Vivemos mesmo em uma democracia?

17abr2016---a-sessao-em-que-os-deputados-decidirao-em-votacao-aberta-sobre-a-continuidade-do-processo-de-impeachment-da-presidente-dilma-rousseff-pt-comecou-tumultuada-o-presidente-da-camara-O processo de impeachment da Presidente Dilma Roussef não só abre um precedente para que, sempre que a oposição se sentir incomodada por atos políticos possa impetrar novos, futuros e constantes processos de impeachment, como também nos mostra o quanto é frágil a nossa democracia. Pois, o termo democracia significa poder que emana do povo, poder este de escolher legitimamente seus representantes políticos. Mas, se o povo escolheu, então a quem cabe destituir esse representante? Ao parlamento? Não, pois não foi o parlamento quem escolheu este representante, afinal, o próprio parlamento é fruto desta tal democracia. A controvérsia é tamanha, que durante todo esse processo nenhum deputado federal ou senador se quer preocupou-se em ir às ruas ouvir às vozes que circulavam em protesto, a voz do povo. Nenhum deles preocupou-se em apresentar pesquisas ou estatísticas de satisfação popular, aprovação ou desaprovação do governo que se estava querendo derrubar. E porque não o fizeram? Porque o que estava em jogo não era o interesse do povo, mas de partidos políticos. A briga era pelo poder e a partilha dele entre os vencedores.

Suspended Brazilian President Dilma Rousseff delivers a speech during her testimony on the impeachment trial at National Congress in Brasilia on August 29, 2016. Rousseff arrived at the Senate to defend herself confronting her accusers in a dramatic finale to a Senate impeachment trial likely to end 13 years of leftist rule in Latin America's biggest country. / AFP PHOTO / EVARISTO SA

As acusações feitas contra Dilma Roussef de ter emitido decreto de créditos suplementares sem autorização do legislativo, crime responsabilidade fiscal e as tais pedaladas fiscais, não puderam ser sustentadas. Tanto que caso fossem comprovadas o próprio poder Judiciário teria se manifestado e até mesmo assumido o caso. Percebe-se nitidamente as manobras políticas neste processo quando se pretende a todo custo sustentar estas acusações. Trazer o presidente do Supremo Tribunal Federal para presidir o Senado foi uma destas manobras, pois assim ganha-se a imparcialidade e neutralidade no processo e institucionaliza-se o golpe usando as peças certas, dando o caráter de Justiça a um julgamento sem crime.

O que é mais espantoso é que em uma questão tão grave como se destituir ou não um Presidente da República, se relativiza a questão por meio do voto. Voto este oriundo de quem faz parte da própria bancada autora da denúncia para que se instaure o processo do impeachment. Não me surpreende, portanto, o resultado.

Embora, pareça, não estou defendendo Dilma Roussef, mas criticando sim a forma como este processo de impeachment foi feito e deixo a pergunta no ar para que meus leitores participem do debate, se de fato em nosso país existe democracia.