Redesignação sexual no Brasil

A tão sonhada cirurgia de redesignação sexual ao contrário do que muitas pessoas pensam, é um desejo de uma pequena parcela da população transexual no Brasil. Diante disso muitos questionamentos surgem e um deles sem dúvida é o grande medo que muitas pessoas trans possuem de perder a sensibilidade e de não mais obter prazer durante o coito.

Atualmente apenas 5 hospitais realizam a cirurgia de neovaginoplastia pelo SUS:  O Hospital das Clínicas de Porto Alegre, HC de Goiânia, HC de Recife, HC de São Paulo e o Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ). O processo transexualizador exige acompanhamento ambulatorial com equipe multiprofissional. O usuário do ambulatório precisa ter, no mínimo, 18 anos, enquanto o candidato à cirurgia precisa ter a partir de 21 anos. Mas, para isso, é preciso que essas unidades sejam habilitadas pelo Ministério da Saúde e tenham equipes mínimas, com médico, psiquiatra, endocrinologista, clínico, enfermeiro, psicólogo e assistente social. Para fazer cirurgias, é exigido ainda um ginecologista obstetra, urologista e cirurgião plástico.  De 2008 até 2014, foram feitos 9.867 procedimentos, entre as cirurgias de redesignação sexual (mudança de sexo), mastectomia (retirada da mama), histerectomia (retirada do útero), plástica mamária reconstrutiva (incluindo próteses de silicone) e tireoplastia (extensão das pregas vocais para mudança da voz), além de terapia hormonal.

Por conta disso, a fila de espera nesses hospitais atinge números absurdos já que essas unidades hospitalares realizam em média apenas uma cirurgia a cada dois meses. Embora essa incongruência ainda não tenha sido explicada de forma satisfatória, o fato é que pessoas transexuais que buscam tratamento transexualizador pelo SUS no Brasil ficam refém dessa situação.

Para tentar amenizar a grande demanda que muitos desses hospitais estão tendo ou para facilitar o acesso a esse processo transexualizador, outros centros estão tendo a iniciativa de montar ambulatórios na prestação desse serviço. Exemplo disso, é o Hospital Universitário Presidente Dutra em São Luis-MA, que já conta com uma equipe multidisciplinar para garantir que pessoas transexuais que queiram e precisam de terapia psicossocial e de hormonioterapia.

Mas se a demanda para de readaptar o corpo de acordo com o que dita o seu psicológico faz com que muitos façam uso de hormônios de forma desenfreada e até mesmo de intervenções cirúrgicas como aplicação de silicone industrial, porque quando se trata da troca de sexo propriamente dita grande maioria recua? Será por pura falta de conhecimento de suas próprias reações no que diz respeito a sua sexualidade?

De acordo com o psiquiatra Alexandre Saade, o processo transexualizador serve exatamente para isso, para que a pessoa transexual possa realmente tomar ciência do que é e do que deseja e por meio de apoio e aconselhamento possa decidir-se a fazer a cirurgia de redesignação sexual, mas tendo sempre como base análises psíquicas, psicológicas e clínicas.  Ainda de acordo com o psiquiatra a pessoa em hipótese alguma é induzida a tomar qualquer tipo de decisão. Alexandre Saade ainda ressalta a importância do acompanhamento do processo transexualizador por profissionais da saúde. “A questão cirúrgica ainda precisa de um aval psiquiátrico, de uma equipe de saúde. Não como doença, um diagnóstico não significa que ninguém está doente. Eu, como médico, preciso justificar o que estou fazendo. Sem diagnóstico vira estético, é plástica. E essa questão pra mim não é estética, isso não é plástica. É uma questão fundamental pra vida dessas pessoas. Se a pessoa quer passar por tratamento hormonal e cirurgia, deve passar por uma avaliação médica. É isso que eu defendo”, afirma.

Outro ponto enfatizado pelo psiquiatra é a tão melindrada perda de sensibilidade após a realização da cirurgia. O médico afirma que não existe perda de sensibilidade, mas destaca que ocorre mudanças. “Aqui no Brasil, a técnica mais utilizada tira corpos cavernosos, testículos, aproveita a pele escrotal pra fazer grandes e pequenos lábios, invagina a pele do pênis, tem técnicas pra construir um clitóris. Faz-se um buraco virtual onde não existia, entre o intestino e a próstata; passa a pele pra dentro, e, na hora que for permitida a penetração – geralmente depois de seis meses feita a cirurgia – é super funcional, dá prazer porque você mantém as terminações nervosas. A sensação de orgasmo é diferente da que se tinha antes. Mas, se tem prazer. O orgasmo é psíquico, mas tem uma estimulação nos homens acompanhada pela liberação do esperma. O esperma saindo sob pressão na uretra produz uma estimulação uretral que é prazerosa, e perde-se a ejaculação, pois não há mais testículos. Resta o orgasmo psíquico, não há a estimulação de passagem de nada na uretra” explica.

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É justamente nesse ponto onde muitas transexuais acabam desistindo de realizar a cirurgia, porque a mudança não será apenas estética, mas também psicológica onde ela terá que se readaptar ao seu novo corpo também no aspecto da satisfação sexual, e algumas temem não conseguir realizar tal tarefa.

De fato o nível de aceitação que algumas transexuais possuem diante do seu próprio pênis é algo a ser considerado para que se possa diagnosticar se ela está ou não apta para fazer a redesignação sexual uma vez que o processo é irreversível.

            Maria Eduarda (SP), mulher transexual recentemente operada, nos conta um pouco de sua experiência e cita que apesar de todo o sofrimento do pós-operatório, a sensação de felicidade por se ver livre da parte que a descaracterizava como mulher, é maravilhosa. “Ainda sinto muitas dores devido aos pontos. Lembro que acordei depois da cirurgia  sentindo muita fome e só no dia seguinte comecei a sentir dores, uma queimação, uma espécie de ardor, mas aí me aplicavam medicação intravenosa e passava. Fiquei assustada quando vi minha vagina pela primeira vez por que ainda estava muito inchada e roxa, mas eu sabia que essa era uma aparência passageira já que o processo de cicatrização ainda não estava concluído. A parte chata é que você precisa manter resguardo de 6 meses e depender de ajuda para fazer as coisas mais simples, pois não posso fazer esforço algum e as sessões de dilatação que preciso fazer de 3 vezes ao dia. Como está muito recente, eu ainda estou sentindo muita dor quando ando, tenho a sensação que algo está se repuxando dentro de mim, algo sendo pressionado. Mas tudo isso de acordo com os médicos será normalizado nesta fase pós-operatório”, enfatiza.

            Quando questionada sobre a perda ou não de sua sensibilidade, ou se ela terá lubrificação e se vai poder ter orgasmos, Maria Eduarda, esclarece que recebeu a orientação que essa avaliação só poderá ser feita após o término de seu resguardo. “Ainda não sei dizer como vai ficar a parte funcional, se vou ter lubrificação, orgasmo ou se vou ter a profundidade adequada. Confesso que me assustei quando vi pela primeira vez minha neovagina e até comentei com o médico que achei o clitóris um pouco grande, mas fiquei mais aliviada por que também fui informada que em muitos casos, quando for necessário, outros retoques poderão ser feitos”, explica.

            O caso de Maria Eduarda é um divisor de águas no debate sobre a necessidade da cirurgia de redesignação sexual, por que ele toca justamente na parte delicada da satisfação sexual e satisfação com a própria identidade de gênero. Para Maria Eduarda, livrar-se da genitália masculina era algo de vital importância para que ela se reafirma-se como mulher diante da sociedade heteronormativa e que entende que uma mulher para ser mulher precisa de uma vagina. Ela  não só deixou de ser uma transgressora dessa norma como ainda de acordo com seu depoimento, está muito mais feliz consigo mesma e com o seu corpo porque agora não existe nada nela que a deslegitime como uma mulher. Mas a pergunta que não quer calar é: Maria Eduarda será de fato encarada pela sociedade como uma autêntica mulher ou será sempre uma transexual?

 

 

 

 

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Os nephilins

Grande parte dos teólogos de toda sorte de denominações religiosas já se depararam com este debate a cerca dos nephilins ( caídos) citados no livro bíblico intitulado Gênesis (Gen. 6:4-14). Embora a citação que se faz desses seres no livro bíblico seja bem resumido e sucinto, ele encerra um grande debate sobre a própria natureza dos próprios anjos, bem como de seu caráter se levarmos ao pé da letra aquilo que nos foi ensinado pela Cristandade. “Naqueles dias existiam gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos”. Esta afirmação que dividido opiniões e teses de doutores da teologia, católicos ou evangélicos por que aborda um assunto que a própria Igreja Cristã Primitiva nunca quis comentar: O sexo dos anjos e o seu livre arbítrio.

Percebe-se que quando o livro de gênesis cita os nephilins, os gigantes da terra, logo após vem a sentença do dilúvio universal e que exterminou toda sorte de vida que exista em terra seca e que não se encontrava junto com Nóe e sua família na Arca.  A principal causa do dilúvio como o próprio livro continua narrando foi que a violência tinha se multiplicado sobre modo na face da terra. Violência esta promovida pelos poderosos da antiguidade os gigantes, nascidos da união entre anjos e humanos.

Mas, porque os anjos de Deus, tendo um lugar reservado nos Céus e supostamente um ser que está acima dos mortais humanos desejariam ter relações sexuais com humanos? Está pergunta é o cerne da questão, porque poderá dar sentido a existência dos nephilins. O livro de Gênesis não nos narra em detalhes como esse fato aconteceu e nem seus reais motivos. Já um outro livro e que foi considerado apócrifo pela então Igreja Primitiva, o livro de Enoque, conta de forma detalhada sobre essa transgressão cometida por cerca de 200 anjos.

O que se percebe de forma nítida nesse contexto é que esses anjos cometeram não apenas um ato de rebelião contra as leis do Céu ou contra o Deus Criador, mas também desejaram ser eles próprios deuses. Pois tanto, em Gênesis como em Enoque o que se percebe é que esses anjos ao abandonarem suas posições nos Céus estavam cientes de suas transgressões e da própria punição que disso resultaria. Mas, ainda assim tiveram a ousadia de tentar imitar o Deus Criador, para que diante dos homens fossem adorados como deuses. Trata-se de uma época imemorável, já que aqui fala-se de fatos antidiluvianos e que as civilizações que então estavam florescendo, foram todas destruídas, nos restando apenas poucos fósseis e nenhum documento escrito sobre isso. De fato, quando todas as civilizações falam sobre a catástrofe do dilúvio elas o fazem após milênios, e o que foi preservado como memória disso foi sem dúvida repassado pela tradição oral por meio de histórias que com o passar dos anos tomaram o ar de mitos.

Mas, voltando a ponto sobre a rebelião desses anjos e de sua ousadia em querer ser deuses diante dos homens, eles precisariam evidentemente imitar o próprio Deus Criador, doador da vida na terra, de homens e de animais. Mas teriam eles esse poder? A Bíblia nos diz que Deus criou o homem do pó da terra, assim como todas as plantas e os animais. O próprio planeta, o universo passaram a existir apenas por meio da sua Palavra, ordenando que as coisas existissem do nada. Como então imitar este Deus Criador?  Embora somente o Deus Criador seja Onipotente, não nos esqueçamos que os anjos também possuem poderes porque foram criados antes da luz (universo) e para servirem a este Deus e seus desígnios e para isso necessitavam ter poder. Quando então se pretende criar uma nova forma de vida e não se tem o poder de criá-la do nada como fez o Deus Criador, deve-se tentar fazer  uma cópia daquilo que simplesmente já existia. Esta foi a real intenção dos anjos rebeldes se unirem com mulheres: a criação de uma nova raça de humanos. Uma raça híbrida.

   Neste ponto àqueles que defendem a idéia que anjos não têm sexo, não poderiam ter, portanto relações sexuais com estas filhas dos homens. Mas, o que estes não entendem e descartam de forma tola, é o poder que estes anjos possuem de se materializarem e assumirem as formas que bem desejarem.  Ló quando recebeu dois anjos em sua casa, eles se apresentaram diante dele não como um ser espiritual e de luz resplandecente, mas como homens, pois cearam em sua casa e conversaram com Ló como a um amigo. Então enxergar a natureza angélica de forma sexista tal como nós, humanos estamos limitados, é tentar simplificar os poderes desses seres angelicais.

No livro de Enoque, ele não só fala que esses anjos rebeldes, que ele chama de Sentinelas ou Vigilantes do Céu, se relacionaram sexualmente com mulheres com o objetivo de gerar uma nova taça de humanos, como eles também ensinaram toda sorte de mistérios a esses homens tais como a escrita, a arte da guerra, a ciência, a astronomia, a matemática, a manufatura, os cosméticos, encantamentos (bruxaria), e  toda sorte de conhecimentos.  Neste ponto eu acredito piamente que estes Vigilantes do Céu tinham uma missão a ser cumprida na Terra em proveito dos homens (guiá-los e instruí-los nesses conhecimentos, porque diga-se de passagem, não foram ruins para a humanidade). Mas durante esta missão eles simplesmente se deixaram corromper por Satanás e seus anjos (a primeira rebelião no Céu), e que lhes incutiu este desejo de serem eles próprios deuses, e não simplesmente servirem a criaturas mortais como os humanos.

Estes anjos então seduzidos por este desejo de serem deuses abandonaram sua missão primordial de instruir os homens, e passaram a enganá-los afirmando que eram deuses e como prova disso começaram a criar monstruosidades híbridas na vã tentativa de imitar o Criador. Assim, tentaram unir os genes de toda sorte de animais com humanos e o resultado disso foram monstros que nos dias de hoje povoam apenas nos mitos: centauros, medusa, minotauro, gárgulas, dragões, quiméria, grifo, harpias, sereias e etc. Mas, a coroa da criação seria a de uma nova  raça humana e como fazer uma nova raça humana superior? Unindo aquilo que é meramente terrestre e mortal, com aquilo que é celestial e eterno (divino). O resultado disso foram os gigantes, os nephilins citados na Bíblia e que então passaram a dominar toda a terra.

  Mas, como era este domínio? Os gigantes, filhos dos anjos rebeldes de acordo com Enoque atingiam mais de 8 metros de altura, evidentemente que eram muito mais poderosos quer em questão de saúde, como em força, longevidade e sentidos, e com essas habilidades foram capazes de dominar todas as demais civilizações dessa época. Aqueles que não eram híbridos, ou seja, os humanos, viram-se forçados a crer que estes anjos os Vigilantes do Céu, eram deuses que visitaram a terra para lhes trazer toda sorte de conhecimentos em seu benefício. Não é à toa que os anais da história de todas as civilizações nos apontam o politeísmo como a religião predominante da antiguidade, onde existia um grande panteão de deuses que se arvoravam a divindade para diversos setores da vida; deusa da Agricultura, deus dos mares, deus das tempestades, deusa da fertilidade, deus do céu, deus da morte, deusa da sabedoria, deusa do amor, deus da guerra e etc.

Outro ponto a ser destacado é que, com o surgimento destes gigantes a dieta da raça humana também foi alterada, por que de acordo com a própria Bíblia a Terra clamou por conta da grande violência que nela se fazia e do sangue que nela era derramado. O livro de Enoque endossa essas palavras afirmando que a terra já não podia mais sustentar os gigantes que a estavam devorando e que quando já não havia mais nada para alimentá-los eles se voltaram contra os próprios homens a fim de devorá-los.  Subentende-se que foi somente nessa época, após um grande espaço de tempo em que os gigantes dominaram sobre a terra, é que os homens se voltaram para o Deus verdadeiro clamando por sua justiça e salvação.

A resposta do Deus Criador foi o dilúvio que exterminou com essa raça de gigantes e com todos os ímpios que se voltaram para adorar os anjos rebeldes como seus deuses, abandonando o verdadeiro Deus Criador dos Céus e da Terra.  Mas, e o que aconteceu com os anjos rebeldes nesse meio tempo? Eles que se haviam espalhado pela face da terra se auto intitulando como deuses não puderam impedir o dilúvio e assim tiveram que presenciar a destruição de toda a sua criação; tanto animais como os gigantes. E ao verem a terra completamente devastada e não achando mais lugar nela para si, resolveram se desmaterializar e voltar para os Céus. A bíblia no livro de Judas e o Livro de Enoque nos afirmam categoricamente que estes anjos foram severamente castigados pelo Deus Criador que, subjugando-os, os lançou em um abismo profundo de trevas chamado Tártaro, onde permaneceriam acorrentados até o dia do juízo final.

Deus então lavou o mundo e extinguiu com a raça dos gigantes na terra e toda sorte de perversidade de hibridização que os anjos rebeldes haviam feito na Terra. Todavia, as gerações pós-dilúvio jamais se esqueceriam dessa história, repessando-a como história e tradição para as gerações futuras de como que uma vez que as civilizações voltaram a florescer, cada qual incorporando-a com novas histórias que a grosso modo podem parecer serem distintas, mas que se desmembradas todas, sem exceções, irão apontar para o fato que os deuses visitaram a terra e tiveram filhos com os homens, e que gigantes já habitaram na terra.  Basta vasculhar, pesquisar e estudar os mitos da Mesopotâmia, Egito, Grécia, Incas, Astecas, Maias, Chineses, Romanos, Indianos, Vikings e etc.

Alguns vão questionar porque o próprio Santanás e seus anjos nunca tentaram fazer isso antes, preferindo induzir que outros anjos o fizessem. Mas, a resposta está na própria sagacidade de Lúcifer que já foi intitulado como o anjo mais belo e inteligente da criação, pois ele saberia que esses anjos rebeldes por terem interferido de forma direta na criação divina seriam severamente punidos. Embora Lúcifer deseje em seu coração ser semelhante ao Altíssimo, ele é suficientemente inteligente para encontrar meios mais perspicazes para fazer isso, como então tem feito ao longo de tida a história da raça humana.

Mas, nunca se pode subestimar as intenções do maligno. Exatamente por isso eu acredito piamente que as intenções de Lúcifer ao induzir estes anjos a tentar ser deuses, tocando na natureza e se relacionando sexualmente com os humanos, foi tentar corromper a raça humana para que a promessa da vinda do Messias não pudesse se realizar, já que o próprio Deus na pessoa do Filho, desceria na terra como um homem nascido de uma mulher.

Para os mais céticos, eu deixo o desafio de encontrarem respostas entre os próprios mitos de todas as civilizações politeístas e tentarem desassociar os relatos referentes ao dilúvio e aos gigantes ou semideuses.