando vultosas quantias e que muitas vezes beneficiam não a Igreja, mas o proprietário da conta bancária para onde é depositada tais quantias.

É espantoso como muitos charlatões se especializam em negociar a Fé pública e até mesmo vender orações, bençãos e milagres. O dízimo é bíblico, era uma parcela que era doada para a tribos dos levitas (sacerdotes), pois enquanto as demais tribos trabalhavam para seu sustento, os levitas se ocupavam única e inteiramente aos serviços religiosos, e diga-se de passagem que estes donativos nem sempre eram por meio de moedas ( dinheiro), mas produtos. A tradição segue que as Igrejas precisam ser mantidas pelos fieis para que os pastores e bispos de uma determinada Igreja possam se ocupar, assim como os levitas, unicamente das coisas de Deus. Já as ofertas é algo voluntário, é uma iniciativa da própria pessoa. Todavia, é nesse quesito que os charlatões se especializam, pois induzem às pessoas que a partir de uma boa oferta dada a Igreja, elas podem alcançar mercê diante dos olhos de Deus, e alcançar assim um milagre ou uma benção. Muitos desses charlatões tem a arrogância se quererem ser verdadeiros intercessores entre o homem e Deus, pois vendem descaradamente suas supostas orações intercessoras.

Recentemente tive uma experiência nesse sentido. Navegando pela minha rede social, encontrei diversos vídeos de alguns pastores exaltados, que volta e meia gritam em uma suposta língua desconhecida e que por meio de lives,  induzem os internautas a compartilharem o vídeo e também adicionar um numero de whatsapp.  Assim que a pessoa adiciona o whatsapp e entra em contato obviamente pedindo, solicitando uma oração para a solução de algum problema, a resposta imediata é feita de forma plural, pois as mensagens são direcionadas para um apelo publicitário da própria igreja em questão e por fim é enviada um número de uma conta bancária de uma pessoa física, que no caso é o próprio pastor dessa igreja, onde é pedido que se faça uma transferência de R$ 100,00.  Essa solicitação é feita mascarada por meio de um voto que essa pessoa faria com Deus. Percebam o golpe!

Imaginem que muitas pessoas passando por problemas  e de repente se deparam com um vídeo desse nas redes sociais, e por um momento depositam fé naquilo que ouvem e veem, justamente porque estão fragilizadas. O vídeo é feito justamente para essas pessoas, porque são elas as mais fáceis de serem induzidas. Mas, uma pessoa esclarecida perguntaria justamente : porque o voto com Deus precisa ser de forma monetária? Quando uma pessoa faz um voto com Deus, ele não é sob coerção. É algo extremamente particular entre Deus e essa pessoa e somente ela sabe de suas condições de cumprir um voto feito a Deus. Não cabe a ninguém, nem mesmo a um pastor de uma Igreja Evangélica, estipular o objeto de troca desse voto, muito menos estipular um valor. Outra questão é que a conta bancária é uma conta de uma pessoa física e não jurídica. Ou seja, a transferência feita está caindo na conta do próprio pastor que se ver enriquecido a custa dos fiéis que infelizmente estão se deixando enganar.

A performance deles nesses vídeos seria cômica se não fosse trágica; usam de um tom de voz  forte, gritando e falando em línguas desconhecidas dando a entender que recebem o Espírito Santo, sempre fazendo menção aos problemas de forma plural na vidas das pessoas, decretando em nome de Deus mudança de vida para as elas, induzindo-as a fazerem suas ofertas e donativos.

Quando confrontei um destes pastores sobre o porque a oferta ser sempre em dinheiro, e porque a pessoa, por exemplo, não poderia fazer uma ação de caridade e doar uma cesta básica para uma família carente ou mesmo entregar uma certa quantia para um mendigo ou criança em situação de rua ao invés de doar dinheiro para ele. Deus não ficaria contente? E a resposta dele foi me bloquear, por que percebeu que eu não estava ali como tantas outras, enganada, mas sim para questioná-lo e denunciá-lo diante das pessoas. Pelas leis de Deus eles certamente serão punidos no seu devido tempo, mas nas leis dos homens também podem, porque charlatanismo é crime.