Transex x Travesti

 

 Nas classificações que englobam os chamados transgêneros, as pessoas transexuais estão sendo facilmente confundidas por aquelas que se autodenominam travestis. Isso é perfeitamente compreensível até certo ponto já que as pessoas costumam julgar apenas pela aparência, pois de fato entre uma transex e uma travesti as características de feminilidade são extremamente acentuadas. Todavia, quando se faz uma análise mais profunda sobre essa classificação pode-se chegar a uma conclusão bem simplista e que pode destacar as diferenças entre uma transex e uma travesti.

A primeira diferença pode ser percebida pelo fenômeno psicológico que guia a própria percepção ou orientação sexual. Enquanto a transex se sente de fato uma mulher, ainda que presa em um corpo de um homem, a travesti não possui essa percepção e a transformação de seu corpo para atingir a feminilidade se limita puramente ao fetiche sexual. Exatamente por conta disso a travesti, por não se sentir uma mulher, consegue ser ativa e passiva em suas relações sexuais.

A segunda diferença a ser encontrada entre os dois casos pode ser ainda mais complexa de ser entendida pelos leigos no assunto. Trata-se dos relacionamentos amorosos que as pessoas transex cosntumam idealizar para si, pois uma vez que elas se sentem de fato uma mulher, elas procuram nos heterossexuais seus pares ideais. Esse comportamento talvez por ser mal compreendido, costuma escandalizar a muitos e até mesmo dentro da própria classe LGBTT, porque não conseguem entender a psicologia que guia esses sentimentos de uma pessoa transexual.

A terceira diferença a ser compreendida e a mais instigante de todas é sem dúvida a não aceitação ou identificação com o seu próprio sexo biológico. De fato, uma das primeiras análises a ser estudada e levada em consideração por psicólogos e psiquiatras para que uma pessoa seja diagnosticada como transexual, é justamente a rejeição que a pessoa possui pelo seu sexo biológico. Embora esta aversão ao próprio sexo biológico pode ser mais acentuada em uns e em outros um pouco mais tolerada, o fato é que esse desconforto gera na pessoa transexual, um transtorno, aflição e depressão. Por conta disso, recebe amparo por parte da Medicina, Psicologia e Psiquiatria para que se atinja a readequação pretendia por meios de hormônios e intervenções cirúrgicas.

Por fim, o confronto com a sociedade é o ponto onde talvez as pessoas transex mais sentem na pele o fator da desligitimação de suas identidades de gênero. Pois, quando uma pessoa transex (de homem para mulher), por exemplo, se relaciona no meio social gosta, exige e pretende ser respeitada, encarada e vista com a identidade de gênero que se identifica – ser tratada como uma mulher em todos os sentidos, inclusive, quando se tratar de sexo. Exatamente por conta disso, a famosa pergunta que muitos homens costumam fazer se uma transex (de homem para mulher) é ativa ou passiva, torna-se objeto de escárnio para toda e qualquer transex, pois se ela se sente uma mulher como poderia ser ativa?

Outro fato que costuma fazer com que muitas pessoas confundam travestis com transex é o fator da feminilidade que ambas possuem, mas como já foi dito anteriormente não é a aparência ou a caracterírstica da feminilização que designa se uma pessoa é transexual ou não, mas sim sua conduta, comportamento e identidade de gênero. E independente ou não da cirurgia de readequação no que tange o sexo biológico, a transexualidade deve ser encarada e respeitada como um fenômeno psicológico, pois embora a transformação do corpo seja uma meta a ser atingida por toda e qualquer pessoa transexual, submeter-se a cirurgia de readequação de sexo nem sempre é aconselhada, pois deve-se levar em consideração cada caso de forma particular, já que se trata de satisfação e felicidade pessoal. Assim sendo, não é porque uma pessoa fez uma cirurgia de troca de sexo que faz dela uma pessoa transexual, mas sim porque ela nunca se identificou com o seu próprio sexo biológico.

A distinção, portanto, se faz necessária, por que muitos homens têm a tendência de procurar uma transex confundindo-a com uma travesti, e por falta de conhecimento fazem abordagens desconcertantes e constrangedoras como, por exemplo, se ela é ativa ou passiva, ou fazem referência àquilo que ela própria sente aversão: seu próprio sexo biológico.

Feita esta distinção, não pretendo, contudo, inferiorizar as travestis. Muito pelo contrário, acredito que quanto mais informação se tiver sobre o assunto, mais se tem a ganhar no que tange a busca de sua própria satisfação pessoal e sexual, pois se um homem, por exemplo, busca uma transa onde ele gosta de ser passivo na relação e no entanto tem o fetiche de fazer isso com uma figura feminina, ele sem dúvida deverá recorrer a uma travesti e não a uma transex. E se uma transex quer ser aceita, tratada, percebida e atingir satisfação nessa sua feminilidade, ela sem dúvida deverá recorrer a um heterossexual ou no mínimo a um bissexual, mas nunca a um homossexual. Já a travesti, por transitar entre os dois papeis aceitos na sociedade heteronormativa (macho e fêma – homem e mulher) consegue se encaixar de acordo com o fetiche do momento.

Transfobia : preconceito + falta de conhecimento

     10128-transexuais-lutam-pelo-direito-de-viverem-num-pais-de-ampla-maioria-cristaMesmo com todo o avanço em debates sobre a transexualidade a sociedade maranhense parece viver a parte deste fenômeno social, pois grande maioria das pessoas ainda não sabem o que de fato é transexualidade.  A maioria ainda confundem com a homossexualidade ou simplesmente com um feitiche sexual do travestismo. Isso aponta o nível de ignorância ou falta de conhecimento em que muitas pessoas teimam em permanecer.  Em um enquete onde cerca de 50 pessoas foram entrevistadas, apenas 5 souberam responder que a transexualidade é uma identidade de gênero em que uma determinada pessoa nasce com um sexo biológico ( homem ou mulher), mas que não se sente pertencer a esse sexo e que como forma de tentar se redesignar procuram tratamentos hormonais ou cirúrgicos.

     Essa falta de conhecimento infelizmente acaba gerando certos tipos de preconceitos que acabam se enraizando na própria formação cultural das pessoas que elas acabam se condicionando a entenderem a transexualidade apenas como uma nuância da homossexualiade ou simplesmente um mero capricho em que uma pessoa simplesmente tenha decidido a mudar de sexo. É por conta dessa ignorância que o preconceito cega grande parte dos indivíduos fazendo com que muitos possam emitir discursos de ódio ou vexatórios em relação às pessoas transexuais.

     É nesse contexto que a avaliação que se faz sobre a questão que o conhecimento torna-se uma arma de emancipação na vida de um indivíduo pode fazer toda a diferença para a quebra de preconceitos. Isto porque quando se fala de preconceitos enraizados, deve-se levar em conta que isso foi feito por uma herança tradicional e cultural onde o indivíduo não consegue pensar, refletir e tomar suas próprias decisões sobre um determinado conceito a não ser por aquilo que lhe foi repassado pelas instituições mais elementares e que não ultrapassam jamais o senso comum. De fato, o que se percebe é que quanto mais a pessoa for carente de conhecimentos, mais preconceituosa ela será, e quanto mais ela for preconceituosa, mais fácil de ser manipulada ela será.

     Uma sociedade composta de néscios é exatamente o que a classe dirigente quer, enquanto ela própria é detentora do conhecimento.  Portanto, não é de se admirar que o Maranhão em todas as avaliações do INEP e ENEM sempre apontam um índice muito aquém do resto do país em relação ao nível do ensino fundamental e médio que é feito no Estado.

     É tão alarmante o nível de ignorância de certas pessoas que algumas chegam a publicar em redes sociais ao verem uma pessoa transexual “que bicho é esse?” Percebam que a pergunta vem imbuída, não apenas de falta de conhecimento, mas de preconceito, pois se uma pessoa transexual pode suscitar dúvidas na mentalidade de um indivíduo que queira designá-la, ainda assim continuará sendo uma pessoa e não um” bicho”.

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     Quando se percebe discursos como esses, a gravidade do preconceito ultrapassa até mesmo a área da opinião pessoal porque percebe-se a alienação em que um determinado indivíduo pode permanecer vivendo simplesmente por falta de conhecimento. E quando digo que é a situação é grave é porque sujeitos alienados tornam-se facilmente agressivos e nocivos quando deparados com situações que não se coadunam com sua própria realidade.

     Não vejo outra saída para a quebra de preconceitos senão por meio da difusão do conhecimento. Não se pode tapar o sol com a peneira; homossexuais, bissexuais, heterossexuais e transexuais existem e precisam conviver. Todos são atores sociais que necessitam de interações, exatamente por conta disso precisam entender que essas diferenças podem ser ajustadas a partir do momento que se estabeleça uma melhor compreensão da realidade a qual se está inserido. É lamentável que pessoas como Cledson Santos, ainda possua um pensamento tão arcaico a cerca da transexualidade. Mas, a culpa pela sua falta de intelecto ou conhecimento talvez não seja única e exclusivamente por sua culpa, e sim de todo um sistema que só tem a ganhar com a ignorância de um povo.

Parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis: um espetáculo ou uma mobilização política?

A parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis, que já está em sua sétima edição, cada vez mais vem adquirindo um público diversificado e de grandes proporções. Só no ano passado cerca de 400 mil pessoas entre gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes do movimento lotaram a Avenida Litorânea. Para este ano a estimativa é que 5000 mil façam parte da parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis. Mas por que este movimento, que é o maior movimento de rua de todo o Maranhão cada vez mais vem se consolidando na agenda cultural da cidade de São Luis e por que é cada vez maior o número de seus participantes? O que de fato significa esta mobilização e que lutas ele encerra?

De acordo com Carlos Garcia, um dos coordenadores da Ong Gayvota, grupo GLBT pioneiro do movimento aqui no Maranhão, a parada pelo orgulho da diversidade sexual é a celebração máxima onde todos os gays, bissexuais, travestis e transexuais se reúnem para festejarem suas conquistas e também mostrarem à sociedade quem são e pelo o que lutam de fato. “A parada pelo orgulho da diversidade sexual é o dia em que nós gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais nos reunimos a fim de festejarmos e celebrarmos as nossas conquistas, bem como mostrar à sociedade os nossos valores e que devemos ser respeitados enquanto cidadãos, pois a nossa constituição nos garante que somos iguais perante a lei independente de qualquer natureza”, afirma.

Todavia, muitas pessoas do próprio grupo social GLBT criticam esta mobilização. Segundo estes, falta no evento o verdadeiro caráter político que possa traduzir com mais fidelidade as principais reivindicações do movimento GLBT tais como a união civil entre pessoas do mesmo sexo, punição e amparo pelos crimes sofridos por homofobia e liberdade pela diversidade sexual.

O grupo Gayvota, articulado com outros grupos como a ATRAMA (Associação das travestis no Maranão), Lema (Grupo Lésbico do Maranhão), é quem promove a parada pelo orgulho sexual de São Luis. O evento, segundo a coordenação do grupo Gayvota, só vai para a avenida e ganha caráter de mobilização, após uma meticulosa reunião entre as Secretarias dos Direitos Humanos, Segurança Pública e de Saúde, representantes políticos e integrantes e filiados ao grupo gayvota, onde são debatidas as principais questões, lutas e conquistas que o movimento GLBT realizou durante o ano. Só depois disso é que o tema do evento é selecionado, e por fim aprovado para que possa servir como diretriz durante a mobilização. Este ano, por exemplo, a parada traz como tema; “Travesti e respeito”, como forma de protesto pelo assassinato da travesti Sabrina Drumonnd, presidente da ATRAMA.

Contudo, essa critica pela falta de cunho político durante a mobilização, se dá sem dúvida por causa da falta da participação de alguns políticos, sobretudo por aqueles que dizem apoiar o movimento GLBT como é o caso dos vereadores Astro de Ogum e Ivaldo Rodrigues, que embora gay’s assumidos, e que buscam entre o grupo GLBT fonte de eleitores, não são ativistas do movimento.

De fato, segundo Carlos Garcia, são muitos os políticos que procuram apoio no movimento GLBT. Todavia, a grande maioria acha que esse apoio pode se reduzir em apenas conceder um trio elétrico ou uma atração qualquer durante a parada pelo orgulho pela diversidade sexual. “O que nós precisamos de aliança política, nada mais é do que ter representantes que possam abraçar nossas causas e lutar junto com conosco para que, as mesmas, possam ser uma realidade, como conseguimos com o então deputado estadual Alberto Franco, que nos concedeu uma lei que nos protege e ampara contra os crimes de homofobia em nosso Estado”, enfatiza.

A ex-primeira dama do Estado, Alexandra Tavares no ano de 2005 foi eleita madrinha do movimento, tornando o Governo do Estado, juntamente com o ministério da Saúde um dos principais patrocinadores da parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis. Este ano, é a primeira vez que a prefeitura de São Luis vai patrocinar e apoiar a mobilização, o que deixa a coordenação do evento extremamente satisfeita, pois assim poderá fazer mais alianças políticas independente de partidos políticos.

O movimento GLBT do Maranhão, ao contrário do que muitos pensam, não está engajado apenas em promover a parada do orgulho pela diversidade sexual. Coordenado sempre pelo grupo Gayvota e outros afiliados como o Passo Livre, Grupo Sem Preconceito e Grupo Alternativo de Paço do Lumiar, Grupo Solidário Lilás de Ribamar, o movimento GLBT maranhense tem como objetivo maior erradicar a exclusão social que o grupo sofre, bem como lutar contra a homofobia e o próprio preconceito.

Prova disso, é o projeto “a deusa Afrodite”, que é um projeto do movimento que busca amparar e proteger as travestis, que segundo a Atrama, são quem mais sofrem preconceito. “O projeto tem como objetivo incluir de volta as travestis no seio da sociedade, quer incentivando-as a estudar, ingressar em uma faculdade e em todos os pólos profissionais, e para isso deverão ser tratadas e respeitadas como mulheres”, afirma Keyla Simpson, representante interina da Atrama.

Além disso, o grupo Gayvota está sempre apto e pronto para reivindicar e lutar pelos direitos da classe social designada GLBT, e para isso convida todos os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais a se unirem ao grupo que tem sua sede na Rua da Saúde/ Centro.

Essa articulação é também, feita através de seminários e palestras que são ministradas geralmente em casas noturnas GLBT de São Luís, onde as diretrizes e política do movimento são perpassadas para àqueles que tenham interesse em se filiar.

É justamente neste âmbito da divulgação, que o movimento GLBT de São Luis diz que o apóio da mídia maranhense, está resumido apenas a própria parada pelo orgulho da diversidade sexual, pois seu caráter espetacular torna-se mais importante do que seu cunho político diante desta.

O fato é que o evento da parada pelo orgulho da diversidade sexual, tomou proporções gigantescas, tanto que a mobilização está também sendo realizada em outras cidades do interior do Maranhão como são os casos de Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa. De fato, a parada pelo orgulho da diversidade sexual de São Luis, articulada com todos esses grupos e coordenada pelo grupo Gayvota, tornou-se desde o ano de 2003, ano de sua primeira edição aqui no Maranhão, a terceira maior parada pelo orgulho da diversidade sexual do Brasil, perdendo apenas para o Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Exclusiva entrevista com o Pastor que trouxe para São Luís a polêmica Igreja Evangélica para homossexuais

A Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE), uma igreja evangélica que tem por objetivo a inclusão daqueles que se sentem excluídos do seio da cristandade, entre os quais se pode citar os homossexuais, chega em São Luis. Eu, Cézar Júnior, entrevistei Flavio Jorge de Almeida (28), líder da igreja aqui em São Luis, e é ele quem nos conta um pouco dos principais fundamentos desta polêmica igreja.

Cézar Júnior: Como surgiu a idéia de criar uma igreja que apóia e não condena a homossexualidade?

Flávio Jorge: A CCNE é uma igreja inclusiva e que tem por objetivo, incluir todo e qualquer indivíduo que queira adorar ao Senhor Jesus Cristo, independente de qualquer condição. Infelizmente o que a maioria das igrejas evangélicas fazem é querer curar ou exorcizar a homossexualidade, como se esta fosse uma doença ou pecado. Nós aceitamos o indivíduo homossexual, por que acreditamos que é esta a vontade de Deus. Ser homossexual não é uma escolha. Então como eu posso querer obrigar um homossexual a deixar de ser homossexual. Além disso, o fato dele ser homossexual não pode e nem deve impedi-lo de adorar ao Senhor.

CJ: Mas existem passagens bíblicas onde existe condenação à homossexualidade. A CCNE tem uma doutrina específica?

FJ: Pregamos o mesmo evangelho que as demais igrejas evangélicas pregam. O que nos diferencia é que não procuramos condenar pessoa alguma. Essas passagens bíblicas, onde existe uma suposta condenação à homossexualidade, foram traduzidas de forma errada, por que não foram levados em consideração todo o contexto social e histórico da época em que foram escritas.

CJ: Então você está afirmando que a homossexualidade não é um pecado?

FJ: Sim. Deus nos deu o livre arbítrio, e tudo que depende de uma escolha, para o bem e para o mal, isso sim pode vir a ser pecado. No caso da homossexualidade é algo inerente ao sujeito. Ele não escolhe ser homossexual. E se ele não pôde escolher então não pode ser julgado por isso.

CJ: Quantos anos já tem a CCNE e como ocorre sua implantação no país?

FJ: Nossa matriz em São Paulo já tem seis anos, e a idéia é criar células em todo o país para que no futuro possam virar igrejas. É justamente este o trabalho que estamos realizando aqui em São Luis, onde já conseguimos alguns adpetos e fieis, que descontentes com a postura de exclusão das demais igrejas, estão nos procurando. São pessoas com fome de adorarão a Deus e que se vêm impedidas de fazerem isso.

CJ: Mas quando vocês usam o termo inclusiva, está se referindo apenas aos gay’s?

FJ: Não, não somos uma igreja exclusiva para homossexuais, ainda que a grande maioria dos fiéis seja homossexual. Nossa igreja está aberta para todos aqueles que se sentem excluídos de uma forma ou de outra.

CJ: Como está sendo a reação do público aqui em São Luis com a implantação da CCNE?

JF: A reação da maioria das pessoas é de surpresa, afinal somos ensinados de que a homossexualidade é um pecado mortal diante de Deus e um erro diante dos homens. Mas muitos estão se propondo a conhecer de maneira profunda o evangelho inclusivo.

CJ: Você próprio afirma que a maioria dos fieis que procuram a igreja são homossexuais. Você é homossexual?

FJ: Sim eu sou, e encontrei na CCNE uma igreja que ao invés de condenar-me por isso, me acolhe e me estimula a ser um verdadeiro cristão e não mais me sinto envergonhado diante de Deus.É claro que quando dizemos que aceitamos a homossexualidade, isto não quer dizer que aceitamos a luxúria, a licenciosidade, a promiscuidade e a perversão sexual.

CJ: A CCNE vai realizar casamentos entre homossexuais?

JF: As igrejas que já estão atuando em Fortaleza, Natal e São Paulo já fazem isso e aqui não será diferente. Se aceitamos que a homossexualidade não é um pecado, então por que não permitir que duas pessoas do mesmo sexo, que realmente se amam, possam se unir.

CJ: Quem são os mais veementes opositores da CCNE; os evangélicos ou os católicos?

FJ: Os evangélicos sem dúvida, por que acham que estamos deturpando o Evangelho que eles pregam, quando na verdade estamos apenas lutando para salvar tantas vidas, tantos gay’s que andam perdidos, sem rumo, achando que Deus as condena e abomina. Nosso exemplo maior é o próprio Jesus, que invalidou paradigmas religiosos que oprimiam vidas, e ele foi perseguido justamente por isso. Ele amou ao invés de odiar. Ele abraçou ao invés de abominar e tocou ao invés de enojar.

CJ: Mas o que dizer dos muitos casos de ex-gay’s,  que ingressaram em uma igreja e foram libertos da homossexualidade?

FJ: Olha o que existe e acontece, é que muito apenas deixam de viver, praticar a sua homossexualidade. Mas isto não significa que deixam de ser homossexuais, pois seus desejos e sentimentos continuam inalterados. É da nossa natureza. Nascemos homossexuais, fomos criados assim e se Deus abominasse ele não nos teria feito assim.Assim como nascemos com a cor dos nossos olhos e não podemos mudar isso, ninguém também pode fazer alguém deixar de ser gay. Eu já vi muitos testemunhos de gay’s que  tentaram de todas as formas serem libertos e curados da homossexualidade e de outros que supostamente foram curados pelos rituais de certas igrejas, e afirmo; todos sãos ex ex-gay’s. “ Por ventura pode um etíope mudar a sua pele, ou um leopardo mudar as suas manchas?” Je 13;23

CJ: A CCNE está engajada com o movimento gay daqui de São Luis?

FJ: Não, por que a nossa proposta não é política, embora nós já fomos procurados pelo grupo Gayvota para também sermos ativistas dos direitos dos homossexuais. É claro que se formos procurados apenas para pregar o Evangelho Inclusivo, estaremos aqui de portas abertas.

CJ: Aos interessados como fazer para congregar-se a CCNE aqui em São Luis?

FJ: Nossa célula fica na Rua João Manoel Cunha n° 02 Cohab, onde temos cultos, palestras, sermões e debates todos os domingos às 18h: 30. Aproveitando o ensejo convido a todos para nos visitarem e conhecerem o nosso evangelho de inclusão e amor ao próximo. Estamos sempre dispostos pelos telefones: 8873 9626, 8803 3755, 81895740, e também pelo e-mail: ccne.sl@hotmail.com, e   pelo orkut saoluiz@ccne.org.br.

O fenômeno da transexualidade e travestismo na Itália

Há algum tempo eu venho fazendo uma pesquisa sobre o comportamento dos gay’s por alguns países, e o que tenho percebido é que esse comportamento se coaduna conforme a cultura e tradição local. No Brasil, por exemplo, os gay’s podem viver mais livremente, por que embora ainda não exista nenhuma lei que os ampare, não existe também nenhuma que os condene por sua orientação sexual.

Já na Arábia Saudita ou no Iraque, os gay’s devem viver exclusivamente às escondidas, ou para usar um jargão, jamais devem sair do armário, pois não só seriam vítimas do preconceito, como até seriam presos já que nesses países islâmicos ser homossexual é tido como abominação e crime.

Mas além disso, existe outro fator muito curioso no comportamento dos gay’s nos diversos países, pois enquanto no Brasil o gay mais apreciado e desejado pelos outros gay’s é o másculo, metido a ” bofe”, em muitos países da Europa, como na Itália, por exemplo, os mais requisitados são os efeminados, as pintosas. Mas por que será que existe essa diversidade entre estas apreciações?

Levado por esta indagação, foi que me imiscuir pela Internet e pesquisei em muitos chat’s e site de relacionamentos, para que eu pudesse compreender melhor esta diversidade. Além disso, entrevistei muitos estrangeiros gay’s e a resposta não foi muito diferente daquela que encontrei na Internet.

De fato, a Europa sempre foi um pouco mais rígida com os seus habitantes, talvez por que, uma vez que tenha sido palco do velho mundo, foi onde as coisas se consolidaram e convencionaram-se. Ou seja, foi onde, pela primeira vez os gay’s sofreram perseguições acirradas. É claro que hoje em dia tudo mudou, e as coisas estão mais tolerantes. Contudo, a tradição e a herança cultural de um povo é algo muito forte para ser rompido de uma hora para outra.

Na itália, por exemplo, os gay’s dificilmente se assumem, e muitos jamais o fazem por toda a vida pelo simples medo de sofrerem discriminação no seio da família, da Igreja, que lá ainda tem muita influência e poder ( não é à toa que o Vaticano está encravado em Roma), e da sociedade como um todo. Algumas cidades, como Milão ainda se mostram mais tolerantes, ainda que mesmo assim devam viver na surdina.

A parada gay neste país,contudo, tem demonstrado uma força iminente, para mostrar para o país que lá também existem gay’s, e que assim como os demais, tem ânsia de viver suas próprias emoções e sem máscaras.

Tomo o exemplo da Itália, por que foi onde tive maior contato com os entrevistados e também por que foi onde o fenômeno do travestismo e da transsexualidade me chamou mais atenção.

De fato, Milão já não é apenas mais conhecida como a capital da moda e a cidade mais rica da Itália, mas também como uma das cidades que mais têm travestis e transsexuais no mundo, embora  todas estrangeiras.

É exatamente esse ponto culminante da discussão. Por que todas são estrangeiras? É fato que a maioria dessas transsexuais e travestis acabam caindo na prostituição por estas grandes cidades da Europa como Milão e Roma, e se isso acontece, é por que existe uma grande clientela que muito as aprecia.

Pois bem, o que pude perceber é que o gay efeminado ou a travesti ou mesmo a transsexual, são bem mais desejadas e requisitadas do que os tidos “machões” na Itália. Isto me leva a formular a hipótese de que este fenômeno cultural e social se dá pelo fato de que, uma vez que os gays italianos vivem reprimidos, obviamente que estes não podem se travesti ou simplesmente demonstrar quem são de fato, como então acontece com os efeminados. Estes, portanto, são raros e por isso mesmo tornam-se valiosos.

Além disso, nada impede que estes gay’s reprimidos tentem se espelhar e verem a si mesmos nestas transsexuais, travetis e gays efeminados. Desejando ser como eles, e uma vez que não podem, amam e desejam o que eles possuem; a liberdade de ser gay.

É claro que uma vez que se trata de uma hipótese, posso perfeitamente errar. Entretanto, é uma possibilidade que não se pode refutar. Agora só me resta ir a Itália, comprovar ou não esta minha hipótese, embora de uma coisa eu esteja convicto: ser gay é algo congênito. Mas o comportamento gay é algo cultural.

A coragem que não existe

Existem dias em que a vida se enche de por que’s

onde a esperança causa fadiga

e onde tudo parece ser dissolvido

e isso faz você perde a fé no amor e nas pessoas

Aí você se pergunta se é possível alguém sofrer mais do que você.

São dias nos quais você se rende

ao mundo em tua volta para não mais sentir medo da coragem que não existe

e te sentes tão sozinho que já nem pode mais lutar

e sem forças espera

uma saída, um amanhã que possa cura as feridas que existem  dentro de você

mas se você a procurar vai encontrar a coragem que não existe

E quando você erra isso não importa, tente novamente.

Pois haverá sempre uma porta ou um obstáculo diante de nós

Mas o que realmente conta

é que não desista jamais

por que talvez estejas  apenas a um passo

Procure uma saída, um amanhã que possa te trazer uma outra vida

não só para você mas também para os outros

Se você acreditar nisso

vai encontrar a coragem que não existe

Para todos aqueles que já não a tem  

para quem já a perdeu e a está procurando

e para quem está mal como tu estávas

mas que ainda assim espera

que tudo possa mudar

Uma saída, um amanhã que

traga uma outra vida para você e para todos

Uma estrada na  qual agente não pode se perder pela dor

Não te desespere procure dentro de você

esta saída e este amanhã onde você vai reencontrar a coragem

Ela agora  já existe dentro de você.

Tradução da música ” Il coraggio che non c’è ” de Laura Pausini. A letra da música é mais do que filosófica, é uma alfinetada de autoajuda para todos que estejam deprimidos ou passando por uma dura prova. Foi precisamente no ano de 1996, quando então passei pela minha primeira crise de existência ou de personalidade, por que não queria me aceitar como gay, que esta música chegou na minha vida através da voz maravilhosa de Laura Pausini. E embora eu ainda não soubesse absolutamente nada em italiano, pude mesmo assim sentir a força de sua mensagem dizendo para que eu buscasse um amanhã e uma saída dentro de mim mesmo para superar este meu grande obstáculo.

Depois então quando aprendi italiano, dei aulas e comecei minhas traduções, muitas outras pessoas apaixonaram-se não só pela voz de Laura, mas também pelas suas idéias e mensagens, sobretudo, àquelas que mais precisavam  de um aconselhamento. Eu tive um amigo, que assim como eu,  quis desistir da vida por que seus pais não o aceitavam como gay. Eu lhe dei de presente esta música e a tradução, e logo ele percebeu que o que Laura Pausini lhe dizia era que não devia desistir de ser feliz e que os obstáculos eram ferramentas utilizadas por Deus para que possamos evoluir como seres humanos. Graças a Deus ele a ouviu e a mim também.

Espero que Il coraggio che non c’é possa ter esta mesma utilidade aqui. Obrigado mais uma vez Laura Pausini. Você tem provado ser bem mais do que uma cantora. És uma estrela guia.

Em um quarto quase rosa

Olha, nós estamos sozinhos neste quarto

e ainda assim parece que alguém está nos vendo

Ouve! Não existe nenhum barulho e  ainda assim algo está se movendo.

Beije aquele que realmente te conhece e apague está luz fortíssima

Belo, eu estou viajanddo a mil por hora com você neste quarto quase rosa

Aqui ninguém pode dividir aquilo que Deus uniu

Aqui ninguém pode decidir por nós

Então me acaricie sem vergonha alguma e sorria se tiver vontade

e verás que mais cedo ou mais tarde você fará isso também fora daqui

sem medo e em plena luz do dia

sem mais procurar evitar o olhar das pessoas.

Sem medo e em plena luz do dia

e com a coragem de quem ama.

Olha, este amor está cada vez maior

e este quarto já nos sufoca

E então, então vamos lá para fora

Vamos nos vestir e sair

vamos dá luz aos nossos sonhos

debaixo deste céu azul.

Coragem!

Ninguém mais vai arrancar a minha mão da tua

Você vai ver.

Sem medo e em plena luz do dia,

sem mais procurar evitar o olhar das pessoas.

Sem medo e em plena luz do dia,

com a coragem de quem ama,

de quem ama

Olha, estamos sozinhos neste quarto

e ainda assim parece que alguém está nos vendo.

Essa é a tradução da música “In una stanza quasi rosa”, de Laura Pausini. Acredito que a própria letra  da canção fala por si só de um amor que ainda é visto pela sociedade como um amor proibido ( o amor gay). Mas a própria Laura Pausini, em uma entrevista para a revista italiana Donna , afirmou que a música foi inspirada no amor gay, sobretudo, do italianos que ainda precisam muito se esconder por causa do preconceito. Além disso ,a cantora também aproveitou para dizer, que grande parte de seus fãns são gay’s, quer estes sejam italianos ou não, e procurou através desta canção homenageá-los, e lhes emprestar a voz para que pudessem dizer ao mundo, que também amam e sofrem não só pelo preconceito, mas também por terem que viver nesta clausura.

É claro que por causa disso, a popstar italiana, recebeu duras críticas, inclusive do Vaticano que cancelou a participação  da cantora no show da noite de natal promovido logo após a Missa do Galo na praça de São Pedro. Mas ainda assim, a maior estrela da música italiana, continuou seu apoio aos gay’s pelo mundo a fora.

Grande Laura Pausini.

Por que trair?

Ter e manter um relacionamento amoroso requer não só amor, mas também responsabilidade e respeito, e talvez por falta disso, vemos muitos relacionamentos desmoronarem de forma tão dolorosa.

Mas por que será que nos apaixonamos? O que nos leva a buscar em outra pessoa a felicidade, o gozo, o sorriso e alegria? Que química faz com que nossos corpos se atraiam e faz a empatia de cada um de nós, para que juntos, queiramos ser um só? E por que essa busca acontece no meio de tantos percalços, frustrações e decepções como a dor da traição, rejeição e desprezo?

Com meus 29 anos de idade eu adquiri um pouco de experiência sobre o caráter e o comportamento das pessoas quando estão apaixonadas, quando estão traindo e por que o fazem. Para tanto vou me limitar um pouco sobre o relacionamento homoerótico ou homoafetivo, já que sou gay e, por tanto, tenho experiência e gabarito para falar no assunto.

Acredito acertadamente que as pessoas sentem a necessidade de se apaixonarem por que nascem meio que incompletas emocionalmente. Você pode sorrir consigo mesmo, nada te impede disso, mas é bem mais gostoso e real se você o faz com outra pessoa. Você pode chorar sozinho, mas se sentirá confortado se tiver um ombro amigo para chorar. Você pode cantar para si próprio, mas se sentirá mais reconhecido e vivo se o fizer para uma platéia. Você pode falar sozinho, mas só alcançará compreensão se se dirigir a alguém. Por fim você pode até fazer sexo consigo mesmo (masturbação), mas só atingirá o orgasmo, se estiver transando com alguém. Sim, você pode e deve se amar em primeiro lugar, mas também precisará de alguém para receber esse amor.

Diante disso, posso afirmar que o que nos leva a nos apaixonar ou amar é a combinação daquilo que talvez buscamos em nós mesmos, e que por um motivo extremamente relativo, torna-se fugidio de nossas vidas, e é exatamente isso que nos possibilita a busca incessante pelo amor romântico.

Mas se essa teoria está certa, então por que mesmo encontrando essa parte emocional e afetiva tão escassa e almejada, muitos abdicam dela em troca de uma mera distração ou aventura sexual? Por que existem tantas traições nos relacionamentos amorosos?

Não sou nenhum psicólogo, sou jornalista, mas mesmo assim, posso dizer que quem assim age, está traindo a si próprio em primeiro lugar, pois está contradizendo essa busca inata.

Tenho vivido e presenciado muitos casos em que após trocas e juras de amor, esse sentimento tão nobre, ver-se conspurcado por uma tola aventura sexual. E aqui estou me referindo não àqueles relacionamentos desgastados pelo tempo ou desprovidos de amor verdadeiro, mas sim daqueles cúmplices em que dois mais dois é um e não quatro.

Já me apaixonei oito vezes e amei verdadeiramente cada um dos meus namorados com toda a intensidade do meu ser, e embora todos tenham sido abalados pelos percalços que certanmente um homo e um bi (sim pois todos os meus ex-namorados eram bissexuais), passam em uma relação homoafetiva, apenas dois destes conseguiram macular a imagem do amor perfeito que eu trazia no meu coração, com a dor da traição. E não foram traições daquelas em que você se sente menosprezada ou inferiorizado pelo rival e onde você às vezes faz a tola pergunta: o que ele ou ela tinha melhor ou a mais do que eu? Foram traições a eles próprios, pois atiraram no lixo todo o amor que eu lhes devotava em troca de uma mera aventura sexual ou de um gozo de uma transa corriqueira, movidos pela promiscuidade. Claro que meu coração ficou despedaçado do mesmo jeito, e chorei e me desesperei como todo mundo quando é traído. Mas logo depois, eu analisei que o grande traído nesta história tinham sido eles próprios, ao contradizerem seus próprios corações, permitindo que a promiscuidade, que é a grande maleza que corrói a maioria de todos os corações, não mais lhes permitindo a fidelidade, guiassem suas atitudes irrefletidas.

Portanto, se você ainda não se sente capaz de está com alguém, ainda não se sente capaz de amar, não se prenda a um relacionamento fixo e que requer cumplicidade, ou se está sentindo que o amor acabou, está fragilizado,e que a relação está desgastada, não traia e diga que mesmo assim ama, por que quem ama não trai. Só abra a boca para dizer eu te amo se você realmente sentir isso. E por fim jamais troque um namoro, um casamento ou um amor por uma aventura sexual, por que, ainda que você diga que não está fazendo essa troca traindo a pessoa que te ama, você está fazendo bem mais do que isso. Você estará atirando ao lixo tudo o que ela lhe devota e requer de você, e estará traindo a si próprio, ao seu próprio coração deixando-se seduzir por emoções passageiras.

E para você que foi traído, está sendo traído ou desconfia que está sendo traído deixo esta mensagem: o amor é um paradoxo, pois que ama não trai, mas quem ama perdoa.

Uma mensagenm para ser refletida, é claro, pois haverá aqueles que dirão: se se pode perdoar, então eu posso trair. Mas até quando haverá perdão? Certamente enquanto existir amor, e a traição é uma afiada espada capaz de decepar e arrancar o mais forte dos amores de dentro de todo e qualquer coração.

A complexidade das relações amorosas dos homossexuais

Encontrar um amor ou parceiro fixo está cada vez mais difícil no mundo tribalista de hoje, e mesmo que algumas garotas ainda apostem na idéia do príncipe encantando ou que alguns rapazes ainda desejem tomar para si uma donzela, as relações de afeto do mundo atual tendem a seguinte regra: transar (ficar), namorar, noivar e por fim casar. O problema é que apenas 10% dessas relações transpõem a primeira fase o ficar , o que a grosso modo, pode-se com categoria afirmar que, nos dias de hoje o amor está cada vez mais frio nos corações das pessoas.

Mas se isso se torna problemático para àqueles que buscam uma relação mais duradoura e consistente como o amor, é também a única forma que muitos se utilizam para viver diversas transas e emoções até poder escolher uma para que possa se relacionar de fato.

Mas por que problematizar um assunto tão banal como esse? Por que exatamente é isso, o cerne que nos  une para que possamos viver em uma sociedade orgazinada e equilibrada. Mas se a busca pelo amor verdadeiro é assim tão caótica nas relações heterossexuais, ela certamente se duplica quando passa para a esfera homossexual. Isto não por que os homossexuais não sejam capazes de amar como os heterosssexuais, mas por que muitas vezes a escolha do parceiro ideal tende a ser distorcida quando a barreira entre heterossexualidade e homossexualidade é rompida.

Por exemplo, existem muitos casos em que um rapaz gay se apaixona por outro heterossexual, onde a própria orientação sexual dos dois por serem diversas tenderá a distanciá-los, embora esse mesmo contraste possa entesá-los e inflarmar-lhes a libido. Pois é preciso levar-se em consideração que existem muitos casos comprovados  de rapazes heterossexuais que esporadicamente ou não praticam relações sexuais com gays, e aqui cabe lembrar que todos são unânemes em afirmar que o que buscam é apenas satisfação e prazer sexual, nada mais.

E é exatamente aí onde reside o x da questão, pois embora seja perfeitamente concebível que um homem, que se autodesigna heterossexual, pratique sexo com um homossexual, este jamais poderá se apaixonar pelo gay, pois se assim o fizer estará negando sua própria orientação sexual.

Assim embora dois homens com orientações sexuais diversas possam praticar sexo entre si, estes jamais poderão se amar e manter uma relação estável, concreta e verdadeira. É claro que muitos se iludem discordando disto, pois sei que também existem muitos casos  em que dois homens de natureza sexual divergente convivem ou até namoram. Entretanto se nós nos aprofundarmos um pouco mais nesses casos veremos que,  o que os une é o jogo do interesse, da ambição e do status. Por isso afirmo categoricamente que dois homens só poderão se amar e serem felizes, se os dois forem gay.

Mas então por que será que existe esta infração  na órbita das orientações sexuais? O que leva um heterossexual a se deitar com um homossexual ou vice-versa?

Em uma enquete realizada por mim no orkut, por entre um grupo de 200 rapazes heterossexuais,  180 afirmaram que o que os motiva é o dinheiro ,10 que inflamavam-se por aqueles mais afeminados e por causa disso mesmo conseguiam sentirrem-se atraídos por estes, e outros 10 por que estavam extremamente carentes.  Participe

Já a mesma pesquisa realizada em um grupo de 200 rapazes homossexuais, 190 afirmaram que  sentiam-se atraídos  pela masculinidade, característica que, segundo a maioria afirma, a grande maioria dos gays são carentes, e apenas 10 afirmaram que a própria transgressão da categoria (hetero/homo) despertava-lhes a libido.

Diate disso, podemos afirmar que a complexidade de se encontrar um parceiro fixo ou amor no meio desta transgressão é extremamente alta, uma vez que são duas partes antagônicas e que momentaneamente se unem apenas por alguns minutos de um coito.

É esta a ideía que nos passa Marcos (25), estudante de arquitetura, paulista e gay assumido desde os seus 18 anos . “Meus amigos ficam perplexos comigo quando eu lhes digo que eu não gosto de ficar com outro gay. Isto por que eu prezo pela masculinidade e quando percebo que o rapaz tem qualquer trejeito afeminado logo perco meu interesse e sei que o mesmo acontece quando os gays me vêem, pois sei que sou afeminado. Mas o que é ainda mais incrível é que eu também consigo despertar entre estes supostos heteros o interesse sexual”, afirma.

Já Renan ( 29), estudante de jornalismo, maranhense e bissexual afirma que quem fica com outro homem mesmo que esporadicamente ou por impulso, não pode se considerar jamais hetero, mas sim bissexual. ” O que as pessoas hoje em dia têm medo é do rótulo, pois conheço muitos amigos meus que me confessam que sentem vontade de transar com algum gay mas que se sentem inibidos com medo do que irão pensar de si mesmo depois”,declara.

De fato, eu elaborei a seguinte categoria de homossexuais para que àqueles que  pensam que ser homossexual é apenas o sujeito que gosta de outro homem e desmunheca, possam entender a complexidade da coisa.

Assim temos quatro categorias. A primeira é elencada pelas bichas que são os homossexuais digamos mais  clássicos e ao mesmo tempo mais satíricos e satirizados. São aqueles que tendo trejeitos femininos e muitas vezes aparência feminina abusam desses seus dotes para esteriotipar quem são de fato, sem contudo jamais conseguir alcançar uma feminilidade plena e completa. Exemplo: Vera Verão ( Jorge Lafon).

A segunda é formada pelos gays que são os homossexuais, digamos menos esteriotipados, uma vez que, embora tenham ou não trejeitos afeminados não buscam a caracterização feminina. Esta é a maior de todas as categorias. Exemplo: Fredy Mercury, Clodovil.

A terceira categoria é composta pelos travestis ou transsexuais, que como o próprio nome já diz, é formada pelso homeossexuais que se transmutam ( por meio de cirurgias), ou se travestem para melhor se caracterizarem como mulher, pois buscam a feminilidade plena e absoluta. Exemplo: Roberta Close.

A quarta categoria é formada por aqueles que eu chamo de entendidos, que são os homossexuais mais complexos  de indentificar, pois, ao contrário dos demais, não possuem nenhum trejeito ou traço que possa distorcer sua masculinidade, pelo ao menos na aparência.  Esta é a segunda maior categoria e é onde a maioria dos homossexuais enrustidos se encontram. Exemplo: Renato Russo, Evaristo Costa.

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Cabe lembrar que esta classificação independe das predileções sexuais (ativo, passivo ou versátil) e que delas estão excluídos os bissexuais, ainda que se assemelhem a algumas das características supracitadas.

Mas por que classificar os homossexuais nesta categorias. Por que assim acredito que cada qual sabendo quem ou o que de fato é, saberá o que buscar e onde buscar. Assim, acredito eu que, uma bicha jamais quererá namorar com um travesti ou uma transssexual. Mas um entendido talvez sim, assim como que para  um gay será mais fácil sentir-se atraído por um entendido ou mesmo outro gay. Isto por que, como a busca pela masculinidade é quase unanimidade na maioria dos casos, este mesmo grau de masculinidade tende a decrescer conforme as categorias.

Para ficar ainda mais fácil segue o quadro abaixo:

Gay – Masculinadade  amena

Bicha- Masculinadede irrelevante

Travesti ou transsexual – Masculinidade inexistente

Entendido – Masculinidade perceptível, forte.

Grau de compatibilidade proposto:

Gay x gay

Entendido x travesti ou transsexual.

Bicha x entendido

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