Transfobia : preconceito + falta de conhecimento

     10128-transexuais-lutam-pelo-direito-de-viverem-num-pais-de-ampla-maioria-cristaMesmo com todo o avanço em debates sobre a transexualidade a sociedade maranhense parece viver a parte deste fenômeno social, pois grande maioria das pessoas ainda não sabem o que de fato é transexualidade.  A maioria ainda confundem com a homossexualidade ou simplesmente com um feitiche sexual do travestismo. Isso aponta o nível de ignorância ou falta de conhecimento em que muitas pessoas teimam em permanecer.  Em um enquete onde cerca de 50 pessoas foram entrevistadas, apenas 5 souberam responder que a transexualidade é uma identidade de gênero em que uma determinada pessoa nasce com um sexo biológico ( homem ou mulher), mas que não se sente pertencer a esse sexo e que como forma de tentar se redesignar procuram tratamentos hormonais ou cirúrgicos.

     Essa falta de conhecimento infelizmente acaba gerando certos tipos de preconceitos que acabam se enraizando na própria formação cultural das pessoas que elas acabam se condicionando a entenderem a transexualidade apenas como uma nuância da homossexualiade ou simplesmente um mero capricho em que uma pessoa simplesmente tenha decidido a mudar de sexo. É por conta dessa ignorância que o preconceito cega grande parte dos indivíduos fazendo com que muitos possam emitir discursos de ódio ou vexatórios em relação às pessoas transexuais.

     É nesse contexto que a avaliação que se faz sobre a questão que o conhecimento torna-se uma arma de emancipação na vida de um indivíduo pode fazer toda a diferença para a quebra de preconceitos. Isto porque quando se fala de preconceitos enraizados, deve-se levar em conta que isso foi feito por uma herança tradicional e cultural onde o indivíduo não consegue pensar, refletir e tomar suas próprias decisões sobre um determinado conceito a não ser por aquilo que lhe foi repassado pelas instituições mais elementares e que não ultrapassam jamais o senso comum. De fato, o que se percebe é que quanto mais a pessoa for carente de conhecimentos, mais preconceituosa ela será, e quanto mais ela for preconceituosa, mais fácil de ser manipulada ela será.

     Uma sociedade composta de néscios é exatamente o que a classe dirigente quer, enquanto ela própria é detentora do conhecimento.  Portanto, não é de se admirar que o Maranhão em todas as avaliações do INEP e ENEM sempre apontam um índice muito aquém do resto do país em relação ao nível do ensino fundamental e médio que é feito no Estado.

     É tão alarmante o nível de ignorância de certas pessoas que algumas chegam a publicar em redes sociais ao verem uma pessoa transexual “que bicho é esse?” Percebam que a pergunta vem imbuída, não apenas de falta de conhecimento, mas de preconceito, pois se uma pessoa transexual pode suscitar dúvidas na mentalidade de um indivíduo que queira designá-la, ainda assim continuará sendo uma pessoa e não um” bicho”.

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     Quando se percebe discursos como esses, a gravidade do preconceito ultrapassa até mesmo a área da opinião pessoal porque percebe-se a alienação em que um determinado indivíduo pode permanecer vivendo simplesmente por falta de conhecimento. E quando digo que é a situação é grave é porque sujeitos alienados tornam-se facilmente agressivos e nocivos quando deparados com situações que não se coadunam com sua própria realidade.

     Não vejo outra saída para a quebra de preconceitos senão por meio da difusão do conhecimento. Não se pode tapar o sol com a peneira; homossexuais, bissexuais, heterossexuais e transexuais existem e precisam conviver. Todos são atores sociais que necessitam de interações, exatamente por conta disso precisam entender que essas diferenças podem ser ajustadas a partir do momento que se estabeleça uma melhor compreensão da realidade a qual se está inserido. É lamentável que pessoas como Cledson Santos, ainda possua um pensamento tão arcaico a cerca da transexualidade. Mas, a culpa pela sua falta de intelecto ou conhecimento talvez não seja única e exclusivamente por sua culpa, e sim de todo um sistema que só tem a ganhar com a ignorância de um povo.

Homofobia x preconceito

O cerne da luta do movimento gay pesa sobre dois grandes pilares; a luta contra a homofobia e contra o preconceito. Destes dois pólos, um tanto quanto diversificados, todas as demais lutas do movimento gay procuram suas diretrizes e engajamentos para defenderem seus direitos civis e humanos.

Mas sendo gay ou não, todos nós precisamos saber fazer a distinção entre o que é homofobia e o que é preconceito, uma vez que pode até ser tolerável que eu seja preconceituoso, mas homofóbico não.

Isto por que, homofobia, que é a caracterização da aversão à homossexualidade, é considerada um crime. Tanto que muitos Estados, como o Maranhão, já institucionalizaram o combate a homofobia através de projetos de lei.

Essa medida tem levantado muitos questionamentos, sobretudo naquilo que tange à liberdade de expressão, que garante a todo e qualquer cidadão brasileiro, manifestar-se de acordo com aquilo que ele julga certo e correto. Assim, por exemplo, um homem tem todo o dinheiro de não gostar da prática da homossexualidade ou mesmo de conviver com um gay. Ele pode até gritar para os quatro cantos do mundo essa sua posição e comportamento preconceituoso, e não será punido por causa disso, pois a Constituição Federal lhe dá esse direito. Mas o que ele não pode é ter uma atitude homofóbica como, por exemplo, agredindo um gay de forma verbal, moral ou física.

O x da questão reside exatamente em saber que emitir uma opinião pode ser caracterizada como preconceituosa ou não, e a pessoa é livre para ter preconceitos e opiniões, embora essa não seja uma atitude muito louvável, pois a própria palavra preconceito emite um conceito previamente formulado antes de se conhecer as coisas de fato.

Vivemos em um país democrático e de liberdade de expressão e exatamente por isso que o preconceito é tolerável e até respeitado enquanto opinião. Mas a homofobia que, não só é aversão criminosa à homossexualidade, mas também fruto de uma concepção de que ser homossexual é uma aberração que deve ser combatida, esta sim precisa ser vigiada, coibida e punida, pois muitos crimes de homofobia não se limitam apenas à agressão física, moral ou verbal, mas também a homicídios, como foi o caso do assassinato de Sabrina Drummond, travesti assassinada na Avenida Guajajáras em fevereiro, vítima de um serial killer homofóbico, e que confessou que já havia matado mais três travestis pelo simples fato de serem homossexuais.

Portanto, é tolerável ter preconceito contra homossexuais, desde que este se limite a uma mera opinião e comportamento. Mas quando a coisa parte para uma atitude e ação, caracterizando-se em homofobia, será certamente punida. Os direitos humanos e civis também garantem que ninguém deva sofrer qualquer tipo de agressão por causa de sua religião, opinião, liberdade de expressão e sexo.

Dizer não a homofobia, é provar acima de tudo que, se é um cidadão de bem, e uma pessoa evoluída socialmente, uma vez que ser homofóbico é o mesmo que ser criminoso perante a sociedade.

Em um quarto quase rosa

Olha, nós estamos sozinhos neste quarto

e ainda assim parece que alguém está nos vendo

Ouve! Não existe nenhum barulho e  ainda assim algo está se movendo.

Beije aquele que realmente te conhece e apague está luz fortíssima

Belo, eu estou viajanddo a mil por hora com você neste quarto quase rosa

Aqui ninguém pode dividir aquilo que Deus uniu

Aqui ninguém pode decidir por nós

Então me acaricie sem vergonha alguma e sorria se tiver vontade

e verás que mais cedo ou mais tarde você fará isso também fora daqui

sem medo e em plena luz do dia

sem mais procurar evitar o olhar das pessoas.

Sem medo e em plena luz do dia

e com a coragem de quem ama.

Olha, este amor está cada vez maior

e este quarto já nos sufoca

E então, então vamos lá para fora

Vamos nos vestir e sair

vamos dá luz aos nossos sonhos

debaixo deste céu azul.

Coragem!

Ninguém mais vai arrancar a minha mão da tua

Você vai ver.

Sem medo e em plena luz do dia,

sem mais procurar evitar o olhar das pessoas.

Sem medo e em plena luz do dia,

com a coragem de quem ama,

de quem ama

Olha, estamos sozinhos neste quarto

e ainda assim parece que alguém está nos vendo.

Essa é a tradução da música “In una stanza quasi rosa”, de Laura Pausini. Acredito que a própria letra  da canção fala por si só de um amor que ainda é visto pela sociedade como um amor proibido ( o amor gay). Mas a própria Laura Pausini, em uma entrevista para a revista italiana Donna , afirmou que a música foi inspirada no amor gay, sobretudo, do italianos que ainda precisam muito se esconder por causa do preconceito. Além disso ,a cantora também aproveitou para dizer, que grande parte de seus fãns são gay’s, quer estes sejam italianos ou não, e procurou através desta canção homenageá-los, e lhes emprestar a voz para que pudessem dizer ao mundo, que também amam e sofrem não só pelo preconceito, mas também por terem que viver nesta clausura.

É claro que por causa disso, a popstar italiana, recebeu duras críticas, inclusive do Vaticano que cancelou a participação  da cantora no show da noite de natal promovido logo após a Missa do Galo na praça de São Pedro. Mas ainda assim, a maior estrela da música italiana, continuou seu apoio aos gay’s pelo mundo a fora.

Grande Laura Pausini.