Transexualiadade é motivo de chacota para certos radialistas do Maranhão

Fico simplesmente perplexa ao me dá conta que, apesar de todo o debate público envolvendo a questão da identidade de gênero, orientação sexual bem como o reconhecimento da transexualidade por parte do poder público como um fato social a ser respeitado, muitos profissionais da imprensa ainda abordem o tema com tamanha falta de respeito. Tais profissionais se esquecem que um dos papeis da imprensa, além de informa é justamente normatizar a população, pois quando um determinado acontecimento ou fato é narrado e divulgado pela imprensa, deve-se atentar a ênfase que existe em afirmar que um determinado fato é punível, é vergonhoso, é reprovável ou elogiável e notável.

Diante disso jornalistas e profissionais da comunicação de modo geral precisam se atentar quanto a ética profissional e não desmerecer a quem quer que seja por questões referentes a identidade de gênero ou mesmo orientação sexual. Muito pelo contrário, embora saibamos que o ser humano por ser um ator social e como tal possa se deixar imbuir de preconceitos muitas das vezes estabelecidos e perpassados por correntes culturais, ainda assim quando um jornalista ou radialista faz uso de um veículo de comunicação e se reporta ao público para falar sobre uma pessoa transexual, ele, embora, tenha suas opiniões particulares sobre o assunto, não deve jamais se esquecer do seu papel ali enquanto comunicador e jornalista, isentando-se, portando de seus preconceitos.

Foi verdadeiramente lamentável ouvir a forma como os radialistas Leandro Miranda, Jeisael Marx e Clodoaldo Correia trataram do assunto durante o Programa Ponto Continuando da Mais FM, envolvendo uma transexual que “teria causado uma grande sensação” em Pinheiro neste carnaval ao ter sido flagrada aos beijos com empresários, políticos, blogueiros e até autoridades policiais. Apesar de entender que isso possa virar pauta de notícia apenas porque se trata de um caso diferenciado justamente porque trata-se de uma transexual, não é compreensível, contudo, que façam chacota da pessoa transexual ou insinuações levianas que só ajudam a deturpar a imagem preconceituosa que muitas pessoas ainda tem da pessoa transexual. Acredito que mesmo no jornalismo opinativo tem limites a serem respeitados por um profissional ético e que reforçar o preconceito ou mesmo o machismo em um veículo de comunicação é algo que precisa ser repudiado no jornalismo.