O caos da Saúde no Maranhão

A Saúde no Maranhão tem demonstrado a cada dia que passa tristes sinais que está entrando em um quadro de colapso preocupante. Basta uma simples visita pelos hospitais públicos espalhados pela cidade de São Luís, por exemplo, para que essa situação se mostre da forma mais latente.  Recentemente necessitei de serviços hospitalares e ao recorrer ao atendimento do SUS, dei-me conta que pequenos entraves como falta de capacitação de profissionais para realizarem um bom atendimento, falta de medicamentos, materiais hospitalares e até mesmo médicos, são os fatores que parecem nunca serem solucionados pelas Secretarias estadual e municipal de saúde.  Ao tentar realizar uma simples sutura no lóbulo da orelha esquerda, por exemplo, tive que perambular por diversos hospitais públicos como Socorrão e Upas, simplesmente porque na ocasião, ou eram medicamentos e materiais que faltavam ou eram médicos disponíveis para fazer a microcirurgia.

Em outras circunstâncias deparei-me com situações vergonhosas, tristes e calamitosas onde pessoas sofrendo de dores ou simplesmente necessitando de atendimento médico eram simplesmente destratadas por enfermeiros ou atendentes sem nenhum tipo de preparo pata lhe dar com a vida humana o que precariza ainda mais o atendimento desses hospitais públicos.  Outro ponto que merece destaque enquanto denuncia é a questão da infraestrutura dos próprios prédios onde funcionam esses hospitais, e aqui tomo como exemplo a UPA da Vila Luizão, que não possui salas de atendimento e de espera adequada para os pacientes, como também não condiz com um ambiente hospitalar no que tange higienização.

O fato é que a população fica refém dessa situação que entra gestão e sai gestão e esses problemas nunca são solucionados e parece que tornou-se crônico que a saúde no Maranhão tenha que funcionar de forma tão precária. Acredito eu que investimentos financeiros são sem dúvida o pilar para que o SUS no Maranhão funcione de forma eficaz, mas não se pode descartar que é preciso que o Governo do Estado invista também em ações constantes de fiscalizações no que tange colher denuncias contra o mau funcionamento de unidades hospitalares, como também implementar melhorias nessas unidades levando em consideração a valorização da vida com um atendimento mais humanizado. É por conta disso que torna-se inadmissível irregularidades dentro de uma Secretaria Estadual ou Municipal de Saúde.  Por que em cada uma dessas irregularidades encontradas significa dizer que pessoas estão deixando de ser atendidas ou bem atendidas nos hospitais; que pessoas estão morrendo por falta de medicamentos, materiais, médicos e leitos em hospitais.  E se o cidadão de bem tem direito aos serviços médicos das mais variadas formas, de acordo com o que dita a própria Constituição Brasileira, é preciso que esse cidadão fique atento aos seus direitos e saber reivindicá-los ou mesmo fazer uma avaliação de uma gestão que se mostrou ou não incapaz de solucionar os problemas que até então tem sido crônicos na área da saúde do Maranhão.

Falta de transparência em contratos com associações folclóricas no Maranhão deixam margem para casos de fraudes

Com a aproximação do festejo junino no Maranhão as Secretarias Estaduais e Municipais de Cultura precisam ficar atentas para os diversos casos de fraudes e má uso da aplicação dos recursos que são repassados para as Associações folclóricas que com esse dinheiro alegam está fazendo investimentos em suas produções. Se faz este alerta, não apenas porque trata-se de dinheiro público que está sendo injetado em associações privadas, mas também por que trata-se de contratos contraídos junto a essas secretarias para que se faça belas apresentações de bumba meu boi, quadrilha e demais danças folclóricas , e diga-se de passagem, apresentações de qualidade.

O fato é que a Secretaria Estadual de Cultura e Turismo do Maranhão, assim como a Secretaria Municipal de São Luís, por exemplo, deveria exigir verdadeiras auditorias junto a essas associações para constatar como esse dinheiro está sendo aplicado, pois ao que tudo indica, muito desse dinheiro está indo parar apenas no bolso de presidentes dessas associações. Recentemente o Boi Brilhoso do Sol e Mar foi denunciado sobre esse caso o que comprova a falta de seriedade que tramita quando se estabelece um contrato entre essas secretarias e associações folclóricas.

É evidente que um grupo de Bumba meu Boi requer muitos custos e gastos para que ele faça uma boa apresentação tais como, logística, transporte, orquestra, indumentárias, coreógrafos e etc. E exatamente por conta disso os presidentes desses grupos  sempre recorrem ao poder público para viabilizar essa ajuda de custo para poder manter-se. Então porque não exigir uma prestação de conta desses recursos? Até mesmo os próprios brincantes de muitas desses grupos de bumba meu boi, que são uma parte essencial dessas apresentações, se quer tem noções , por exemplo, qual o valor que essas associações receberam dessas secretarias.  Fica o alerta para que caso essas auditorias não sejam feitas, o caso pode ser sempre denunciado ao Ministério Público, para que tanto as Secretarias  – Estadual e Municipal- de Cultura  como também essas associações prestem conta de todo esse dinheiro.

 

Teste do sofá ainda é aplicado para recrutamento de jornalistas em São Luís

Na última semana a TV Metropolitana anunciou abertura de um processo seletivo para jornalistas atuarem nas funções de repórter, produtores, editores e etc em São Luís. O anúncio rapidamente viralizou pelas redes sociais e grupos de whatsapp onde pessoas ávidas por uma vaga de emprego começaram a corresponder ao anúncio, enviando seus currículos profissionais para concorrem às vagas ofertadas.  Os responsáveis por esse processo de recrutamento ainda de acordo com o anúncio eram o jornalista Henrique Paz e o radialista Samir Ewerton. Eu como as demais pessoas que estão em busca de uma vaga de emprego no mercado de trabalho tão escasso para jornalistas, apostei e enviei meu currículo e que para minha decepção, consternação, e perplexidade me foi respondido da seguinte forma como então passo a mostra nos prints de uma conversa via whatsapp:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O homem que aparece nessas conversas é o radialista Samir Ewerton que de forma despudorada foi imediatamente insinuando que para que a vaga fosse minha eu deveria ter relações sexuais com ele, enfatizando que tinha uma fantasia em ter relações sexuais com uma transex. Embora eu tentasse levar o assunto para o âmbito profissional no que concerne o processo seletivo de jornalistas anunciado para a TV Metropolitana, Samir insistia na conversa de teor sexual, fazendo as mais absurdas perguntas até que deixou bem claro que a vaga poderia ser minha se eu me submetesse às suas fantasias sexuais em ser sodomizado por uma transex.

Logo após este incidente entrei em contato com o Henrique Paz, o responsável que estava à frente desse  processo de recrutamento e ele afirmou  primeiro que não conhecia  o Samir, mas após algumas perguntas e ver o print das conversas teve que assumir que o conhecia e que Samir tinha a intenção de colocar no ar na TV Metropolitana um programa e que ia precisa de profissionais da comunicação e que por conta disso tinha colocado o e-mail dele no anuncio.

O fato é que ainda que o Samir não faça parte da TV Metropolitana, ele usou desse estratagema de um processo seletivo de profissionais para trabalharem na Emissora, para fazer um assédio sexual à minha pessoa. Sinto-me indignada com essa situação não só por que trata-se de uma prática recorrente no mercado de trabalho para jornalistas, pois não é a primeira vez que sofro esse tipo de assédio quando busca  uma oportunidade de emprego como jornalista, mas também percebo claramente a existência de um preconceito latente contra a participação de pessoas transexuais no mercado de trabalho e o Samir sabedor desse fato, usou sem duvida desse artificio para impor sobre mim a alternativa de ter que transar com ele para poder conseguir a vaga.

Levanto esta denuncia porque repito, não é a primeira vez que sou vítima dessa prática ao tentar uma vaga em algumas emissoras de Rádio e TV, e ressalto que embora eu seja uma transexual isso não diminui em nada minha capacidade profissional, e por isso mesmo não admito ser desrespeitada dentro do meu profissionalismo. Acredito que a ética profissional deva existir como a regra básica de respeito entre empregado e empregador, chefe e subordinado e que assédios sexuais no ambiente de trabalho devem ser sempre denunciados.

A exclusão dos transgêneros do mercado de trabalho no Brasil

     IMG-20150509-WA0006 Quando se fala em competitividade no mercado de trabalho, travestis e transexuais ainda estão muito aquém dessa possibilidade. Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA/ 2015), cerca de 90% estão se prostituindo para poder obter os recursos mais básicos de sobrevivência. É um fato preocupante, porque mostra o quanto travestis e transexuais são discriminados no mercado de trabalho. Além disso, por conta do preconceito, muitos acabam marginalizados o que contribui para a disseminação da transfobia, uma vez que se tem a tendência de encarar os transgêneros, como “transgressores” dos tabus sociais. É quase como se existisse uma convenção social para a exclusão de travestis e transexuais do mercado de trabalho, pois é raro ver transexuais cotadas em profissões de alto escalão. Talvez, por conta disso a maioria recorre à prostituição e até mesmo ao próprio mundo do crime, pois na luta por seus direitos percebe-se que as pessoas trans, pouco apoio possuem, e essa segregação acaba gerando conflitos sociais. É preciso que se entenda que a exclusão social sofrida por travestis e transexuais é uma questão estrutural e que tem base na formação cultural e educacional da sociedade brasileira.

     De fato, a identidade de gênero começa na infância, e a pessoa acometida por esse transtorno necessita de um apoio psicossocial não só para que entenda a si próprio e se estabeleça a valorização da identidade diante dos demais. Infelizmente o que se percebe, é justamente o contrário, a pessoa trans no Brasil, ver-se acuada desde à infância a esconder sua identidade, sofre bullying na escola, no seio familiar sofre constantes repreensões ou mesmo atos de violência, e quando por fim chega à fase adulta, percebe que precisará enfrentar a própria sociedade e suas regras estabelecidas. A sociedade ver nisso uma transgressão e a punição é justamente a exclusão social.

     Percebe-se, portanto, que o Brasil não apenas necessita de políticas públicas específicas que garantam os direitos de pessoas trans, como também faz-se necessário uma reforma no sistema educacional para que se estabeleça novos conceitos sobre a identidade de gênero, pois a própria palavra preconceito já pré-define que é um grande erro conceber conceitos antecipados de pessoas apenas por pertencerem a uma identidade de gênero diversa. Então se a inserção de travestis e transexuais no mercado de trabalho é uma problemática que vai muito além da quebra de preconceitos, qual seria a solução para reverter-se esse quadro? Umas das soluções encontradas pela Prefeitura Municipal de São Paulo por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, foi o Programa Transcidadania.

     O projeto tem por objetivo a reintegração social e a reinserção das travestis e transexuais no mercado de trabalho por meio da capacitação através de cursos profissionalizantes, além da própria conclusão do ensino fundamental ( Educação de Jovens e Adultos – EJA) e do incentivo de uma bolsa no valor de R$ 840,00. A pergunta é: as transexuais e travestis mesmo capacitadas e gabaritadas são aceitas pelas empresas? Embora, seja um fato que a evasão escolar é um grande problema na vida de pessoas trans, essa certamente ainda não é a melhor solução para incluí-las no mercado de trabalho. De acordo com a ativista Daniela Andrade, ativista transexual do Fórum da Juventude LGBT Paulista, e formada em Análise de sistemas a discriminação da identidade de gênero nas empresas se dá por conta do machismo. “Empresas dominadas por homens geralmente se incomodam com a presença de uma mulher trans.

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     Gera-se uma cultura organizacional de ter medo de se aproximar, de falar um oi, de chamar para almoçar, de dar tchau, de se relacionar profissionalmente. É visível o desconforto ao saberem que vão trabalhar e, de repente, ter o mesmo salário ou um salário menor que uma mulher trans”, afirma. É importante ressaltar que a capacitação profissional é de vital importância nesse processo de inclusão, mas não se pode descartar que todo profissional independente da área não é e nunca será autossuficiente, e talvez seja nessas horas que a cultura organizacional de uma determinada empresa possa ser melhor definida abrindo vagas não exclusivas, mas inclusivas para pessoas trans, pois a valorização do trabalho não está em quem o executa, mas o que se executa.

     4233330É justamente essa diferenciação que precisa ser implementada na cultura organizacional de grande maioria das empresas brasileiras, e nisso concentra-se incentivos que vão desde à ética profissional até ações pontuais que demonstrem que as relações interpessoais no ambiente de trabalho podem co-existir apesar da diversidade da identidade de gêneros. É nesse contexto que organizações como o Instituto Brasileiro de Políticas Públicas – IBRAPP, incentiva a participação não só de pessoas trans em seu quadro funcional de colaboradores, como também procura estabelecer em seu próprio código de ética o respeito à dignidade de todo e qualquer profissional independente da orientação sexual ou identidade de gênero.

     De acordo com o IBRAPP, o Brasil ainda é um país carente de educação em muitos aspectos, e um deles está justamente na questão da aceitação da diversidade sexual, por que isso não é ensinado nas escolas, e o aprendizado sobre isso sempre se dá de forma nociva. Outro ponto destacado pelo IBRAPP, é que grande maioria dos empresários não está preocupada com questões sociais e se eximem de poder ser co-participativos na solução de problemas sociais.

     Talvez o maior mal nessa segregação dos transgêneros seja a negação de direitos humanos em ter acesso ao mercado de trabalho bem como poder estudar, capacitar-se e exigir respeito à sua identidade. Por conta disso, se faz necessário também a criação de uma agenda de debates públicos e de movimentos sociais que defendam estas causas, como, por exemplo, o seminário promovido pelo IBRAPP em parceria com a Secretaria da Mulher no Estado do Maranhão, onde criou-se a partir de então processos que ainda estão em construção tais como a possibilidade de pessoas trans serem chamadas e identificadas por meio de seu nome social, banheiros exclusivos, programas e campanhas de combate às DST e emprego e geração de renda visando a redução da prostituição desse segmento.

     IMG-20151017-WA0052Mas, tais ações, movimentos ou iniciativas se isoladas acabam perdendo a força em mobilizar a sociedade para que a situação das travestis e transexuais possa melhorar. O ideal é que esse conjunto aconteça em uníssono com as mídias e indústria cultural porque possuem a vantagem de incentivar as massas e pautar o debate público. Além disso, se se trata de políticas públicas para um determinado segmento da sociedade encarado como minoria, isso significa que o poder público também deve intervir por meio de projetos sociais que defendam essas pessoas, quer seja reestruturando a forma educacional hoje estabelecida na sociedade brasileira ou executando ações que minimizem a vitimização dos transgêneros .

     Pois, embora ainda sejamos considerados um país de terceiro mundo, podemos mostrar que somos capazes de superar agravantes como esses, e demonstrar que não é excluindo pessoas que se constrói um país de todos. Exemplo disso foram os seminários realizados pelo Instituto no ano de 2010 em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher – SEMU, onde formou-se uma agenda de debates e propostas acerca da inclusão social dos travestis que vivem em situação de vulnerabilidade social. Essa agenda, que ainda está em processo de consolidação, contempla a possibilidade de troca de nomes judicialmente, programas e campanhas de combate às DST’s, emprego e geração de renda visando a redução da prostituição desse segmento. Já para as comunidades quilombolas, que vivem quase reclusas da sociedade, o Instituto visa gerenciar projetos que as possibilite ter maior acesso e participação nas áreas da saúde, geração de renda, educação e cultura.

Guerra civil na Síria: uma luta por direitos humanos

     21A guerra civil na Síria, conflito que já se arrasta por quase 4 anos, já matou cerca de 200 mil pessoas, gerou mais de 3 milhões de refugiados e 2 milhões de desabrigados. Um número alarmante que tem causado grande preocupação na comunidade internacional por que a cada dia os conflitos só aumentam de proporção causando cada vez mais instabilidade em uma região já conhecida por suas guerras como o Oriente Médio.

     Mas, a situação na Síria que talvez mais provoque alarde na comunidade internacional não é apenas a disputa pelo poder entre Bashar al Assad com seus opositores, e sim a perseguição engendrada contra as minorias como os gays e os cristãos existentes naquele país. Nesta guerra civil não é apenas os sírios que estão sendo atacados, mas os conceitos de liberdade religiosa, expressão e direitos humanos, pois se o regime de Bashar al Assad intitula por meio de um código penal que é ilícito dois homens praticarem conjunção carnal ou “ atos não naturais” isso suscita não apenas a homofobia, mas agride os próprios direitos humanos universais quando atrela tal lei aos cânones da fé islâmica, pois é preciso que exista uma desassociação da religião e do Estado. De fato só em um Estado laico a democracia pode sobrepujar à ditadura. Como é possível que em pleno século XXI pessoas estejam sendo perseguidas, torturadas e executadas apenas porque professam um credo religioso encarado como minoria por uma determinada comunidade?

      Pulitzer-AP-PHOTO-MANU-BRABO_EDIIMA20130416_0187_13Quando ataques são feitos aos direitos humanos, é preciso que se entenda que não se trata de um ataque isolado, pois comunidades globais como os homossexuais e os cristãos sentir-se-ão ameaçados. Quando o direito de protestar, de reivindicar é negado a um povo, subentende-se que um duro golpe está sendo orquestrado contra a democracia. É nesse contexto que o movimento “Primavera Árabe” necessita do apoio das nações ocidentais, pois a luta pelo estabelecimento da democracia e por uma sociedade mais igualitária foi e continua sendo a luta pela qual o ocidente tanto se empenhou.

    Cidades como Raqqa e Idlib na Síria estão sendo dizimadas por milícias, facções terroristas e por represálias do exército sírio, e por conta disso, milhares de refugiados estão procurando abrigos nos países vizinhos e da Europa. E por que fogem? Não fogem apenas por conta dos dissabores causados pela guerra civil, mas por que não se sentem protegidos por uma tríplice perseguição; pela sociedade (delatores rebeldes), grupos terroristas como o Estado Islâmico e o Al-nusra, além do exército oficial sírio, pois todos de comum acordo têm perseguido os homossexuais na Síria, por exemplo. Embora essa perseguição e extermínio esteja sendo cometida em sua maior parte pelos grupos terroristas que, aproveitando-se da ocasião em que a “Primavera Árabe” chegou à Síria, pretendem implementar seus próprios interesses revolucionários no país (  destruir as instituições na Síria para contribuir para a criação de um Estado Islâmico, um Califado totalitário guiado pelo radicalismo Islã). Diante dessa perspectiva faz-se necessário uma intervenção internacional para que não seja perpetrado um verdadeiro genocídio contra os sírios, independente se são homossexuais A boy is treated by doctors and nurses after he sustained minor injuries from an airstrike in the Sha'ar neighborhood of Aleppo, Syria, on Friday, August 24, 2012.Nessa luta pela sobrevivência fugas mal sucedidas têm acontecido a todo instante; embarcações com superlotações naufragadas no mar mediterrâneo, esconderijos em covas, motores de veículos e porões de navios. O que assistimos é a fuga de um povo contra o extermínio, e exatamente por isso não podemos ficar parados apenas assistindo o desenrolar deste brutal conflito. Os refugiados pedem socorro e a assistência nesse sentido precisa ser dada por meio de uma gestão não apenas humanitária, mas também econômica, pois trata-se de pessoas que buscam melhores condições de vida. Esta é uma das grandes preocupações atuais da Organização das Nações Unidas – ONU, pois não basta apenas despejar pessoas em um grande deslocamento para outro país e torná-las miseráveis. Outro ponto preocupante é o caos que a imigração em massa pode causar para a economia de países emergentes.

     É nesse contexto que o Instituto Brasileiro de Políticas Públicas – IBRAPP tem procurado as embaixadas da Síria em Minas Gerais e o Comitê Nacional para os Refugiados – CONARE no Distrito Federal, com o objetivo de criar, junto a esses Órgãos, uma agenda ou plano estratégico a fim de oferecer ajuda a refugiados sírios, sobretudo, aos homossexuais, pois o IBRAPP acredita que, por se tratar de uma minoria seja a parte mais afetada nessa perseguição. Dessa forma, o IBRAPP pretende oferecer abrigo, trabalho e apoio psicossocial a refugiados que queiram escolher o Brasil como exílio.

This citizen journalism image provided by Shaam News Network SNN, taken on Sunday, July 22, 2012, purports to show a fireball in Homs, Syria. (AP Photo/Shaam News Network, SNN)THE ASSOCIATED PRESS IS UNABLE TO INDEPENDENTLY VERIFY THE AUTHENTICITY, CONTENT, LOCATION OR DATE OF THIS CITIZEN JOURNALIST IMAGE

 Essa iniciativa é uma prova que precisamos nos unir nesta luta e salvaguardar direitos elementares como liberdade religiosa, expressão ou orientação sexual. E independente das nossas diferenças ou interesses particulares precisamos entender que, nós enquanto seres humanos, fazemos parte de uma única comunidade, e exatamente por conta disso devemos estabelecer a fraternidade como um bem maior.

     Dessa forma, se a guerra civil na Síria fere os ditames da democracia e dos direitos humanos ela nos vitimiza porque atenta contra os preceitos elementares para se construir uma sociedade mais igualitária. E se somos atacados nesse sentido, precisamos demonstrar apoio e solidariedade ao povo sírio quer seja por meio de acolhimento, proteção, intervenção, retaliação ou simplesmente dizendo que eles não estão sozinhos.

Intolerância homofóbica no facebook

     As redes sociais, sem sombra de dúvida, nos dias de hoje são as ferramentas mais comumente usadas para estreitar relacionamentos, vendas e até difusão de ideologias. O facebook, por exemplo, já possui em todo o mundo bilhões de usuários, e outras  redes como o whatsapp estão ampliando seus horizontes quando o foco é a comunicação rápida, precisa e instantânea de forma multimídia. É claro que todo esse avanço tecnológico tem sido de extrema relevância para o mundo globalizado e ao mesmo tempo cosmopolita em que se vive. Todavia, se essas redes sociais tem esse poder de difundir ideias e ideologias, é preciso que uma política de vigilância e controle seja mantida em alguns casos de segregação étnica, sexual, filosófica, política e religiosa. Pois se essas redes têm um caráter de permitir a liberdade de expressão, esta, contudo, não pode ser confundida com argumentos de intolerância e que por fim resultem em agressões verbais ou até mesmo de incentivo a crimes.

"Procura um grupo de travestis,com certeza tem algum,aqui queremos é mulheres e não aidéticos como você! Presta atenção!! Não fica tirando onda que eu acho você e garanto que não será difícil!", afirma Jean Henrique Valois
“Procura um grupo de travestis,com certeza tem algum,aqui queremos é mulheres e não aidéticos como você! Presta atenção!! Não fica tirando onda que eu acho você e garanto que não será difícil!”, afirma Jean Henrique Valois

     O facebook , por exemplo,  possui uma ferramenta onde  denúncias desse tipo podem ser feitas ao próprio sistema de moderação da rede social e na falta de tais ferramentas as próprias postagens podem ser usadas como provas substanciais de crimes de intolerância. Jean Henrique Valois, usuário do facebook, postou recentemente em um grupo da rede, argumentos homofóbicos contra outro usuário do mesmo grupo. Tudo porque a travesti, Lohanna Pausini, publicou fotos suas posando ao lado do namorado e outras onde reafirmava sua orientação sexual. O  fato é que Jean Henrique Valois, não apenas limitou-se a  expor sua opinião, mas sim argumentos homofóbicos onde não apenas declara que a Lohanna Pausini não deveria está no grupo, por não ser heterossexual, como também chega a ameaçá-la de morte ao dizer que seus dias estão contados. Confira aqui acessando o facebook2

     O grupo já foi denunciado para análise no próprio sistema de moderação do facebook e como se trata de ameaças graves deve ser também levado diante das autoridades policiais para investigação. Jean Henrique Valois, pode ser indiciado por homofobia bem como por difundir  discurso de violência contra a comunidade gay. Além disso, pode ser também processado por perpetrar ameaças, o que de acordo com o código penal brasileiro prever detenção de até 12 meses ou prestação de serviços comunitários.

    O importante aqui lembrar é que, ainda que estejamos vivendo em pleno auge da liberdade de expressão, precisamos atentar que liberdade de expressão não pode ser confundida com discursos de violência. Pode-se ter ,por exemplo, o direito de ser contra o casamento gay, ou mesmo ter preconceito contra os gays. Todavia, quando você diz que é contra o casamento gay e que os gays não possuem esse direito porque não são pessoas normais, corre-se o risco de não apenas está sendo preconceituoso mas também homofóbico. E homofobia é crime previsto em lei.

Retrato da injustiça

imag1        Heberson,

     Nem sei como te dizer isso. Tateio pelas palavras certas há horas – elas me escapam. Claro que você já foi avisado e até leu no noticiário local, mas eu queria pedir desculpas. O governo do Estado do Amazonas questionou o valor da sua indenização. É, eles acham R$ 170 mil um valor muito alto pelos quase três anos em que você passou na cadeia, acusado de um estupro que não cometeu. Querem pechinchar pelo vírus HIV que infectou o seu corpo após os abusos sofridos atrás das grades. Seu sofrimento está “caro demais” para os cofres públicos. Como se algum dinheiro no mundo pudesse apagar o que você viveu.

    Até hoje, como naquele dia em que te entrevistei, sinto minhas tripas se revirarem. Lembro de você contando que tinha 23 anos e trabalhava como ajudante de pedreiro na periferia de Manaus quando o crime aconteceu. Uma menina de nove anos, filha de vizinhos, havia sido arrastada para o quintal durante a noite e violentada. A família o acusou de tamanha brutalidade e a delegada expediu um mandado de prisão provisória para investigar o caso. Você, que não tinha antecedentes criminais. Você, que divergia completamente do retrato-falado. Você, que estava em outro lado da cidade naquele horário. Mas você é pobre, Heberson. Pobres são presas fáceis para “solucionar o caso” e atender o clamor popular. As vozes que te xingaram ainda ecoam?

     “Eu morri quando me fizeram pagar pelo que não fiz”, você disse, me matando um pouco também sem saber. Em tese, por lei, você não poderia ficar mais de quatro meses aguardando julgamento na cadeia. Sua mãe, desesperada, pegou empréstimos para bancar advogados particulares. Mesmo sem comida em casa, a dor no estômago era por justiça. Não dava para contar com a escassa quantidade de defensores públicos no país (embora, depois, a doutora Ilmair Faria tenha salvo o seu destino). Enquanto ela se rebelava aqui fora, você se resignava com os constantes abusos sexuais de que era vítima. Alegar inocência sempre foi a sua única arma. De que forma lhe deram o diagnóstico de Aids?

     Sabe, querido, eu gostaria de ter presenciado o parecer do juiz na audiência que demorou dois anos e sete meses para acontecer. Deve ter sido um discurso bonito. Juízes usam frases empoladas, especialmente para se desculpar em nome do Estado por um erro irreparável. Onde estava a sua cabeça no momento em que ele declarou que você estava “livre”? Porque eu me pergunto como alguém pode supor que liberta o outro de suas memórias, de suas dores, de sua desesperança, de uma doença incurável. Você continua preso. Tanto que passou anos sem conseguir emprego por causa do preconceito e perambulou pelas ruas sob o efeito de qualquer droga que anestesiasse a realidade. Livre para ser um morto-vivo.

     Na sala do meu apartamento, há um troféu de direitos humanos que ganhei por trazer à tona sua história. Olho para ele e enxergo a minha impotência. E os ossos saltados da sua pele. Com vinte quilos a menos, as suas roupas parecem frouxas demais – quanto você perdeu além do peso corpóreo? Imagino se a Procuradoria Geral do Estado (PGE), que negou o pedido da sua indenização, sabe das suas constantes internações decorrentes da baixa imunidade. Será que alguém abriu a porta da sua geladeira e descobriu que, muitas vezes, você passa um dia inteiro tendo se alimentado de um único ovo? Ou será que eles se restringem a documentos e números?

     Não consigo deixar de pensar que você foi estuprado de novo. Pelas canetas reluzentes de quem toma essas decisões descabidas. Você levou sete anos para ressuscitar a sua determinação e cobrar os seus direitos. Em parte, motivado pelo apoio das 23 mil pessoas que aderiram a uma campanha virtual pela sua história. Toda semana recebo mensagens de gente querendo saber sua situação, se oferecendo para pagar uma cesta básica ou dar assistência jurídica. Recentemente, um professor criou um grupo que mobilizou mais de mil cidadãos para ajudá-lo até com despesas de medicamentos. Minha última pergunta (eu, que não tenho respostas) é: O que mais nós podemos fazer por você, já que o Estado não faz?

     Que o meu abraço atravesse a geografia entre São Paulo e Manaus.
Sinto muito, querido.

Nathalia Ziemkiewicz

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