Quanto custa uma beleza efêmera e fatal?

Atualmente não é nenhum segredo que muitas travestis e transexuais façam uso de substâncias como o silicone industrial com o objetivo de moldarem o corpo e atingirem características mais acentuadas de feminilidade. Muito já foi discutido a esse respeito no que tange os malefícios que isso pode causar à saúde que quem faz uso desse tipo de substância, e, no entanto, o uso do silicone industrial ou outras substâncias similares continuam a ser utilizadas por muitas, ignorando todos os aconselhamentos contrários. Talvez porque muitas travestis e transexuais se deixam induzir por experiências empíricas ou exemplos de amigas que ao fazer uso dessas substâncias nunca tiveram até então nenhum tipo de rejeição ou complicações infecciosas.

O fato é que, de acordo com a classe médica, quando se faz uso de uma substância como silicone industrial, hidrogel e etc, e que venham a ter contato direto com o organismo, ao contrário de uma prótese, essa substância tende a aderir ao músculo, nervos, tecidos e correntes sanguínea. O organismo percebendo a existência de um corpo estranho acaba criando uma espécie de camada de gordura com a intenção de se proteger e logo depois tentar expulsá-lo. Esse tipo de conflito interno evidentemente não ocorrerá da noite para o dia, embora nada impeça que em muitos casos isso possa acontecer.

Quando então o organismo não consegue extirpar esse corpo estranho, um líquido linfático e pus começa a ser criado causando com isso uma forte infecção. Em muitos casos pode-se combater a infecção

 

por meio de antibióticos ou drenagem, mas o que se faz é apenas retirar o líquido linfático e pus, mas, jamais o silicone, porque este já está empedrado com o músculo e os tecidos.

Dessa forma os recursos existentes são meramente paliativos, e a tendência é que com o passar dos anos essa infecção possa necrosar o próprio músculo e os tecidos.  Pode acontecer também que as substâncias nocivas com o passar dos anos possa atingir os vasos sanguíneos causando parada cardiovascular ou respiratória.

O que muitas travestis e transexuais não se atetam é que este processo como já foi dito, nem sempre acontece de forma instantânea, mas sim com o decorrer dos anos que pode ser de 02 a 10 anos para que o corpo comece a entrar em colapso por conta da rejeição. É por conta desse lapso de tempo que muitas se deixam induzir por um breve momento de beleza efêmera que vai durar uns 02 ou 10 anos e acabam destruindo a saúde e até mesmo a própria vida.

Em uma recente pesquisa feita por Associações de Transexuais e Travestis e outras da comunidade LGBT quase todas apontam que a expectativa de vida de travestis e transexuais no Brasil é de 35 anos de idade. Trata-se de um dado espantoso, porque uma pessoa com 35 anos de idade de acordo com índices internacionais de expectativa de vida, com 35 anos de vida a pessoa ainda está atingindo o ápice da vida. É evidente que os casos de transfobia existente no Brasil tem contribuído bastante para a elevação desses números. Todavia, não se pode descartar que uma boa parcela também morre e continua morrendo por fazer uso indevido de substâncias no próprio corpo e isso não pode ser descartado quando se trata da expectativa de vida das travestis e transexuais limitada apenas aos 35 anos de vida no Brasil.

De fato, muitas fazem uso dessas substâncias entre as idades de 18 a 25 anos quando então atingem um certo grau de maturidade e optam pela remodelagem de seus corpos. Outro dado curioso e que pode corroborar esta importante pesquisa é que é cada vez mais raro nos dias de hoje se perceber ou deparar-se com uma travesti transex com uma faixa etária de 50 ou 60 anos. Uma prova que estão morrendo cada vez mais jovens.

Se a transfobia tem contribuído para este alarmante quadro, o uso de substâncias como silicone industrial indevido ou outras substâncias similares que não sejam de uso cirúrgico por meio de próteses, tem alavancado esse quadro.

Na ânsia de se atingir uma aparência mais feminina ou possuir status de beleza muitas tem recorrido e recorrem as famosas “bombadeiras” aplicando silicone nas pernas, quadris ou glúteos por que se deixam seduzir pelo imediatismo do efeito aparente, mas se esquecem que estão trocando sua própria vida por aquilo. Que ficarão belas, “gostosas”, serão apreciadas, elogiadas, e terão satisfação pessoal em seu grau de feminilidade, mas que isso tem um elevado preço para um tão curto prazo de vida. É irônico quando se fala de preço, porque sabe-se que as aplicações desse tipo de substâncias é razoavelmente baratas e de curto prazo para se ver os resultados almejados. Mas a que preço!

 

Transfobia : preconceito + falta de conhecimento

     10128-transexuais-lutam-pelo-direito-de-viverem-num-pais-de-ampla-maioria-cristaMesmo com todo o avanço em debates sobre a transexualidade a sociedade maranhense parece viver a parte deste fenômeno social, pois grande maioria das pessoas ainda não sabem o que de fato é transexualidade.  A maioria ainda confundem com a homossexualidade ou simplesmente com um feitiche sexual do travestismo. Isso aponta o nível de ignorância ou falta de conhecimento em que muitas pessoas teimam em permanecer.  Em um enquete onde cerca de 50 pessoas foram entrevistadas, apenas 5 souberam responder que a transexualidade é uma identidade de gênero em que uma determinada pessoa nasce com um sexo biológico ( homem ou mulher), mas que não se sente pertencer a esse sexo e que como forma de tentar se redesignar procuram tratamentos hormonais ou cirúrgicos.

     Essa falta de conhecimento infelizmente acaba gerando certos tipos de preconceitos que acabam se enraizando na própria formação cultural das pessoas que elas acabam se condicionando a entenderem a transexualidade apenas como uma nuância da homossexualiade ou simplesmente um mero capricho em que uma pessoa simplesmente tenha decidido a mudar de sexo. É por conta dessa ignorância que o preconceito cega grande parte dos indivíduos fazendo com que muitos possam emitir discursos de ódio ou vexatórios em relação às pessoas transexuais.

     É nesse contexto que a avaliação que se faz sobre a questão que o conhecimento torna-se uma arma de emancipação na vida de um indivíduo pode fazer toda a diferença para a quebra de preconceitos. Isto porque quando se fala de preconceitos enraizados, deve-se levar em conta que isso foi feito por uma herança tradicional e cultural onde o indivíduo não consegue pensar, refletir e tomar suas próprias decisões sobre um determinado conceito a não ser por aquilo que lhe foi repassado pelas instituições mais elementares e que não ultrapassam jamais o senso comum. De fato, o que se percebe é que quanto mais a pessoa for carente de conhecimentos, mais preconceituosa ela será, e quanto mais ela for preconceituosa, mais fácil de ser manipulada ela será.

     Uma sociedade composta de néscios é exatamente o que a classe dirigente quer, enquanto ela própria é detentora do conhecimento.  Portanto, não é de se admirar que o Maranhão em todas as avaliações do INEP e ENEM sempre apontam um índice muito aquém do resto do país em relação ao nível do ensino fundamental e médio que é feito no Estado.

     É tão alarmante o nível de ignorância de certas pessoas que algumas chegam a publicar em redes sociais ao verem uma pessoa transexual “que bicho é esse?” Percebam que a pergunta vem imbuída, não apenas de falta de conhecimento, mas de preconceito, pois se uma pessoa transexual pode suscitar dúvidas na mentalidade de um indivíduo que queira designá-la, ainda assim continuará sendo uma pessoa e não um” bicho”.

sem-titulo

     Quando se percebe discursos como esses, a gravidade do preconceito ultrapassa até mesmo a área da opinião pessoal porque percebe-se a alienação em que um determinado indivíduo pode permanecer vivendo simplesmente por falta de conhecimento. E quando digo que é a situação é grave é porque sujeitos alienados tornam-se facilmente agressivos e nocivos quando deparados com situações que não se coadunam com sua própria realidade.

     Não vejo outra saída para a quebra de preconceitos senão por meio da difusão do conhecimento. Não se pode tapar o sol com a peneira; homossexuais, bissexuais, heterossexuais e transexuais existem e precisam conviver. Todos são atores sociais que necessitam de interações, exatamente por conta disso precisam entender que essas diferenças podem ser ajustadas a partir do momento que se estabeleça uma melhor compreensão da realidade a qual se está inserido. É lamentável que pessoas como Cledson Santos, ainda possua um pensamento tão arcaico a cerca da transexualidade. Mas, a culpa pela sua falta de intelecto ou conhecimento talvez não seja única e exclusivamente por sua culpa, e sim de todo um sistema que só tem a ganhar com a ignorância de um povo.