Transex x Travesti

 

 Nas classificações que englobam os chamados transgêneros, as pessoas transexuais estão sendo facilmente confundidas por aquelas que se autodenominam travestis. Isso é perfeitamente compreensível até certo ponto já que as pessoas costumam julgar apenas pela aparência, pois de fato entre uma transex e uma travesti as características de feminilidade são extremamente acentuadas. Todavia, quando se faz uma análise mais profunda sobre essa classificação pode-se chegar a uma conclusão bem simplista e que pode destacar as diferenças entre uma transex e uma travesti.

A primeira diferença pode ser percebida pelo fenômeno psicológico que guia a própria percepção ou orientação sexual. Enquanto a transex se sente de fato uma mulher, ainda que presa em um corpo de um homem, a travesti não possui essa percepção e a transformação de seu corpo para atingir a feminilidade se limita puramente ao fetiche sexual. Exatamente por conta disso a travesti, por não se sentir uma mulher, consegue ser ativa e passiva em suas relações sexuais.

A segunda diferença a ser encontrada entre os dois casos pode ser ainda mais complexa de ser entendida pelos leigos no assunto. Trata-se dos relacionamentos amorosos que as pessoas transex cosntumam idealizar para si, pois uma vez que elas se sentem de fato uma mulher, elas procuram nos heterossexuais seus pares ideais. Esse comportamento talvez por ser mal compreendido, costuma escandalizar a muitos e até mesmo dentro da própria classe LGBTT, porque não conseguem entender a psicologia que guia esses sentimentos de uma pessoa transexual.

A terceira diferença a ser compreendida e a mais instigante de todas é sem dúvida a não aceitação ou identificação com o seu próprio sexo biológico. De fato, uma das primeiras análises a ser estudada e levada em consideração por psicólogos e psiquiatras para que uma pessoa seja diagnosticada como transexual, é justamente a rejeição que a pessoa possui pelo seu sexo biológico. Embora esta aversão ao próprio sexo biológico pode ser mais acentuada em uns e em outros um pouco mais tolerada, o fato é que esse desconforto gera na pessoa transexual, um transtorno, aflição e depressão. Por conta disso, recebe amparo por parte da Medicina, Psicologia e Psiquiatria para que se atinja a readequação pretendia por meios de hormônios e intervenções cirúrgicas.

Por fim, o confronto com a sociedade é o ponto onde talvez as pessoas transex mais sentem na pele o fator da desligitimação de suas identidades de gênero. Pois, quando uma pessoa transex (de homem para mulher), por exemplo, se relaciona no meio social gosta, exige e pretende ser respeitada, encarada e vista com a identidade de gênero que se identifica – ser tratada como uma mulher em todos os sentidos, inclusive, quando se tratar de sexo. Exatamente por conta disso, a famosa pergunta que muitos homens costumam fazer se uma transex (de homem para mulher) é ativa ou passiva, torna-se objeto de escárnio para toda e qualquer transex, pois se ela se sente uma mulher como poderia ser ativa?

Outro fato que costuma fazer com que muitas pessoas confundam travestis com transex é o fator da feminilidade que ambas possuem, mas como já foi dito anteriormente não é a aparência ou a caracterírstica da feminilização que designa se uma pessoa é transexual ou não, mas sim sua conduta, comportamento e identidade de gênero. E independente ou não da cirurgia de readequação no que tange o sexo biológico, a transexualidade deve ser encarada e respeitada como um fenômeno psicológico, pois embora a transformação do corpo seja uma meta a ser atingida por toda e qualquer pessoa transexual, submeter-se a cirurgia de readequação de sexo nem sempre é aconselhada, pois deve-se levar em consideração cada caso de forma particular, já que se trata de satisfação e felicidade pessoal. Assim sendo, não é porque uma pessoa fez uma cirurgia de troca de sexo que faz dela uma pessoa transexual, mas sim porque ela nunca se identificou com o seu próprio sexo biológico.

A distinção, portanto, se faz necessária, por que muitos homens têm a tendência de procurar uma transex confundindo-a com uma travesti, e por falta de conhecimento fazem abordagens desconcertantes e constrangedoras como, por exemplo, se ela é ativa ou passiva, ou fazem referência àquilo que ela própria sente aversão: seu próprio sexo biológico.

Feita esta distinção, não pretendo, contudo, inferiorizar as travestis. Muito pelo contrário, acredito que quanto mais informação se tiver sobre o assunto, mais se tem a ganhar no que tange a busca de sua própria satisfação pessoal e sexual, pois se um homem, por exemplo, busca uma transa onde ele gosta de ser passivo na relação e no entanto tem o fetiche de fazer isso com uma figura feminina, ele sem dúvida deverá recorrer a uma travesti e não a uma transex. E se uma transex quer ser aceita, tratada, percebida e atingir satisfação nessa sua feminilidade, ela sem dúvida deverá recorrer a um heterossexual ou no mínimo a um bissexual, mas nunca a um homossexual. Já a travesti, por transitar entre os dois papeis aceitos na sociedade heteronormativa (macho e fêma – homem e mulher) consegue se encaixar de acordo com o fetiche do momento.

A exclusão dos transgêneros do mercado de trabalho no Brasil

     IMG-20150509-WA0006 Quando se fala em competitividade no mercado de trabalho, travestis e transexuais ainda estão muito aquém dessa possibilidade. Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA/ 2015), cerca de 90% estão se prostituindo para poder obter os recursos mais básicos de sobrevivência. É um fato preocupante, porque mostra o quanto travestis e transexuais são discriminados no mercado de trabalho. Além disso, por conta do preconceito, muitos acabam marginalizados o que contribui para a disseminação da transfobia, uma vez que se tem a tendência de encarar os transgêneros, como “transgressores” dos tabus sociais. É quase como se existisse uma convenção social para a exclusão de travestis e transexuais do mercado de trabalho, pois é raro ver transexuais cotadas em profissões de alto escalão. Talvez, por conta disso a maioria recorre à prostituição e até mesmo ao próprio mundo do crime, pois na luta por seus direitos percebe-se que as pessoas trans, pouco apoio possuem, e essa segregação acaba gerando conflitos sociais. É preciso que se entenda que a exclusão social sofrida por travestis e transexuais é uma questão estrutural e que tem base na formação cultural e educacional da sociedade brasileira.

     De fato, a identidade de gênero começa na infância, e a pessoa acometida por esse transtorno necessita de um apoio psicossocial não só para que entenda a si próprio e se estabeleça a valorização da identidade diante dos demais. Infelizmente o que se percebe, é justamente o contrário, a pessoa trans no Brasil, ver-se acuada desde à infância a esconder sua identidade, sofre bullying na escola, no seio familiar sofre constantes repreensões ou mesmo atos de violência, e quando por fim chega à fase adulta, percebe que precisará enfrentar a própria sociedade e suas regras estabelecidas. A sociedade ver nisso uma transgressão e a punição é justamente a exclusão social.

     Percebe-se, portanto, que o Brasil não apenas necessita de políticas públicas específicas que garantam os direitos de pessoas trans, como também faz-se necessário uma reforma no sistema educacional para que se estabeleça novos conceitos sobre a identidade de gênero, pois a própria palavra preconceito já pré-define que é um grande erro conceber conceitos antecipados de pessoas apenas por pertencerem a uma identidade de gênero diversa. Então se a inserção de travestis e transexuais no mercado de trabalho é uma problemática que vai muito além da quebra de preconceitos, qual seria a solução para reverter-se esse quadro? Umas das soluções encontradas pela Prefeitura Municipal de São Paulo por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, foi o Programa Transcidadania.

     O projeto tem por objetivo a reintegração social e a reinserção das travestis e transexuais no mercado de trabalho por meio da capacitação através de cursos profissionalizantes, além da própria conclusão do ensino fundamental ( Educação de Jovens e Adultos – EJA) e do incentivo de uma bolsa no valor de R$ 840,00. A pergunta é: as transexuais e travestis mesmo capacitadas e gabaritadas são aceitas pelas empresas? Embora, seja um fato que a evasão escolar é um grande problema na vida de pessoas trans, essa certamente ainda não é a melhor solução para incluí-las no mercado de trabalho. De acordo com a ativista Daniela Andrade, ativista transexual do Fórum da Juventude LGBT Paulista, e formada em Análise de sistemas a discriminação da identidade de gênero nas empresas se dá por conta do machismo. “Empresas dominadas por homens geralmente se incomodam com a presença de uma mulher trans.

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     Gera-se uma cultura organizacional de ter medo de se aproximar, de falar um oi, de chamar para almoçar, de dar tchau, de se relacionar profissionalmente. É visível o desconforto ao saberem que vão trabalhar e, de repente, ter o mesmo salário ou um salário menor que uma mulher trans”, afirma. É importante ressaltar que a capacitação profissional é de vital importância nesse processo de inclusão, mas não se pode descartar que todo profissional independente da área não é e nunca será autossuficiente, e talvez seja nessas horas que a cultura organizacional de uma determinada empresa possa ser melhor definida abrindo vagas não exclusivas, mas inclusivas para pessoas trans, pois a valorização do trabalho não está em quem o executa, mas o que se executa.

     4233330É justamente essa diferenciação que precisa ser implementada na cultura organizacional de grande maioria das empresas brasileiras, e nisso concentra-se incentivos que vão desde à ética profissional até ações pontuais que demonstrem que as relações interpessoais no ambiente de trabalho podem co-existir apesar da diversidade da identidade de gêneros. É nesse contexto que organizações como o Instituto Brasileiro de Políticas Públicas – IBRAPP, incentiva a participação não só de pessoas trans em seu quadro funcional de colaboradores, como também procura estabelecer em seu próprio código de ética o respeito à dignidade de todo e qualquer profissional independente da orientação sexual ou identidade de gênero.

     De acordo com o IBRAPP, o Brasil ainda é um país carente de educação em muitos aspectos, e um deles está justamente na questão da aceitação da diversidade sexual, por que isso não é ensinado nas escolas, e o aprendizado sobre isso sempre se dá de forma nociva. Outro ponto destacado pelo IBRAPP, é que grande maioria dos empresários não está preocupada com questões sociais e se eximem de poder ser co-participativos na solução de problemas sociais.

     Talvez o maior mal nessa segregação dos transgêneros seja a negação de direitos humanos em ter acesso ao mercado de trabalho bem como poder estudar, capacitar-se e exigir respeito à sua identidade. Por conta disso, se faz necessário também a criação de uma agenda de debates públicos e de movimentos sociais que defendam estas causas, como, por exemplo, o seminário promovido pelo IBRAPP em parceria com a Secretaria da Mulher no Estado do Maranhão, onde criou-se a partir de então processos que ainda estão em construção tais como a possibilidade de pessoas trans serem chamadas e identificadas por meio de seu nome social, banheiros exclusivos, programas e campanhas de combate às DST e emprego e geração de renda visando a redução da prostituição desse segmento.

     IMG-20151017-WA0052Mas, tais ações, movimentos ou iniciativas se isoladas acabam perdendo a força em mobilizar a sociedade para que a situação das travestis e transexuais possa melhorar. O ideal é que esse conjunto aconteça em uníssono com as mídias e indústria cultural porque possuem a vantagem de incentivar as massas e pautar o debate público. Além disso, se se trata de políticas públicas para um determinado segmento da sociedade encarado como minoria, isso significa que o poder público também deve intervir por meio de projetos sociais que defendam essas pessoas, quer seja reestruturando a forma educacional hoje estabelecida na sociedade brasileira ou executando ações que minimizem a vitimização dos transgêneros .

     Pois, embora ainda sejamos considerados um país de terceiro mundo, podemos mostrar que somos capazes de superar agravantes como esses, e demonstrar que não é excluindo pessoas que se constrói um país de todos. Exemplo disso foram os seminários realizados pelo Instituto no ano de 2010 em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher – SEMU, onde formou-se uma agenda de debates e propostas acerca da inclusão social dos travestis que vivem em situação de vulnerabilidade social. Essa agenda, que ainda está em processo de consolidação, contempla a possibilidade de troca de nomes judicialmente, programas e campanhas de combate às DST’s, emprego e geração de renda visando a redução da prostituição desse segmento. Já para as comunidades quilombolas, que vivem quase reclusas da sociedade, o Instituto visa gerenciar projetos que as possibilite ter maior acesso e participação nas áreas da saúde, geração de renda, educação e cultura.

Criminosos armam golpes pelo whatsapp

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Um dos suspeitos reconhecido por uma das vítimas por meio do facebook.

É inegável que o avanço das tecnologias em comunicação têm servido para facilitar muitos processos como envio de mensagens em massa, para públicos específicos ou até mesmo a ideia de virilização de marcas, pautas, opiniões e assuntos diversos que, em questões de segundos podem mobilizar a opinião pública. Exemplo disso é o aplicativo whatsapp. Atualmente bilhões de pessoas utilizam esse mensageiro, haja vista a facilidade de comunicar-se com muitas pessoas a um baixo custo via celular.

enviodewhatsapp06De fato, atualmente não apenas pessoas físicas fazem uso do aplicativo, mas também jurídicas, pois muitas empresas têm adotado o whatsapp como uma ferramenta de trabalho, sobretudo, àquelas que investem em Comunicação como um meio de negócio. Todavia, se por um lado essas tecnologias possibilitam uma melhoria na comunicação, elas também podem representar um risco para os desatentos, pois assim como o aplicativo pode ser usado como ferramenta de negócio em comunicação, ela também pode ser usada por criminosos para armarem ou aplicarem golpes, ou até mesmo arquitetarem crimes.

Em São Luís, por exemplo, recentemente, um sujeito que se autointitula Ricardo Silva, pelos grupos de whtasapp vem aplicando golpes em usuários ao se dizer interessado em amizades e relacionamentos casuais com gays. Após denuncia de pessoas que já foram vítimas do suspeito, Ricardo Silva costuma adicionar usuários do whtasapp, sobretudo o público gay, afirmando que quer conhecer novas pessoas e ter novas experiências o que de acordo com as vítimas acaba gerando persuasão em marcar encontro com o mesmo. De acordo com B.A. (22), que recentemente foi vítima de Ricardo Silva, o criminoso teria marcado um encontro com ele nas imediações da estrada do Bom Jardim/Turu, onde por volta das 20h, Ricardo Silva compareceu em uma moto,e após uma breve conversa com B.A., o teria guiado na moto para uma esquina onde anunciou o assalto, levando celular e carteira/porta cédula da vítima.

assalto-m_o-armadaJá a travesti Luana (25), alega ter sido vítima desse mesmo criminoso, nas mesmas circunstâncias e após tê-lo conhecido via whatsapp. Outras vítimas que não quiseram ser identificadas alegam que Ricardo Silva não age sozinho durante essas operações criminosas, pois muitos afirmam que durante o encontro ele ou comparece com comparsas ou simplesmente arma e simula um assalto para melhor enganar suas vítimas.

O fato é que em sua ultima tentativa de armar essa ação criminosa, Ricardo Silva não contava que já estava visado em alguns grupos onde estava sendo já denunciado pelas suas vítimas, onde uma delas conseguiu salvar uma de suas fotos.

Vale lembrar que este criminoso ainda não foi preso, portanto, fiquem atentos para não só cair nesta armadilha arquitetada via whatsapp, mas também denunciar este criminoso.

Intolerância homofóbica no facebook

     As redes sociais, sem sombra de dúvida, nos dias de hoje são as ferramentas mais comumente usadas para estreitar relacionamentos, vendas e até difusão de ideologias. O facebook, por exemplo, já possui em todo o mundo bilhões de usuários, e outras  redes como o whatsapp estão ampliando seus horizontes quando o foco é a comunicação rápida, precisa e instantânea de forma multimídia. É claro que todo esse avanço tecnológico tem sido de extrema relevância para o mundo globalizado e ao mesmo tempo cosmopolita em que se vive. Todavia, se essas redes sociais tem esse poder de difundir ideias e ideologias, é preciso que uma política de vigilância e controle seja mantida em alguns casos de segregação étnica, sexual, filosófica, política e religiosa. Pois se essas redes têm um caráter de permitir a liberdade de expressão, esta, contudo, não pode ser confundida com argumentos de intolerância e que por fim resultem em agressões verbais ou até mesmo de incentivo a crimes.

"Procura um grupo de travestis,com certeza tem algum,aqui queremos é mulheres e não aidéticos como você! Presta atenção!! Não fica tirando onda que eu acho você e garanto que não será difícil!", afirma Jean Henrique Valois

“Procura um grupo de travestis,com certeza tem algum,aqui queremos é mulheres e não aidéticos como você! Presta atenção!! Não fica tirando onda que eu acho você e garanto que não será difícil!”, afirma Jean Henrique Valois

     O facebook , por exemplo,  possui uma ferramenta onde  denúncias desse tipo podem ser feitas ao próprio sistema de moderação da rede social e na falta de tais ferramentas as próprias postagens podem ser usadas como provas substanciais de crimes de intolerância. Jean Henrique Valois, usuário do facebook, postou recentemente em um grupo da rede, argumentos homofóbicos contra outro usuário do mesmo grupo. Tudo porque a travesti, Lohanna Pausini, publicou fotos suas posando ao lado do namorado e outras onde reafirmava sua orientação sexual. O  fato é que Jean Henrique Valois, não apenas limitou-se a  expor sua opinião, mas sim argumentos homofóbicos onde não apenas declara que a Lohanna Pausini não deveria está no grupo, por não ser heterossexual, como também chega a ameaçá-la de morte ao dizer que seus dias estão contados. Confira aqui acessando o facebook2

     O grupo já foi denunciado para análise no próprio sistema de moderação do facebook e como se trata de ameaças graves deve ser também levado diante das autoridades policiais para investigação. Jean Henrique Valois, pode ser indiciado por homofobia bem como por difundir  discurso de violência contra a comunidade gay. Além disso, pode ser também processado por perpetrar ameaças, o que de acordo com o código penal brasileiro prever detenção de até 12 meses ou prestação de serviços comunitários.

    O importante aqui lembrar é que, ainda que estejamos vivendo em pleno auge da liberdade de expressão, precisamos atentar que liberdade de expressão não pode ser confundida com discursos de violência. Pode-se ter ,por exemplo, o direito de ser contra o casamento gay, ou mesmo ter preconceito contra os gays. Todavia, quando você diz que é contra o casamento gay e que os gays não possuem esse direito porque não são pessoas normais, corre-se o risco de não apenas está sendo preconceituoso mas também homofóbico. E homofobia é crime previsto em lei.

A pessoa nasce ou torna-se homossexual?

      Esta é uma pergunta  que, apesar de toda evolução da humanidade, ainda intriga a sociedade.  As pessoas se dividem em suas opiniões quando são indagadas sobre o que faz uma pessoa  ser homossexual.  Cientistas, geneticistas, psicólogos, psiquiatras,  pastores, padres e tantos outros ícones que representam uma parcela significativa do pensamento humano sobre a homossexualidade, jamais chegaram a um consenso sobre as causas que contribuem para que um determinado indivíduo seja homossexual.

   Assim, lança-se a pergunta que a todos continua intrigando: A homossexualidade é algo inato nos indivíduos? Uma pessoa nasce homossexual ou se torna homossexual?

     Para o pesquisador e escritor  belgo Jacques Balthazar,  a homossexualidade é  definida no estágio pré-natal. Em sua obra intitulada Biologia e homossexualidade, o pesquisador, que é também especialista na área  da endocrinologia, a parte da medicina que trabalha com glândulas de secreção, afirma que  fatores hormonais e talvez genéticos estão na origem da orientação sexual do indivíduo que seria definida no estágio embrionário.

embrião     Para os que defendem a teoria de que a pessoa nasce gay o principal  argumento utilizado é que encontram concentração mais alta de homossexualidade em determinadas famílias e os que demonstram maior prevalência de homossexualidade em irmãos gêmeos homossexuais univitelinos, criados por famílias diferentes sem nenhum contato pessoal. Em outras palavras, é fato comprovado que gay’s gêmeos e univitelinos ( que compartilharam uma mesma placenta e que portanto são idênticos) possuem o mesmo gene. E assim, nestes casos jamais foi encontrado um casal de gêmeos univitelinos em que um seja heterossexual e o outro homossexual. pelo contrário, ambos desenvolvem sempre a mesma orientação sexual. ( Exceto raras excessões?)

     Todavia, embora  esta teoria seja defendida por muitos, ainda não foi comprovado que exista um gene ou cromossomo especificamente homossexual, nem tão pouco heterossexual. Então se  é durante o estágio embrionário, o que ocorre  com estes genes para que uma pessoa seja homossexual?

     Para o biólogo americano  Bruce Bagemihl,  ocorre uma espécie de falha na distribuição hormonal durante o período embrionário. Sabemos que o sexo do indivíduo será determinado pelo cromossomo do pai que é X ou Y, entretanto durante as 4 ou 8 semanas após a fecundação, a mãe também libera um hormônio sexual no embrião.

     Ainda segundo o biólogo  Bruce Bagemihl, este hormônio pode ser o fator determinante para a futura orientação sexual do embrião. E a falha genética, de acordo com o biólogo, estaria justamente no caso do hormônio liberado pela  mãe não coincidir com o sexo do embrião.Se o embrião masculino, por exemplo, receber um hormônio feminino, as chances do indivíduo sentir atração por homens será grande.

    Mas como toda teoria, esta também abre uma lacuna, pois se se trata de uma falha genética, a tendência da própria seleção natural, que existe na reprodução humana, para sanar certas anomalias ou falhas, seria que, a homossexualidade com o passar do tempo, deixaria de existir, uma vez que homossexuais não se reproduzem, e não poderiam portanto repassar suas falhas genéticas para as futuras gerações. Entenda-se aqui, reprodução entre si e não um homossexual junto com um heterossexual. Então, se se trata de uma falha genética, a seleção natural tem falhado em eliminar homossexuais no estágio embrionário desde tempos imemoriais, e isto abre um paradoxo, pois segundo os próprios cientistas, a seleção natural na reprodução humana é infalível quando se trata de embriões geneticamente falhados, salvo raríssimas excessões.

     Existe também a teoria de que a homossexualidade não é inata e sim apreendida. Em outras palavras, a pessoa não nasce homossexual, mas torna-se um. Para os que defendem esta teoria, a educação e a influência cultural e ambiental seriam os principais fatores que contribuem para a formação da orientação sexual de um determinado indivíduo.

     Para o psicanalista Freud, por exemplo, a orientação sexual do indivíduo é forjada durante os primeiros anos da infância, onde a menina vê na mãe um exemplo a ser seguido e imitado, da mesma forma que o menino vê no pai o mesmo modelo de conduta e exemplo. O que ocorre, segundo esta teoria, é que os papeis são invertidos; o menino passa a ver na mãe o exemplo a ser seguido, e a menina vê no pai aquilo que ela mesma quer ser. Esta assimilação/adoração pelo genitor faz com que a criança desenvolva atração física e emotiva pelo mesmo sexo, uma vez que que o objeto de exemplo e adoração da criança é do sexo oposto. Assim a criança passa a se identificar com a orientação sexual  de seus próprios pais.( complexo de édipo)

proibido-no-ira-gays_thumb1    Mas se Freud tem razão, por que irmãos, que recebem a mesma educação, vivem no mesmo ambiente cultural, e que portanto são influenciados pelos mesmos fatores, nem todos se tornam homossexuais?

    A resposta, ainda segundo a teoria de Freud, estaria no modo como os pais deliberariam seu afeto para com os filhos; um pai ausente, pouco afetivo com um de seus filhos, por exemplo, dificilmente irá fazer com que este tente imitá-lo. Este filho, portanto, sentindo-se renegado pelo pai, busca na mãe afeto, conforto e abrigo. E é justamente este amor de fixação, que causa o desvio da inversão sexual, uma vez que a criança não só ama a mãe, mas subconscientemente quer ser a própria mãe e assimila a suas características.

   Esta teoria, bem mais do que a teoria geneticista, levanta inúmeras controvérsias,  pois existem indivíduos que foram criados e educados apenas por mulheres, sem jamais terem a figura do pai, e no entanto não são homossexuais. Ainda existem casos de homossexuais terem educado e criado crianças, e no entanto estas mesmas crianças não são homossexuais.

    Se por um lado a genética ainda não pode comprovar que a homossexualidade é definida no estágio embrionário, a teoria freudiana de que a homossexualidade é um desvio psíquico,  torna-se a teoria mais aceita por grande parte da humanidade justamente por que envereda por aquilo que o homem tem de mais assombroso: o psíquico.

     Por fim, existe a teoria menos aceita, mas ainda assim polêmica, a de que a homossexualidade seria causada por uma influência /possessão demoníaca.

     Esta corrente teórica, é defendida em grande parte por líderes religiosos, que de forma unânime, afirmam que a homossexualidade é algo abominável e pecaminoso aos olhos de Deus. De fato todas as igrejas cristãs, católica e evangélicas ( protestantes) encaram a homossexualidade como uma opção do indivíduo em cometer um ato pecaminoso. ” Por causa disso, os entregou Deus às paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro,contrário a natureza;  semelhantemente,os homens também deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Romanos 1:26-27). “Com homem não te deitarás como se fosse mulher; é abominação” ( Levítico 18:22).

   Mas se é uma opção em pecar, ou seja, se o indivíduo escolhe praticar a homossexualidade e portanto ele opta em ser homossexual, por que os próprios homossexuais são os primeiros a afirmar que não desejariam ser o que são? E uma vez que todos homossexuais demonstram a tendência em ser homossexual na infância, uma criança de 4 anos, por exemplo, que ainda não sabe distinguir muito bem o certo do errado, teria condições de escolher sua própria identidade sexual?

     Para responder tais perguntas, a teoria da influência/possessão demoníaca, segundo o Pastor Silas Malafaia, um dos líderes da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Brasil, a criança sofre uma influência demoníaca, e isto ocorre justamente em um lar desprotegido das bençãos de Deus. E esta  criança sem ter um acompanhamento teológico, é convidada ao pecado. Então o pensamento homossexual é plantado nesta criança, e que com o passar do tempo irá desenvolver ações ou comportamentos homossexuais até que evolua para um hábito e por fim irá forjar o caráter e a personalidade do indivíduo, tornando-o , portanto em um homossexual.

mordem     Mas se isso for verdade, por que a ” cura” ou a libertação dos homossexuais é algo tão irrealizável? Embora exista muitos testemunhos de pessoas que se dizem libertos da homossexualidade, existe contudo, a controvérsia de que estes homossexuais na verdade deixaram apenas de praticar a homossexualidade, mas que ainda sentem atração por pessoas do mesmo sexo, e por isso ou optam viver uma vida celibatária ou dissimulada em uma heterossexualidade aparente. De fato, muitos ex-ex- gay’s são unânimes em afirmar que jamais deixaram de sentir atração pelo mesmo sexo, mas que apenas tentavam controlar essa pulsação e fingir que estavam “curados” libertos.

  Todavia, existem , aqueles que desafiam  esta controvérsia, ao declararem que sentem repulsa pelo seu passado de homossexualidade, e que uma vez libertos, sentem atração por pessoas do sexo oposto. Tanto que muitos hoje em dia são casados e têm filhos.  Manoel Ricardo Reis da Luz, (33), natural da Bahia, afirma que  descobriu ser gay quando tinha 8 anos de idade, pois se sentia diferente em relação aos demais meninos. Com o advento da adolescência, teve suas primeiras experiências sexuais com pessoas do mesmo sexo, e desde então assumiu sua homossexualidade. Aos 33 anos de idade , sentia-se arrependido de seus atos e comportamento, e procurou uma igreja. Converteu-se e, segundo ele, libertou-se da homossexualidade ( veja mais sobre isto).

   O fato, é que a discussão sobre as causas que levam uma pessoa ser homossexual continuará em constante debate, até que estas  ou outras teorias possam comprovar suas teses, pois como vimos nenhuma delas é dona da verdade absoluta, e por isso mesmo não devemos ter conceitos pré-concebidos a respeito da homossexualidade, pois isso não nos levará a verdade plena, mas sim ao preconceito.

Praia do Olho d’água: ponto de encontros ” excepcionais”.

A cidade de São luís, capital do Maranhão, por ser uma ilha é circulada por belas praias de dunas alvas e paisagens exeburantes. Embora cada uma dessas praias tenha uma característica peculiar no que tange a paisagem natural e o público que a frequenta, um fato chamou-me por demais a atenção para uma de suas praias; a praia do Olho d’água.

Esta praia,uma das maiores da cidade de São Luís, é cortada por dunas e pequenos riachos que desaguam no mar, conferindo a região uma aparência de oásis, pois em alguns pontos além de pequenos morros, percebe-se a presença de uma vegetação rasteira na beira desse pequenos riachos de água saloba. Esses pontos, são muito viados para quem pratica esportes radicais como rally.Além disso a própria maresia do mar dessa praia contribui muito para a prática de surf e kit surf

A praia também conta com um grande número de bares o que a faz ser uma das mais frequentadas pela população da cidade.

Mas o fato que mais me chamou atenção na praia do olho d’água é que, nas cercanias das dunas onde o tímido riacho desagua no mar, ou onde o rio Pimenta procura o mar, muitos gay’s e rapazes começam a despontar nas mais diversas direções, todos convergindo para o memso lugar: as dunas da praia do olho d’água.

Alguns com tímidos passos, se refugiam em postos isolados, sentados no alto das dunas de onde ficam em vigília de quem passa pela praia. Outros, se escondem por detrás do emaranhado de plantas e galhos  que fica ao lado das dunas como se espreitando algo. Outros ainda, tomam um leve banho nas águas escuras do pequeno riacho que timidamente escorre para o mar enquanato observam os traseuntes que circulam no fim da tarde pela praia, seja a pé ou de bicicleta.

O curiso é que grande maioria destes observadores são gay’s e que vão ali em busca de uma aventura sexual por que sabem que esse é um dos pontos estratégicos para quem busca e oferecer esse tipo de aventura.

Não se trata, contudo, de um lugar de prostituição tradicional, onde o sexo tem um preço. Não, todos que ali vão, procuram sexo, mas o sexo por curiosidade ou por compulsão a fim de satisfazerem seus desejos mais reconditos, pois muitos dos homens que frequentam o lugar, são homens que jamais assumiriam que apreciam a corte de outros homens, ou que aprecia o sexo com gay’s.

De fato, basta sentar-se em um fim de tarde ali nas dunas da praia do olho d’água na cidade de São Luís, para se percebe a chegada de gay’s e homens em busca de sexo fácil e aventureiro.

Segundo, Ronald, um dos frequentadores das dunas, visitar o local para ele tornou-se quase um vício, por que sabe que ali sempre existe alguém que procura sexo. Já para Jorge, o lugar é propício por que tudo é feito às escondidas, quando a noite chega, e a praia escurece. ” Você  começa a paquerar com um rapaz, convida ele para transar e pronto. A coisa é feita ali mesmo”, afirma.

Todavia, o lugar não é cenário apenas para esses desejos proibidos. Segundo Carlos, muitos assaltantes também frequentam o lugar e difarsados de quem está em busca de prazer e sexo, costumam ludibriar a muitos para cometer assaltos e até latrocínios.

” Uma vez eu estava aqui e um cara começou a me olhar com intensidade. Depois tirou a roupa e começou a se insinuar para mim até que, chamando-me, eu me aproximei. Quando vi já era tarde.Ele sacando uma peixeira mandou que passasse minha carteira, celular e até minhas roupas”, afirma.

O fato é que as dunas da praia do olho d’água tornaram-se não só um lugar visado por gay’s e homens que buscam uma transa furtiva, mas também um lugar propício para a ação de bandidos. Por isso é sempre bom ficar alerta e desconfiar sempre destes observadores que circulam por aquel área.

Homens que curtem gay’s afeminados

Há algum tempo venho analisando o comportamento de alguns homens e gay’s, sobretudo, dos afeminados. Estes ,por desenvolverem trejeitos  femininos e até certas características do sexo feminino como a aparência, por exemplo, ao longo dos anos consolidaram-se como ícones entre a classe dos homossexuais. Isto por que na maioria das vezes, são sempre vistos  como figuras espirituosas e caricatas, e que por isso mesmo acabam sempre despertando a curiosidade ou o asco no público em geral.

Mas o que é ainda mais curioso na pesquisa que eu fiz, junto a um grupo de adolescentes de São Luis, foi que estes mesmos gay’s afeminados na maioria das vezes não se relacionam com outros ga’ys. No máximo as relações destes voltam-se para os bissexuais ou mesmo os heteros moderninhos ( os que se auto intitulam heteros que curtem com gays’ afeminados). E o que é ainda mais curioso, é que a mesma pesquisa comprovou que estes heteros mordeninhos não sentem atração alguma por gay’s que não sejam afeminados.

Este resultado levou-me a formular diversos questionamentos como: o que leva um heterossexual ” moderno” ou um bissexual desejar o mesmo sexo levando em consideração apenas uma falsa feminilidade? E por que os gay’s afeminados na maioria das vezes não conseguem sentir atração por outros ga’ys que não sejam estes heteros mordenos ou bissexuais?

Em uma mesa de debate e entrevistas com alguns destes heteros modernos, bissexuais e gay’s afeminados ,consegui entrever algumas respostas elucidatórias que são: Estes heteros modernos que curtem com gay’s, embora não possam ou não queiram admitir isso, sentem uma forte atração pelos gay’s afeminados pelo simples fato de verem nestes uma certa femninilidade. Possuir este homem feminino é a força propulsora que os impele para o ato sexual ou mesmo uma conquista. Isto por que, segundo pude também capitar, em uma enquete realizada em salas de bate papo virtual e outros depoimentos, estes homens, que curtem com gay’s afeminados, ainda que não saibam, escondem uma bissexualidade, e como todo bissexual sempre pende mais forte para um lado ( homem ou mulher). Adoram, sentem-se seduzidos pela parte feminina e por isso amam as mulheres, e no entanto, são capazes de sentirem desejos por outro homem, desde que este seja feminino.

Este fenômeno comportamental, contudo, não é algo pertinente ao nosso século, embora este tenha se acentuado na contemporaneidade onde a luxúria dita as normas de conduta dos indivíduos. De fato, na antiguidade os imperadores romanos bissexuais como Calígula, Nero e Adriano costumavam transar com seus mais belos eunucos, escravos e rapazolas afeminados. Na idade média muitos reis, condes e etc possuiam amantes varonis e que  se vestiam de mulher para satisfazer seus amantes.

Mas uma dúvida crucial neste tipo de relacionamento é que, estes uma vez que são baseados apenas na luxuria, dificilmente são providos de amor romântico, pois o desejo carnal uma vez saciado libera o bloqueio e o abismo existente entre o homossexual e o heterossexual. Por isso, percebi também, que a maioria dos meus entrevistados ( gays’ afeminados ) raramente possuem uma relação estável e duradoura com seus parceiros, e quando a tem, esta está sempre limitada e atrelada ao sexo.

Isso me levou a outro questionamento que foi: o amor entre dois homens só é possível se os dois forem homossexuais? Nesse caso os gay’s afeminados que não curtem com outros gay’s, por que se sentem atraídos apenas pela masculinidade, enquanto que os g’ays masculinos também não se sentem atraídos pelos ga’ys afeminados, isso problematiza ainda mais a questão, pois se o amor entre dois homens só pode existir quando os dois forem homossexuais, como fazer para  sanar esta disparidade?

Embora eu não seja nenhum especialista na área, pois sou apenas um jornalista que procura debater junto à sociedade seus assuntos mais revigorantes, eu presumo que no meio dessa disparidade exista um pouco de preconceito entre a própria classe dos homossexuais, pois raramente se ver um homossexual que goste de um ga’y afeminado, e talvez por isso mesmo ele sucumba nas mãos destes heteros moderninhos que no máximo só poderão lhe ofertar sexo.

Contudo, eu acredito que as realções amorosas dos homossexuais podem ser sim sólidas e verdadeiras, e que podem transceder ao sexo, embora estas sejam sempre muito mais conturbadas do que as realções heterossexuais, pois de acordo com minhas entrevistas, pesquisas e enquetes, os gay’s afeminados procuram o amor onde ele é ainda mais escasso, nos heteros mordeninhos ou bissexuais.Isto por que sentem-se rejeitados entre os outros gay’s. Evidentemente um bissexual pode se apaixonar por um homossexual e até um hetero mordeninho pode se apaixonar por um gay afeminado. Mas esta probabilidade é de um para mil. Por isso mesmo as relações amorosas dos gay’s deveriam ser cultivadas entre si mesmo.

Parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis: um espetáculo ou uma mobilização política?

A parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis, que já está em sua sétima edição, cada vez mais vem adquirindo um público diversificado e de grandes proporções. Só no ano passado cerca de 400 mil pessoas entre gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes do movimento lotaram a Avenida Litorânea. Para este ano a estimativa é que 5000 mil façam parte da parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis. Mas por que este movimento, que é o maior movimento de rua de todo o Maranhão cada vez mais vem se consolidando na agenda cultural da cidade de São Luis e por que é cada vez maior o número de seus participantes? O que de fato significa esta mobilização e que lutas ele encerra?

De acordo com Carlos Garcia, um dos coordenadores da Ong Gayvota, grupo GLBT pioneiro do movimento aqui no Maranhão, a parada pelo orgulho da diversidade sexual é a celebração máxima onde todos os gays, bissexuais, travestis e transexuais se reúnem para festejarem suas conquistas e também mostrarem à sociedade quem são e pelo o que lutam de fato. “A parada pelo orgulho da diversidade sexual é o dia em que nós gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais nos reunimos a fim de festejarmos e celebrarmos as nossas conquistas, bem como mostrar à sociedade os nossos valores e que devemos ser respeitados enquanto cidadãos, pois a nossa constituição nos garante que somos iguais perante a lei independente de qualquer natureza”, afirma.

Todavia, muitas pessoas do próprio grupo social GLBT criticam esta mobilização. Segundo estes, falta no evento o verdadeiro caráter político que possa traduzir com mais fidelidade as principais reivindicações do movimento GLBT tais como a união civil entre pessoas do mesmo sexo, punição e amparo pelos crimes sofridos por homofobia e liberdade pela diversidade sexual.

O grupo Gayvota, articulado com outros grupos como a ATRAMA (Associação das travestis no Maranão), Lema (Grupo Lésbico do Maranhão), é quem promove a parada pelo orgulho sexual de São Luis. O evento, segundo a coordenação do grupo Gayvota, só vai para a avenida e ganha caráter de mobilização, após uma meticulosa reunião entre as Secretarias dos Direitos Humanos, Segurança Pública e de Saúde, representantes políticos e integrantes e filiados ao grupo gayvota, onde são debatidas as principais questões, lutas e conquistas que o movimento GLBT realizou durante o ano. Só depois disso é que o tema do evento é selecionado, e por fim aprovado para que possa servir como diretriz durante a mobilização. Este ano, por exemplo, a parada traz como tema; “Travesti e respeito”, como forma de protesto pelo assassinato da travesti Sabrina Drumonnd, presidente da ATRAMA.

Contudo, essa critica pela falta de cunho político durante a mobilização, se dá sem dúvida por causa da falta da participação de alguns políticos, sobretudo por aqueles que dizem apoiar o movimento GLBT como é o caso dos vereadores Astro de Ogum e Ivaldo Rodrigues, que embora gay’s assumidos, e que buscam entre o grupo GLBT fonte de eleitores, não são ativistas do movimento.

De fato, segundo Carlos Garcia, são muitos os políticos que procuram apoio no movimento GLBT. Todavia, a grande maioria acha que esse apoio pode se reduzir em apenas conceder um trio elétrico ou uma atração qualquer durante a parada pelo orgulho pela diversidade sexual. “O que nós precisamos de aliança política, nada mais é do que ter representantes que possam abraçar nossas causas e lutar junto com conosco para que, as mesmas, possam ser uma realidade, como conseguimos com o então deputado estadual Alberto Franco, que nos concedeu uma lei que nos protege e ampara contra os crimes de homofobia em nosso Estado”, enfatiza.

A ex-primeira dama do Estado, Alexandra Tavares no ano de 2005 foi eleita madrinha do movimento, tornando o Governo do Estado, juntamente com o ministério da Saúde um dos principais patrocinadores da parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis. Este ano, é a primeira vez que a prefeitura de São Luis vai patrocinar e apoiar a mobilização, o que deixa a coordenação do evento extremamente satisfeita, pois assim poderá fazer mais alianças políticas independente de partidos políticos.

O movimento GLBT do Maranhão, ao contrário do que muitos pensam, não está engajado apenas em promover a parada do orgulho pela diversidade sexual. Coordenado sempre pelo grupo Gayvota e outros afiliados como o Passo Livre, Grupo Sem Preconceito e Grupo Alternativo de Paço do Lumiar, Grupo Solidário Lilás de Ribamar, o movimento GLBT maranhense tem como objetivo maior erradicar a exclusão social que o grupo sofre, bem como lutar contra a homofobia e o próprio preconceito.

Prova disso, é o projeto “a deusa Afrodite”, que é um projeto do movimento que busca amparar e proteger as travestis, que segundo a Atrama, são quem mais sofrem preconceito. “O projeto tem como objetivo incluir de volta as travestis no seio da sociedade, quer incentivando-as a estudar, ingressar em uma faculdade e em todos os pólos profissionais, e para isso deverão ser tratadas e respeitadas como mulheres”, afirma Keyla Simpson, representante interina da Atrama.

Além disso, o grupo Gayvota está sempre apto e pronto para reivindicar e lutar pelos direitos da classe social designada GLBT, e para isso convida todos os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais a se unirem ao grupo que tem sua sede na Rua da Saúde/ Centro.

Essa articulação é também, feita através de seminários e palestras que são ministradas geralmente em casas noturnas GLBT de São Luís, onde as diretrizes e política do movimento são perpassadas para àqueles que tenham interesse em se filiar.

É justamente neste âmbito da divulgação, que o movimento GLBT de São Luis diz que o apóio da mídia maranhense, está resumido apenas a própria parada pelo orgulho da diversidade sexual, pois seu caráter espetacular torna-se mais importante do que seu cunho político diante desta.

O fato é que o evento da parada pelo orgulho da diversidade sexual, tomou proporções gigantescas, tanto que a mobilização está também sendo realizada em outras cidades do interior do Maranhão como são os casos de Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa. De fato, a parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis, articulada com todos esses grupos e coordenada pelo grupo Gayvota, tornou-se desde o ano de 2003, ano de sua primeira edição aqui no Maranhão, a terceira maior parada pelo orgulho da diversidade sexual do Brasil, perdendo apenas para o Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro.